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Nove filmes disputam o principal prêmio do Oscar

Há muito o Oscar não selecionava filmes tão parelhos no quesito: amor dos fãs. Não que antes havia filmes ruins. Porém, a disputa era menos acirrada ...

Última atualização

Candidatos a Melhor Filme no 90º Prêmio da Academia Há muito o Oscar não selecionava filmes tão parelhos no quesito: amor dos fãs. Não que antes havia filmes ruins. Porém, a disputa era menos acirrada nos últimos anos. Os nove selecionados de 2018 conseguem empolgar públicos diferentes e tocar o coração de muitos.

Obviamente que A Forma da Água desponta como o preferido. Afinal, foi indicado em 13 categorias, entre elas melhor filme. (tribunaonline.com.br/a-forma-da-agua-um-filme-fabuloso). Mas há quem aposte suas fichas que “Três anúncios para um crime” consiga abocanhar o prêmio na última hora. O que não seria inédito, ano passado, Moolinght venceu La La Land, dado como tão certo que os apresentadores até se confundiram na hora de anunciar o ganhador (como não lembrar daquela gafe histórica?).

Três anúncios tem um enredo tenso sobre a mãe endurecida pelo assassinato da filha que decide cobrar resultados da polícia local instalando três placas na estrada de acesso à sua cidade. As atuações são o chamariz de tantos prêmios, já ganhou cinco Bafta, e a protagonista Frances McDormand está fantástica.

Há também Durkink, uma obra de qualidade exemplar e direção primorosa de Christopher Nolan. Há muito não se via uma produção de guerra tão crua e, ao mesmo tempo, com um enredo tão bem amarrado. Os sons da guerra são certeiros, o que não deve passar despercebido nos prêmios técnicos. Sobre o mesmo evento, porém com outra ótica, O Destino de uma Nação tem na atuação de Gary Oldman, na pele de Winston Churchill, seu principal trunfo.

E, correndo por fora, Me Chame pelo seu Nome, de Luca Guadagnino com produção do brasileiro Rodrigo Teixeira, ganhou fôlego depois de bom resultado nos festivais. Por isso, foi exibido em diversas salas do País, mesmo fora do circuito comercial. O enredo se desenvolve em torno do jovem Élio, que tem suas férias de verão, no Norte da Itália, transformadas depois da chegada de Oliver, um escritor e estudante acadêmico que surgiu para ser pupilo do seu pai. O filme é belo e Timothée Chalamet se entrega de forma cativante à desafiadora função de protagonizar.

Mas quem também vem comendo pelas beiradas e arrematando boas críticas é Lady Bird: É hora de voar e Corra!, ambos excelentes filmes. O primeiro seria muito oportuno caso a Academia o premiasse, afinal o longa-metragem é dirigido por uma mulher, Greta Gerwig, e tem ótimas personagens femininas — tanto a protagonista Saoirse Ronan quanto a mãe vivida por Laurie Metcalf, em uma atuação cheia de nuanças.

Como é esperado algum tipo de protesto no Oscar, a exemplo dos vestidos pretos usados pelas atrizes no Globo de Ouro, premiar um filme produzido e idealizado por uma mulher seria uma mensagem política contra os abusos sexuais em Hollywood. O enredo trata do amadurecido de Christie e sua busca por deixar desesperademente a pequena cidade de Sacramento. É um filme considerado por alguns como indie que trata com sinceridade da adolescência. Recebeu 100% de críticas positivas no Rottan Tomatoes, o que não pode ser ignorado.

Quando o assunto são elas, vale destacar, neste ano, a primeira mulher com indicação na categoria Melhor Fotografia: Rachel Morrison, por Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississipi.

Corra!, por outro lado, é dirigido por um negro, o diretor Jordan Peele, e optou por um gênero inusitado, o terror, para denunciar o racismo e o preconceito. Sua história expõe a hipocrisia social, tão presente nas sociedades (e não só na norte-americana), e parte de um jovem negro que vai conhecer a família de sua namorada branca.

Outro indicado é The Post: A Guerra Secreta, que traz a história do jornal Washinton Post e sua atuação nos fatos que ajudaram no fim da Guerra do Vietnã. A primeira cena introduz um filme de guerra, mas o que se vê é uma batalha psicológica sofrida pelos editores Katharine Graham, Meryl Streep em sua 23ª indicação ao Oscar, e Ben Bradlee, Tom Hanks em uma atuação muito boa. Mais bem ritmado que Spotlight, vencedor de 2016, a certeza hoje é que o filme dirigido por Steven Spielberg vai passar do cinema para as salas dos cursos de jornalismo.

Já Trama Fantasma, que entrou esta semana em cartaz no Estado, foi certeiro na escalação do ator Daniel Day-Lewis para interpretar o estilista Reynolds Woodcock. Ele é o recordista do Oscar de melhor ator, com três estatuetas, e usou do seu tão famoso método de imersão para entender o mundo da moda. Afinal, a trama se passa ao entorno dos amores e obsessões do protagonista. Day-Lewis diz que este é o último papel de sua carreira. Se é um plano de marketing para impulsionar a bilheteria, não se sabe. O certo é que estamos de frente de uma bela obra.

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