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Volta às aulas: seis dicas para entrar no ritmo

Férias acabando e chega o momento de retornar ao colégio e aos estudos. A questão é, como podemos ajudar nossos filhos neste período de readaptação? ...

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Férias acabando e chega o momento de retornar ao colégio e aos estudos. A questão é, como podemos ajudar nossos filhos neste período de readaptação? Muitas crianças saíram da rotina, principalmente relacionada a horários, e entrar de novo no ritmo nem sempre é tarefa fácil! Pensando nisso, eu conversei com o neurologista pediátrico Thiago Gusmão, especialista em comportamento infantil, que elaborou algumas dicas valiosas para que as crianças comecem o ano dispostas e consigam ter um bom desempenho escolar. Vamos a elas?

1 – Retomada da rotina

Cerca de duas semanas antes das férias acabarem é importante retomar a rotina. Isso inclui ajustar os horários de dormir e acordar, caso tenham saído do ritmo neste período, o das refeições e o de outras atividades extras. Desta forma, a criança ficará menos cansada quando começar a ir para a escola. Também é importante reiniciar a rotina de estudos. Os pais podem definir um horário, duas a três vezes por semana, para que os filhos leiam um livro ou façam alguma outra atividade educativa. Vale ainda retornar com as atividades extracurriculares, como aulas de inglês, esportes e música. Para aquelas que apresentaram defasagem escolar no último ano, esta rotina precisa ser mantida durante todo o período das férias, mesmo que de forma espaçada.

2 – Conversar sobre o retorno às aulas

Para que a criança sinta prazer em retornar à escola é preciso que ela tenha estímulos positivos. Por isso, os pais precisam prepará-la para este reinício de forma que fique entusiasmada e animada com os estudos. Entre as estratégias para este envolvimento estão a organização do material escolar e da mochila, falar sobre o zelo com cadernos e outros objetos e lembrar dos amigos e pessoas que gosta e que irá reencontrar. Também vale começar a fazer perguntas sobre o que aprendeu no último ano e o que espera do que está por vir. Os pais e responsáveis têm papel fundamental de incentivador e de reforçador positivo. Se isso não ocorre, a criança chega ao próximo ano com as mesmas dificuldades. É preciso oferecer diversão, mas com pitada de aprendizado, de cultura, de estimulação. A criança é fruto do meio e os estímulos que oferecemos a elas são essenciais para seu desenvolvimento.

3 – Reduzir o tempo de uso de tecnologia

Em pleno mundo digital as crianças estão cada vez mais envolvidas com aparelhos eletrônicos e tecnologia, como televisão, computador, tablets, telefone e jogos. Como não há como impedir esse contato, o que os pais podem fazer é moderá-lo, controlando os horários de uso, conversando com seus filhos e estimulando-os a brincarem ao ar livre. Tendo ocorrido ou não um uso maior durante as férias, este é o momento de limitar as atividades nos meios digitais, aumentando o estímulo da criança com atividades educativas, culturais e de aprendizagem. É importante, por exemplo, evitar que a criança utilize tablets e celulares no período noturno, para não influenciar o sono. O tempo de acesso deve ser controlado e reduzido ao longo dos dias, não ultrapassando o limite indicado para cada idade.

4 – Reforço escolar para crianças com maior dificuldade de aprendizagem

As crianças que apresentaram defasagem escolar no último ano letivo, com notas abaixo do esperado e dificuldade de aprendizagem, precisam retomar o reforço escolar antes das aulas iniciarem. Isto também é válido para crianças com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). O período de estudo pode ser menor e dependerá do nível das dificuldades apresentadas, mas deve ser iniciado. Isso é importante para que a criança relembre o que foi aprendido e não tenha uma regressão dos avanços alcançados, retornando às aulas sem ter um prejuízo escolar maior. No caso das crianças com TDAH é essencial manter o tratamento terapêutico, também de forma mais espaçada.

5 – Diálogo e acompanhamento dos pais à rotina de estudos dos filhos

O diálogo entre pais e filhos é essencial em todas as fases da vida da criança. É por meio dele que são construídos os laços de carinho, amor e respeito. Também é conversando que os pais conseguem impor limites e estabelecer as rotinas da criança. Ao conversarem com ele, demonstrarem interesse pelo seu dia a dia e supervisionarem sua rotina de estudos, contribuem para melhorar seu desempenho, especialmente os que têm TDAH. Ao iniciar um ano letivo, este acompanhamento diário se torna essencial para poder identificar os medos e dificuldades da criança, encontrando formas de solucioná-los conjuntamente. Quando as aulas iniciam, os pais também precisam acompanhar as crianças na escola, conversando com professores, pedagogos e diretores. É desta forma que sabem como está o comportamento do filho em sala de aula e sua interação com os colegas, podendo identificar necessidades e pontos de desenvolvimento da criança.

6 – Remédios e crianças com déficit de atenção e hiperatividade

É comum, no retorno às aulas, os pais procurarem o consultório para iniciar o tratamento da criança com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Neste momento é importante lembrar que os remédios não serão a primeira opção. Temos níveis diferentes de dificuldades em cada criança e, em geral, a mudança de rotina, com a inclusão de hábitos saudáveis e definição de horários, acompanhada de tratamento multidisciplinar e reforço escolar já trará resultados. O remédio deve ser utilizado apenas por aquelas que apresentam classificação elevada do distúrbio e, mesmo assim, acompanhado de todas as outras iniciativas. Não se pode indicar um tratamento medicamentoso para crianças que não passaram por essas etapas, pois elas precisam adquirir maturidade e compromisso com os estudos e não serem robôs de medicação.

Desejo que esse retorno às aulas seja tranquilo e prazeroso para todos nós! Até a próxima!

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