A Diocese de Cachoeiro de Itapemirim se manifestou sobre o vídeo que mostra o monsenhor Rômulo Zagotto, 70 anos, defendendo o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva e criticando, o que definiu como, a elite “branca, burra e golpista”. Segundo a entidade, a opinião do padre não reflete a postura da igreja.
“A Diocese de Cachoeiro de Itapemirim, ciente dos recentes acontecimentos político-sociais de nosso país e da crise política instaurada no Brasil, esclarece que a opinião de alguns de seus Sacerdotes, exteriorizada em redes sociais particulares, não expressa a opinião da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim”, frisou a entidade, em nota enviada à imprensa na manhã desta terça-feira (06).
O vídeo começou a circular na internet na última segunda-feira (5). O padre, em entrevista ao Tribuna Online, explicou que as imagens foram gravadas a pedido de integrantes do Partido dos Trabalhadores (PT) de Cachoeiro, antes do julgamento do ex-presidente, que aconteceu no dia 24 de janeiro.
O bispo, Dom Dario Campos, responsável pela Diocese e superior hierárquico do monsenhor Rômulo Cagotto, ainda ressaltou, na mesma nota, que a “Igreja defende a liberdade de expressão de qualquer cidadão, no entanto, não se envolve em temas políticos ou partidários. Ele acredita que essas questões que envolvam denúncias de corrupção no país devem ser tratadas pelo Poder Judiciário”.
A explicação do Padre
O monsenhor ressaltou que gravou a mensagem em “razão da concentração do pessoal que acompanharia o julgamento do Lula” e a pedido do diretório do Partido dos Trabalhadores em Cachoeiro de Itapemirim.
Inicialmente, como disse o monsenhor, a mensagem deveria circular apenas internamente. “Isso foi passado pelo (nosso) grupo. Depois pediram que pudesse ser publicado no Facebook, mas eu disse que não, porque poderia ter uma repercussão pública”, relembrou. “Acho que deveria ser algo interno, referido àquela reunião”, reclamou o padre sobre o vazamento do vídeo.
O religioso se disse preocupado com a situação política do país. “Claro que estamos preocupados. Nós não temos um candidato hoje. Não temos quem escolher hoje diante da situação. Todo mundo está comprometido com alguma coisa, a preocupação é geral. É de todo mundo”, conclui.
