Classificada para a Copa do Mundo na Rússia, a Islândia deixou para trás seleções tradicionais como a tetracampeã mundial Itália e a Holanda, vice em 1974, 1978 e 2010. Mas afinal, o que levou uma equipe de um país com pouco mais de 300 mil habitantes à principal competição de futebol?
Há cerca de 20 anos, a Islândia começou a trabalhar com iniciativa pública no esporte e na cultura, reduzindo o consumo de álcool e outras drogas. Existe patrocínio da base ao profissional, que acabou permitindo a classificação em diferentes modalidades para grandes torneios.
Em 1998, o consumo de álcool na Islândia era de 42%, enquanto em 2016 o índice chegou a 5%.
“O exemplo da Islândia mostra bem como o esporte é uma ferramenta para políticas de saúde, educação, segurança pública, é o que deve inspirar cada estado e município brasileiro”, afirmou o advogado Pedro Trengrouse, especialista em direito desportivo.

Esiveram presentes representantes dos clubes filiados e líderes de outras modalidades, como o tetracampeão mundial de futebol de areia, Bruno Malias.
“Cada clube tem que buscar sua fonte de financiamento. Não precisa passar por federação nenhuma, não precisa ter aval de ninguém. É uma iniciativa própria, cada clube tem que buscar o seu caminho”, completou o advogado.
O objetivo da fala de Pedro é para que os dirigentes capixabas possam enxergar caminhos para buscar incentivos financeiros, seja através de emendas parlamentares, na esfera estadual ou federal, ou também através de projetos por meio do Ministério do Esporte.
“As emendas parlamentares já estão aí disponíveis, tem que se fazer articulação política com os parlamentares para buscar as suas emendas. Tem que correr atrás. Único lugar que o sucesso vem antes do trabalho, é no dicionário”, disse.
O Sudeste é a região brasileira com maior valor captado de projetos, através do Ministério do Esporte: 79%, valor que corresponde a cerca de R$ 187,3 milhões distribuídos. Porém, de 2007 a 2017, o Espírito Santo teve apenas 57 projetos, número baixo pelo que é oferecido.
“O problema não é dinheiro, é gestão, seja no poder público, na iniciativa privada e no esporte como um todo”, acredita Pedro Trengrouse.

“De valores captados nos últimos anos, chegamos a R$ 1,5 milhão em 2017 e vamos finalizar 2018 com valor superior a R$ 1,7 milhão, usados exclusivamente nas nossas competições, beneficiando diretamente nossos filiados. Isso envolve patrocínios, recursos de emendas e recursos de convênio com a esfera federal. Ano passado tivemos um convênio muito grande com a Secretaria Nacional do Futebol, que é um braço do Ministério do Esporte. Temos dois projetos hoje em análise no Ministério do Esporte, projetos incentivados”, revelou Gustavo Vieira.
A FES é a única federação do País com certificação do Ministério do Esporte e que conseguiu emendas parlamentares.
Clube capixaba obteve R$ 1,3 milhão com o Comitê Brasileiro de Clubes
A Associação Esportiva Siderúrgica de Tubarão (Aest) se filiou ao Comitê Brasileiro de Clubes e, através de projetos incentivados, obteve R$ 1,3 milhão. Entre os filiados, o clube capixaba faz parte dos primeiros 30 com maiores recursos obtidos.
De acordo com o gerente de esportes da Aest, Paulo Eduardo Rodrigues, outros três projetos foram aprovados e o valor já deve ser maior em breve.
“Pagamos nove profissionais de Educação Física com esses recursos. Tivemos quase quatro anos para realizar esses projetos, com uma equipe preparada para realizá-los, certidão negativa de débitos (CND) e uma boa gestão”, afirmou durante o workshop realizado pela FES.
A Aest conseguiu comprar equipamentos e sediar competições com essa quantia financeira.
“É uma oportunidade que o clube enxergou em buscar recursos para desenvolver esporte no clube. A gente já trabalha com essa formação esportiva desde 1993 e isso nos proporcionou buscar outras fontes de recursos. E o CBC é uma fonte de recursos. A gente se associou à entidade e passou a trabalhar em busca de qualificar o clube, com as certidões negativas e a atualização estatutária do clube”, completou.

