
O principal problema, dizem, é o surgimento de um bolsão de pobreza —ou seja, crescimento desordenado, com desempregados sem renda nem qualificação —no entorno do empreendimento, cuja 1ª fase é orçada em R$ 3,5 bilhões.
Para o sociólogo e especialista em Logística e Gestão Portuária José Marques Porto, a construção do terminal irá demandar profissionais com menos qualificação na fase de obra. E logo após a conclusão, eles serão demitidos.
Segundo ele, na operação normalmente há exigência maior por qualificação, o que dificulta para os trabalhadores que atuaram na obra se posicionarem. Assim, há um “boom”de desempregados: “Todo empreendimento deve ser economicamente viável, socialmente justo e equilibrado ambientalmente, senão os impactos favorecem um lado, mas prejudicam os outros”.
Já para o economista Marcelo Loyola Fraga, é preciso planejamento na hora de trazer mão de obra para Presidente Kennedy, que tem cerca de 11 mil moradores —serão necessários 4.700 profissionais nas obras —que começam em 2019 e terminam em 2022 —e 2 mil —menos que a metade —na operação. “É preciso planejar para que os trabalhadores que chegam de outras regiões retornem a seus municípios, ou Presidente Kennedy pode ter sérios problemas relacionados àconcentração populacional desordenada”, explica.
O projeto, que prevê a instalação de um complexo industrial-portuário privado de águas profundas, irá receber navios de outros países, o que pode provocar um desequilíbrio da fauna, segundo o professor de Ecologia da Ufes Luiz Fernando Schettino. Ele citou o risco à água de lastro, que são estoques de água salgada que ajudam a estabilizar o navio e podem vir de outros países.
Para ele, essa água pode trazer microorganismos de outras partes do planeta, causando impacto na vida nativa do litoral sul. “Outra preocupação é o lixo”, disse ele, ao contar que medidas como a criação de uma política de ordem e controle, prevenção e compensação ambiental devem ser tomadas.
Prefeitura está preocupada
Com o Porto Central e as empresas que vão se instalar na região, a Prefeitura de Presidente Kennedy se prepara para ter, até 2025, o dobro da população atual, de 11.742. Uma das preocupações da prefeitura é com os trabalhadores temporários, que vão atuar nas obras e depois ficarão sem emprego.
“Além de trabalhadores chegam familiares, agregados. E temos nos preocupado, tanto que fizemos
planejamento estratégico 2018 a 2025 para definir medidas”, disse o secretário de Desenvolvimento
Econômico Josélio Antônio Altoé.
Segundo ele, a prefeitura vai pedir à empresa que providencie alojamentos para os trabalhadores
temporários e condomínios residenciais para os técnicos. Ele explicou que o município tem capacitado a população e, na saúde, vai construir um pronto-atendimento.
Empresa diz que preocupação é válida, mas que tem soluções

Sobre a água de lastro, disse que também tem um programa ambiental específico de gerenciamento, além de todo um monitoramento da fauna marinha.
Afirmou ainda que diversos estudos e programas ambientais apresentados foram aprovados pelo Ibama para compensar os impactos causados pela implantação, tais como programa de apoio ao desenvolvimento regional, monitoramento socioeconômico, capacitação e qualificação profissional, educação ambiental, comunicação social, proteção à fauna e flora, gerenciamento de resíduos sólidos, emissões, entre vários outros.
Quanto aos impactos na cidade de Presidente Kennedy, afirmou que um foi assinado um memorando e constituída a Comissão Interinstitucional de Acompanhamento para discutir e planejar diversas questões, tais como, melhorias das malhas viárias, desenvolvimento da ferrovia, programa de treinamento e capacitação profissional da mão de obra local, infraestrutura local, entre outros.
A prefeitura informou que pagou faculdade, cursos técnicos e de pós-graduação a 940 moradores em 2017. E disse que, neste ano, o número vai subir para 1.100.