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Jeito de Mãe

Marielle: presente, hoje e sempre!

No dia 15 de março de 2018 mais uma filha acordou sem sua mãe! Na verdade, todos nós também ficamos um pouco órfãos. Ela era mulher, negra, da ...

Última atualização

No dia 15 de março de 2018 mais uma filha acordou sem sua mãe! Na verdade, todos nós também ficamos um pouco órfãos. Ela era mulher, negra, da comunidade e lutava pelos direitos dos humanos em um país que falta tanta humanidade. Não lhe faltou coragem para remar contra a “Maré”. Esta era Marielle Franco. Mais uma de nós que teve sua vida brutalmente cerceada quando não conseguiram calar sua voz. Ela incomodou!

Eu não a conhecia e nem faço parte de tantas minorias defendidas por ela, mas isso não me impede de lamentar, de me indignar e de chorar sua morte. É mais uma voz calada e não podemos nos acomodar, nos acostumar com isso. É mais uma que se vai e isso não pode ser em vão. É uma grande perda política, social e simbólica!

Para a jornalista de Brasília, Ana Elisa Santana “a morte de Marielle não é ‘só’ mais uma execução. É um lembrete de que uma camada da população não aceita que a outra ascenda, levante a cabeça, tenha voz, transforme. Há muito mais de 500 anos é assim. Quando uma mulher negra sobe, ela não vai sozinha. Ela leva família, ela inspira os amigos, ela modifica uma comunidade”.

Realmente, ela tinha esse poder de contagiar, de nos tirar da zona de conforto, local onde nunca esteve, como comenta a jornalista Marília Arrigoni, moradora do Rio de Janeiro. “Eu fui contagiada pela Marielle quando a vi discursando na Cinelândia na campanha a qual ela foi eleita. Não sou negra e não vim de comunidade, mas todas as palavras em defesa das mulheres negras e dos moradores de favela mexeram comigo. Havia verdade ali. Me representou. Até porque não é preciso ser igual para ter compaixão de quem sofre. E claro: uma mulher dizendo todas aquelas palavras é realmente inspirador. Saber da morte tão cruel dela mexeu com a ponta de esperança que eu tinha. É difícil entender o que estamos vivendo. Foi angustiante estar na mesma Cinelândia só que em vigília pela morte dela. Quem a matou, a transformou num símbolo também e a busca por dias melhores continua”.

Apesar de toda a tristeza, medo e revolta, não podem nos paralisar. Coincidência ou não, o último evento que ela participou tinha como título “Jovens Negras Movendo as Estruturas” e acredito que simboliza um chamado para todos nós. Precisamos nos mover, abalar as estruturas, não nos acomodar ou acovardar. É isso que eles querem! Não vão conseguir!

“Eles não nos querem ativas, donas de nós mesmas, pensantes, capazes e com poder de decisão. Não nos querem com coragem de denunciar. Pare, reflita. Ligue os pontos. Se você não está com medo, você não está entendendo nada. Se você não está absolutamente revoltado, você não está no mesmo país. Marielle deixa marcas de suor e sangue que dilaceram, mas dão força pra continuar. O legado dela e de todas as mulheres negras brutalmente assassinadas todos os dias precisa ser combustível. Eles tentam nos tombar, mas nós vamos continuar levantando. Vamos fazer o que ela faria”, completa Ana Elisa Santana.

Meus mais sinceros sentimentos a toda sua família, assim como aos familiares de seu motorista, Anderson Pedro Gomes, que também perdeu sua vida.

E Marielle, que você continue presente, hoje e sempre! Até a próxima!

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