Após receberem muitas reclamações sobre o aumento dos engarrafamentos na capital, associações de moradores da Mata da Praia, Jardim Camburi e Bairro República vão pedir que a prefeitura suspenda a faixa exclusiva para ônibus na Dante Michelini, que começou a funcionar na última segunda-feira.
A decisão foi tomada em uma reunião na noite desta quinta-feira (15) com representantes dos três bairros. Segundo o presidente da Associação de Moradores da Mata da Praia, Paulo Vitor Aquino Dal Col, as associações não são contrárias à criação de faixas exclusivas que beneficiam o transporte coletivo.
“No entanto, da forma com que foi feita, sem ouvir as comunidades e sem estudos mostrados, prejudicou os moradores desses bairros. Além disso, a Dante Michelini não é uma via que tinha essa necessidade, já que o trânsito para carros e ônibus fluía bem”, frisou.
Ele citou, ainda, que assim como na Mata da Praia, os presidentes das associações de Jardim Camburi, Enock Sampaio, e de Bairro República, Walter Guedes, receberam muitos relatos sobre o aumento dos congestionamentos na Praia do Canto até chegar à Dante Michelini e do tempo de viagem deles no horário de pico da tarde.
“Até os usuários de transporte coletivo estão dizendo que o tempo que eles levam para chegar até a Praia de Camburi não compensa o tempo que ganham com a Linha Verde. Amanhã (hoje) vamos redigir um ofício à comunidade e à prefeitura pedindo a revisão da linha verde da forma com que foi feita.”
Enock Sampaio ressaltou que, pessoalmente, tem sentido a mudança com a implantação da faixa exclusiva. “Do Centro até Jardim Camburi , que já tinha fluxo intenso no final da tarde, sempre demorava uma hora. Essa semana passei a gastar uma hora e meia. Piorou.”
A coordenadora de trânsito e transporte da Associação de Moradores de Jardim da Penha, Sandra Carneiro, também foi ouvida pela reportagem e destacou que a faixa cria transtornos, mas essa é a saída para a mobilidade. “Mesmo assim, queremos uma análise técnica da prefeitura para saber como vai ficar o trânsito dentro do bairro.”
Linha Verde criou outros gargalos, dizem especialistas
Diante das reclamações de motoristas sobre o tempo de viagem para quem passa pela Praia do Canto e avenida Dante Michelini, especialistas dizem que a explicação é simples: a faixa exclusiva criou novos gargalos no trânsito, já que reduziu a capacidade de uma das principais vias da cidade.
O especialista em Transportes Renato Prandina destacou que o problema é que durante todo o percurso de quem trafega sentido Centro-Praia de Camburi os motoristas têm três faixas. “Mas quando chegam na Ponte de Camburi quem está na faixa da direita precisa se juntar aos motoristas da faixa do meio, restringindo o espaço”.
Ele explicou que a via tem capacidade para passar até 600 veículos por hora em cada faixa. “Com a faixa exclusiva, deixam de passar por lá no mínimo 400 carros por hora, fazendo com que esse volume fique retido na direção da Praia do Canto, gerando acúmulo de mais de dois quilômetros de congestionamento por hora no pico.”
Segundo ele, por isso, na Dante Michelini não há problemas grandes, já que só passa a capacidade que o gargalo permite. “Dali para frente, a via fica com capacidade maior que no ponto de estreitamento de três para duas faixas”.
Para o engenheiro especialista em Trânsito, Paulo Lindoso, a ideia de uma faixa exclusiva para ônibus é boa, desde que seja acompanhada de outras medidas que motivem as pessoas a trocarem o carro pelo ônibus. Entre elas, um maior conforto, confiabilidade e segurança no transporte coletivo.
“Com a retirada de uma faixa para automóveis, a via tem sua capacidade reduzida em um terço. Isso quer dizer que para ter as mesmas condições anteriores, precisaria retirar um terço de carros da rua.”
Já o engenheiro civil e conselheiro do Plano Diretor Urbano de Vitória, Luiz Carlos Menezes, avalia as faixas exclusivas para ônibus, vans e táxis como positiva. “As faixas exclusivas são realidade em diversas cidades. Apesar do impacto inicial no trânsito, elas servem para desestimular o uso do carro, que é o grande vilão das cidades hoje.”

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