O tempo das sessões de hemodiálise de pacientes atendidos no Instituto de Doenças Renais (IDR) tem sido reduzido para evitar que as sessões sejam canceladas. O motivo é a paralisação dos caminhoneiros, que realizam bloqueios em diversas rodovias, inclusive no Espírito Santo.
A administradora do IDR em Vitória, Serra e Linhares, Marianne Assbu, afirma que mesmo com a redução, corre o risco de paciente terem suas sessões canceladas caso o material não chegue até o fim desta semana. “Nossos pedidos de materiais são agendados e feitos semanalmente ou quinzenalmente. Esta semana, a única coisa que chegou foi o soro. O restante está na estrada ou nem foi retirado no fornecedor ainda. Se não recebermos o material logo, há sim o risco de termos de parar de fazer hemodiálise”, afirmou.
Nesta quarta-feira (29), uma das pacientes atendidas no IDR na Serra passou mal após uma sessão reduzida.
“Geralmente faço quatro horas e hoje tive que retirar três litros e meio em apenas três horas. Como consequência, sofri uma crise de hipotensão severa. Graças a Deus e ao socorro rápido, não aconteceu coisa pior, como a perda de fístula”, disse a paciente de 40 anos, que é moradora da Serra.
“Sou a favor dos direitos e da greve dos caminhoneiros, mas acho que material hospitalar não pode faltar em hipótese alguma. Porque a minha vida e a de outros pacientes dependem da hemodiálise. Aqui na clínica, eles reduziram o horário para economizar o material e tentar evitar a suspensão do tratamento, o que seria uma tragédia”, destacou.
Segundo o médico nefrologista Lauro Monteiro Vasconcellos Filho, quando as sessões são encurtadas o paciente pode passar mal pois a pressão sanguínea cai.
“Tenta-se retirar, na sessão mais curta, a mesma quantidade de líquido que seria retirada do paciente na sessão habitual. O organismo não está acostumado, então, isso pode trazer intercorrências durante o procedimento”.
Já as consequências de cancelar sessões de hemodiálise são mais graves. “Isso provoca um acúmulo de substâncias e de líquido no organismo que pode levar a insuficiência cardíaca, acúmulo de líquido nos pulmões e crise hipertensiva, podendo levar a um derrame cerebral e até a morte”, afirma o médico.
Para a tarde desta quarta-feira (30) está prevista uma operação com o objetivo de criar uma alternativa para o tráfego de caminhões nas rodovias do Estado.