As quatro primeiras escolas a desfilar na noite de sexta-feira e no início da madrugada deste sábado mostraram garra, alegria e esforço, mas pouco recurso. O luxo só se fez presente em algumas fantasias.
Se as alegorias também pecaram no acabamento, o mesmo não se pode dizer do ritmo: as baterias mostraram que o capixaba sabe fazer samba com primor.
Tendo Zumbi como enredo, a Tradição Serrana, segunda a pisar na avenida, entrou com uma comissão de frente irreverente, dois carros alegóricos coloridos e alguns destaques descolados.
No geral, porém, o que se viu foram fantasias simples, que por vezes não condiziam com a grandeza do tema. Ponto, porém, para a ala de capoeiristas, que puxaram os aplausos do público.
A escola seguinte foi a Unidos de Barreiros. Antes do início do desfile, o anúncio de um desabafo vindo das caixas de som já prenunciava o que viria: faltou dinheiro, faltou material, faltaram condições. Resultado: a comissão de frente e o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira praticamente sem fantasia, para ilustrar o enredo sobre Piúma.
O samba até empolgou o público, que mostrou ânimo, apesar da ausência de carros alegóricos: nenhuma alegoria na avenida no desfile da escola de São Cristóvão. A despeito das fantasias extremamente simples, os integrantes mostraram garra e cantaram o hino da escola todo o tempo.
Já a Rosas de Ouro mostrou um desfile mais elaborado: com belas fantasias e um bom samba, fez um espetáculo que, embora não luxuoso, convenceu pela criatividade.
Rafael Guzzo é Editor de Economia, ex-jurado do Troféu Tribuna e folião apaixonado pela Mocidade Independente de Padre Miguel.
