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Chuvas elevam nível do Rio Jucu permitindo descida ecológica

As chuvas das últimas semanas elevaram o nível do Rio Jucu, o que vai permitir a realização da 30ª Descida Ecológica do Rio Jucu.Em boletim divulgado ...

Última atualização

Rio Jucu. Fotos: Eduardo PignatonAs chuvas das últimas semanas elevaram o nível do Rio Jucu, o que vai permitir a realização da 30ª Descida Ecológica do Rio Jucu.

Em boletim divulgado no dia 28 de fevereiro pela Agência Estadual de Recrusos Hídricos (Agerh) , a vazão do Rio Jucu estava em 16.145 l/s, ficando acima do nível crítico de 6.260 l/s. No início do mês de fevereiro, a vazão do rio ultrapassou 70.000 l/s, mas voltou a cair até o dia 17, chegando a 15 mil l/s. Desde então, a vazão do rio Jucu apresentou oscilações, voltando duas vezes a este nível.

O empresário e ambientalista Eduardo Isaías Pignaton, organizador da Descida do Rio Jucu, afirmou que a descida do rio acontecerá neste ano devido a essa elevação do nível do rio. “Esse ano, como choveu bastante e lavou o rio, vamos fazer a descida. Coletamos amostras e vai sair o resultado ainda”, diz. “A chuva tirou praticamente todo o esgoto e jogou no mar”, explicou ainda, destacando que, por isso, a água do rio está mais limpa que o normal.

A 30ª Descida do Rio Jucu acontece no dia 25 de março. Ônibus, caminhões, e  participantes vão se encontrar na Barra do Jucu e se deslocar até Jucuruaba, em Viana, onde vão realizar a descida em barcos, por 24 km, voltando até a Barra do Jucu. O evento vai contar com a presença da Capitania dos Portos e do Corpo de Bombeiros. Todos devem usar colete salva-vidas, e há outras regras a serem seguidas, como não ingerir bebida alcoólica durante a descida.

Eduardo conta que a descida começou em 1988, quando ele e um grupo de colegas do curso de Medicina perceberam que, pela água, é possível tratar as pessoas. “Entendemos a necessidade de preservar a água e começamos a descida do rio para ver de onde vinha a água usada para beber”, afirma.

Ele conta que a descida começou com essa necessidade e entendendo a importância de preservar a água que bebemos. “Em 88, não tínhamos problemas graves de poluição da água, mas começamos a perceber que ia ficar cada vez pior. Em 2008, realizamos o 1º Funeral do Rio Jucu, pois o nível de poluição estava no nível máximo, que é de 160 mil coliformes / 100ml. O tolerável para banho é 1000 coliformes / 100ml, e para beber, nenhum”, explica.

Com a seca que atingiu o Estado nos últimos anos, a Descida do Rio Jucu não pôde ser realizada. “Em 2016 e 2017, não tinha água no rio. Só tinha esgoto. Foi na época do racionamento. Não pudemos fazer a descida, mas em 2016 fizemos o 2º Funeral do Rio Jucu”, conta. “Em 2017, fizemos o abraço do rio Jucu, uma manifestação que contou com a mobilização de 3 mil pessoas”.

O empresário alerta que, mesmo com a importância do rio para a região, ele sofre com descaso. “Existe um certo descaso com o Rio Jucu. Esse rio abastece 1,100 milhão de pessoas. É muito importante para o Espírito Santo. E o governo quer construir uma barragem nele”, afirma.

Segundo o ambientalista, a barragem vai deixar parte do rio com nível de água muito baixo, mas continuará sendo afetado pelo esgoto jogado em seu curso. “O rio é saudável, não precisa da barragem”.

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