
Esta ciência, ao contrário do que muitos pensam, não é um fenômeno dos novos tempos. Embora o conceito moderno de marketing tenha surgido no pós-guerra, na década de 1950, há evidências da sua prática desde a antiguidade. Data de milênios, por exemplo, uma citação na Bíblia, no livro do profeta Habacuque 2:2, que orienta: “Escreve a visão com toda clareza possível em grandes tábuas, para que até o mensageiro que passa correndo a leia”.
Ao longo dos tempos, o marketing veio evoluindo. Três fases principais marcam sua transformação. A primeira, a 1.0, ditava que todas as estratégias e ações se concentrassem no produto. A segunda, a 2.0, se pautou na percepção de que outros fatores também influenciam na decisão de compra do cliente, como impulsos e motivações psicológicas.
E, por fim, a 3.0, que estamos vivendo, segue cada vez mais potencializada pela revolução da informação, da tecnologia, do mundo on-line.
Evoluções à parte, o marketing sempre teve como objetivo destacar as empresas na preferência dos consumidores. Contudo, em decorrência das inúmeras inovações que se sucedem e da rápida transformação do mundo contemporâneo, essa ciência ganha novos contornos a cada dia.
Hoje as empresas já entendem que o consumidor não é um simples comprador e que o consumo não é o ponto principal numa negociação. Na verdade, os clientes querem ir além. Eles também buscam sensações e experiências, e já são muitos os que tomam suas decisões de compra pautados em valores como sustentabilidade e ética.
Portanto, é preciso que repensemos a forma de fazer comunicação na era moderna. A atenção do cliente não é mais algo que se tenha com facilidade. Para atrai-lo e retê-lo é preciso o aprendizado de um novo ritual de conquista.
São muitas as mudanças e algumas já começam a acontecer, como a apontada pela empresa WGSN, especialista em macrotendência. Segundo ela, até 2020, o consumidor vai comprar cada vez menos e compartilhar mais; terá mais voz, incluindo as minorias; confiará menos na política; exigirá mais da classe empresarial nas questões sociais e ambientais; cobrará mais atitude das marcas e começará a usar criptomoedas.
Essas tendências são importante referencial para as empresas quando forem traçar suas estratégias. Pensar no bem-estar da humanidade deve estar no radar de todas elas.
Não podemos mais tratar as pessoas como simples consumidoras. Nós, profissionais de marketing, devemos tratá-las como seres humanos plenos, com mente, coração e espírito, que buscam soluções para seus anseios e construir uma sociedade mais justa e melhor.
O envolvimento de marcas com aspectos sociais e sustentáveis é cada vez mais levado em conta pelo consumidor no processo de decisão de compra, mas é vital atrelar tamanha responsabilidade à essência da marca, tornando-a parte de sua identidade, para que faça sentido usar este aspecto em sua comunicação.
Juliana Botelho Soares é especialista em Marketing, professora e membra do Conselho Operacional da AEC