
A missão não era fácil para o longa-metragem mais aguardado do ano. Afinal, reunir em uma única história um time de 26 heróis contra o vilão mais forte – e bem construído – do universo da Marvel Comics não se faz todo dia. E essa foi a motivação que levou os irmãos Antony e Joe Russo, diretores da obra, a apostarem pesado em suas escolhas ousadas e sem nenhum temor das consequências.

Os diretores, inclusive, deixaram claro que tudo o que foi visto aconteceu e que não vão recorrer a truques de roteiro para “surpreender” o público com aquela fraca estratégia de contar, no final, que tudo não passou de um sonho ou que os personagens estavam em uma realidade paralela.
Depois disso tudo, fica evidente que o roteiro foi o que mais agradou. As piadas estão em toda parte, mas muito bem colocadas e sem roubar a tensão da história, ganhando intensidade esporádica nas cenas dos Guardiões da Galáxia e do Homem-Aranha. Todos os personagens foram fiéis aos seus estilos, tiveram momentos para brilhar e atos com impacto para a trama e para suas próprias jornadas. Obviamente que o destaque acabou ficando com aqueles que já protagonizaram uma história nos cinemas anteriormente.
Além disso, houve amarrações importantes, o que deixou claro que há muito o estúdio passou a pensar em seus filmes como algo integrado – não acredito que desde Homem de Ferro (2008) como muitos exaltam, mas pouco depois disso, sim. Uma simples piada feita em uma produção, se torna, em Guerra Infinita, a resposta para algo que ficou pendente para outro personagem em seu último filme. Ou seja, tudo tem um motivo para estar no universo cinematográfico da Marvel e não foi posto de graça na tela, inclusive as cenas pós-créditos.
Um amigo, antes mesmo de ver o filme, me perguntou: “É o prego final no caixão da DC?”. Respondi: “Não sei. Mas, a DC deve estar pressionada”. Porque, em Vingadores: Guerra Infinita ocorre o mesmo de quando se chega ao final de um bom livro, quando o leitor se mantêm em silêncio não por desapontamento mas, sim, por encantamento.
