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Time de futebol não dá bola para o preconceito

Quem nunca ouviu que “futebol é coisa para macho”? Essa afirmação (infelizmente) ainda é lugar-comum por aí e, para quebrar a barreira do ...

Descontraídos, jogadores do Capixabas FC encontraram uma forma de praticar esporte com inclusão social.

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Descontraídos, jogadores do Capixabas FC encontraram uma forma de praticar esporte com inclusão social. (Foto: Leone Iglesias)

Quem nunca ouviu que “futebol é coisa para macho”? Essa afirmação (infelizmente) ainda é lugar-comum por aí e, para quebrar a barreira do preconceito, um grupo de jovens decidiu criar o Capixabas Futebol Clube, o primeiro time voltado para o público LGBTQ+ no Estado.

A busca pela representatividade e pela inclusão foi o principal motivo para o surgimento do clube, já que os principais times brasileiros jamais contaram com um jogador homossexual declarado.

Os meninos querem promover a inclusão e combater a homofobia no esporte, além de mostrar que a orientação sexual não é obstáculo para nada na vida. Co-fundador do time de futebol soçaite, o arquiteto Thiago Pinheiro, de 30 anos, contou que a ideia de reunir uma turma para bater bola surgiu pelos movimentos nacionais de inclusão das minorias.

“Eu era uma daquelas crianças que sofriam bullying na escola na hora da Educação Física, sabe? Essa dificuldade em comum nos uniu e deu lugar ao conceito de família que estamos criando”, disse.

O professor Robert Simoni, de 29 anos, outro co-fundador do Capixabas FC, sempre gostou de futebol, mas lembrou que sofria muito preconceito. “Muitos meninos aqui tinham medo de sofrer algum tipo de violência e não chegaram a praticar na época da escola”.

Para ele, o time “representa a inclusão de várias pessoas em prol da qualidade de vida, do bem-estar e da diversão, não cabendo nenhum tipo de limitação ou preconceito”.

Com 28 integrantes atualmente, o Capixabas FC foi criado há menos de dois meses e está em processo de formação de equipe.

Os atletas estão aguardando a chegada dos uniformes e, o primeiro amistoso está marcado para o próximo sábado (12), contra o time mineiro “Alcateia Futebol Clube”. É a partir das 9 horas, no Society Arena Loc, em Bento Ferreira, Vitória. A entrada é um quilo de alimento não-perecível, que será doado para uma instituição de caridade.

Liga nacional já tem 12 equipes

O primeiro campeonato brasileiro de futebol voltado ao público LGBTQ+, denominado Champions Ligay (numa alusão a Champions League – torneio disputado pelos principais clubes europeus), foi realizado há apenas seis meses no Rio de Janeiro com a participação de oito times.

A segunda edição do campeonato aconteceu em abril, em Porto Alegre, e desta vez com 12 times.

As equipes são compostas exclusivamente por jogadores homossexuais, que disputam a taça e também defendem a bandeira do respeito à diversidade.

BeesCats Soccer Boys e Alligaytors (Rio de Janeiro), Futeboys e Unicorns (São Paulo), Bharbixas (Belo Horizonte), Bravus (Brasília), Magia (Porto Alegre) e Sereyos (Florianópolis) foram os times que participaram do 1º Champions Ligay. A final ficou entre o BeesCats e o Bharbixas, que foi grande vencedor do campeonato.

A segunda edição contou com mais quatro times: Afronte FC e Bulls Football (São Paulo); PampaCats (Porto Alegre) e Capivara FC (Curitiba). Desta vez, a vitória foi decidida no desempate do shoot-out, algo semelhante à cobrança de pênaltis, e o Bulls levou a taça.

Os jogadores que se destacaram nas duas competições serão convocados para a formação de uma seleção que defenderá o Brasil no World Gay Games em Paris, na França, em agosto.

O pessoal do Capixabas FC está de olho no campeonato nacional. “Estamos animadíssimos, treinando para representar o Estado”, garantiu Thiago Pinheiro.

A reportagem completa foi publicada na edição desse sábado (5) do jornal A Tribuna.

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