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De Uber até Iconha

E chegou a hora desta gente bronzeada mostrar seu valor, que o ano ainda é de crise, de eleições e uma copa de futebol pelo meio. Passados os blocos ...

Última atualização

E chegou a hora desta gente bronzeada mostrar seu valor, que o ano ainda é de crise, de eleições e uma copa de futebol pelo meio. Passados os blocos de rua, em meio aos arrastões, temos uma escola que venceu o Carnaval carioca com um samba-enredo que critica a corrupção. Beleza, mas oooppsss: a escola é bancada pela contravenção, gente, daí o perigo de se carnavalizar tudo. Ao menos, passado os desfiles de momo, o apresentador de TV Luciano Huck tirou a máscara de candidato a presidente da República, que andou usando nos últimos meses. Chegou a registrar 8% de intenções de votos, nas pesquisas, mesmo índice de Bolsonaro.

Huck, inflado por expressiva fatia empresarial e na vitrine de poderosa emissora de TV, agora sinaliza o que já disse lá atrás: vai participar do processo eleitoral, porém candidatura só mais adiante. Para onde vão seus votos? Provavelmente para Alckimin ou outro candidato com perfil semelhante do chamado centrão. O fato é que sua não-candidatura vai nos privar de comparações tipo, “a primeira-dama, Angélica, já não vem de táxi, mas de Uber, por ser mais moderno”. Besteirol, como parecer ter sido o ensaio da candidatura do Huck. Só FHC levou fé.

Ainda sobre o Uber, nesta retomada das atividades legislativas, as prefeituras de Vila Velha e Cachoeiro terão agora pauta semelhante para regulamentar sobre o sistema Uber, novo conceito de transporte urbano. Isso em meio à inevitável gritaria dos taxistas tradicionais, que não querem perder mercado. Ou melhor, dos donos de placas de táxi, que exploram a mão de obra dos “defensores”, aqueles motoristas que iniciam a jornada atrás de passageiros já devendo uma cota mínima que é alta. Porém, o sistema é antigo, os carros idem, ficam paradões no ponto e na transversal da modernidade.

Antes da concorrência, é bom ressaltar, ser dono da concessão de placas de táxi era um grande negócio feito para poucos, na Grande Vitória, assim como em outras regiões. Houve período em que uma concessão valia, dependendo do local, entre R$ 150 mil e R$ 300 mil. E como explicar um processo onde um mesmo sujeito poderia deter oito, dez ou mais dessas concessões? Essa caixa-preta, em conluio com autoridades municipais, começou a ser aberta após a concorrência.

Contra o modelo Uber, os taxistas espalham óleo na pista. Dizem que não há controle sobre o profissional que está ao volante, que ninguém sabe ao certo como são escolhidos, e que não existe a confiança que o modelo tradicional proporciona ao usuário. Pode até ser, mas ninguém também sabe ao certo a ficha-corrida do taxista que você aciona num ponto, por gesto ou telefone. É a roda-viva do trânsito, que nos leva a bons e maus caminhos e escolhas.

E a todo o momento somos submetidos a escolhas e caminhos nem sempre adequados. Um exemplo, para não sair dessa pista, é o novo Contorno Rodoviário de Iconha, aquela cidadezinha sem graça que a gente atravessa quando vai pela BR-101 Sul, parada quase obrigatória para um pão com linguiça, cafezinho, pastel de vento etc. Quando começou a ser discutida a construção desse contorno, lá por volta de 2012, a primeira audiência pública acusou que a “maioria” das pessoas da comunidade era contra a obra e a retirada do trânsito da sua área urbana.

Quem era essa “maioria”? Representantes dos comerciantes, que lotaram e dirigiram a audiência seguindo seus interesses: vender mais pastel, gasolina… Não estavam nem aí para a segurança e a qualidade de vida local. Pois o mundo gira e a conversa em Iconha agora é outra. O contorno, finalmente, está saindo do papel e os comerciantes, ante o inevitável, miram em outra direção: os terrenos nas proximidades da nova pista do contorno, para instalar seus negócios. Há toda uma corrida imobiliária nesta direção.

Para maioria dos demais moradores, a ficha caiu: sem aquela interminável travessia de veículos, poluindo dia e noite, a comunidade só tem a ganhar. Poderá ser reurbanizada, adquirir traços próprios e deixar de ser apenas local de passagem. Num futuro próximo, claro, poderá ter Uber pra chamar de seu. Nesses tempos de desemprego em alta velocidade, o modelo virou opção de renda para muita gente. Há quem diga que foi essa a “grande contribuição”, por vias transversas, dada pelo governo Temer à nossa economia.

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