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Mais de 45 mil crianças têm dor crônica no Estado

Cerca de 45 mil crianças em idade escolar podem sofrer de fibromialgia no Espírito Santo. A estimativa é da médica reumatologista e presidente da ...

Última atualização

 (Foto: Acervo pessoal)Cerca de 45 mil crianças em idade escolar podem sofrer de fibromialgia no Espírito Santo. A estimativa é da médica reumatologista e presidente da Sociedade de Reumatologia do Espírito Santo (Sores), Aline Fraga, que afirma que até 6% das 762 mil crianças capixabas em idade escolar podem sofrer de dores crônicas.

A principal queixa é a presença de dores, difusas e generalizadas, que acontecem nos dois lados do corpo, acima e abaixo da cintura, e persistem por mais de três meses. Dores de cabeça, fadiga, dor abdominal e distúrbios do sono também são comuns em pacientes com fibromialgia.

Os médicos ainda não chegaram a um consenso sobre a causa da fibromialgia, porém há fatores que agem conjuntamente no aparecimento da doença.

 (Foto: )“Em cerca de 70% dos casos as dores são observadas em membros da mesma família, normalmente a mãe; fato que pode ser entendido como associação genética ou um comportamento doloroso aprendido dentro de casa”, explicou a especialista.

O estresse e doenças autoimunes podem agravar o quadro do paciente. “Traumas físicos e emocionais, conhecidos como transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), também têm sido associados ao aparecimento da doença”, lembrou Aline.

Em grande parte dos casos, os pacientes apresentam depressão, transtorno de ansiedade ou são perfeccionistas e muito cobrados intelectual ou emocionalmente.

Para detectar a fibromialgia nas crianças são adotados os mesmos procedimentos que em um adulto: é realizado um exame físico de todo o aparelho locomotor, verifica-se os sintomas relatados pelo paciente e realizam-se testes laboratoriais para excluir outros tipos de doenças.

Para entender a dor e tentar lidar melhor com ela, a psicoterapia é uma das vertentes do tratamento que mais apresenta resultado em pacientes mais jovens.

Exercícios físicos de baixa intensidade, como a natação, além de manter uma alimentação saudável e fazer fisioterapia também são indicações médicas.

“O tratamento de crianças e adolescentes sempre é iniciado preferencialmente por modalidades não farmacológicas, incluindo reeducação alimentar, prática de exercícios e acompanhamento psicológico, visto não existirem estudos sistemáticos sobre o uso de medicamentos para crianças com fibromialgia”, explicou a médica, que também respondeu as perguntas dos leitores de A Tribuna.

 (Foto: Acervo pessoal)

Existe um exame específico para detectar a doença?
José Aníbal de Souza, 61, analista de sistemas
Infelizmente não. O diagnóstico é basicamente clínico.

Qual profissional que procuro para saber se tenho fibromialgia?
Josiany Cott Santana, 23, universitária
O reumatologista é um profissional capacitado para o tratamento e acompanhamento da doença. Atualmente existem também profissionais especializados em medicina da dor, capazes de efetuar um bom atendimento.

Quais sintomas a criança apresenta quando está com a doença?
Maria de Lourdes Silva, 57, dona de casa
A queixa é de dor muscular e articular por pelo menos três meses, difusa pelo corpo, além de relato de fadiga, sono não reparador, dores de cabeça, sensação de formigamento nas extremidades e dificuldade em manter as atividades cotidianas como ir à escola, brincar e se exercitar como antes.

O que causa a fibromialgia?
Amanda Souza de Miranda, 18, estudante
Infelizmente não há uma causa determinada, entretanto já se sabe que pode estar relacionada a alterações na concentração de neurotransmissores (diminuição de serotonina), no metabolismo muscular, estado psicológico e fluxo sanguíneo cerebral.

Como é o tratamento da fibromialgia em crianças?
Sandra Maria Soares Cortes, 34, secretária
Em crianças e adolescentes primeiramente há uma tentativa de melhora através da prática de esportes regulares e psicoterapia.

Se eu não melhorar com o tratamento clínico, o que devo fazer?
Marina Dalla Bernardina, 71, aposentada
Apenas quando essas abordagens (prática de esportes regulares e psicoterapia) não funcionam é que lançamos mão de medicação, nesses casos analgésicos, relaxantes musculares e antidepressivos.

Essa doença é mais comum em homens ou mulheres?
João Luiz Ferraz, 48 anos, professor
As mulheres são cerca de 10 vezes mais propensas a desenvolver fibromialgia do que os homens.
 

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