De passagem em Vitória para fazer o exame de DNA, procedimento para liberação dos corpos dos irmãos Joaquim (3) e Kauan (6), mortos em um incêndio dentro de casa em Linhares no último sábado (21), os pastores George Alves e Juliana Salles conversaram com jornalistas no Departamento Médico Legal da cidade.
George se emocionou ao relembrar o dia do incêndio, que começou dentro do quarto das crianças. “Eu vi pela babá eletrônica as chamas, escutei o grito deles e fui correndo para o quarto. Lá vi que o Kauan havia descido para a cama de baixo para proteger o irmão. Eu não consegui entrar, cheguei a tentar três vezes”, relembrou.
Questionado sobre a dor de fazer o exame de DNA para reconhecer os corpos dos filhos, o pastor foi enfático: este trâmite é irrisório. “Não há dor maior do que o que aconteceu. A perda dos meus filhos. Os órgãos estão fazendo de tudo para acelerar o processo e descobrir o que houve”, contou.
Sobre a noite do acidente, o pastor lembrou que levou os filhos a uma sorveteria na noite anterior e que ficou ao lado do filho até pouco depois da meia-noite. O acidente, segundo ele lembra, aconteceu cerca de duas horas depois.
“Minha esposa viajou para Minas Gerais, em um congresso de mulheres, com nosso bebê e eu levei os dois a uma sorveteria. Tomamos sorvete, fomos a casa de um membro da igreja, dei um banho nos dois e depois ficamos no escritório vendo um filme. Tirei um tempo para eles. Depois eles pediram leite com chocolate, eu fiz para eles e o Joaquim dormiu. Então levei ele até o quarto, liguei o ar condicionado, liguei a babá eletrônica, e voltei para o escritório. O Kauan ficou comigo até pouco depois da meia noite. Eu coloquei a mão sobre a cabeça dele, orei e pedi que Deus os guardasse e os protegesse. O cobri e fui para o meu quarto. Tomei um banho e dormi. Eu apaguei”, descreveu.
Se apegando ao Evangelho cristão, o pastor acredita que todo este episódio “tem um propósito determinado por Deus”. “A única certeza que eu tenho hoje é que Deus está nos dando força. Ele está nos segurando e nos mantendo firme. Há um propósito em relação a tudo isso. Pessoas serão alcançadas pela propagação do evangelho. Não há nada que nos faça parar. O mundo precisa de Deus”, disse.
Segundo a polícia, em um prazo de 15 dias os corpos devem ser liberados para velório e enterro.