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“Seleção Brasileira está preparada para a Copa do Mundo”, afirma Bebeto

Falar em Bebeto e não falar na Copa do Mundo de 1994 é praticamente impossível. Assim como falar em Bebeto e não citar Romário, a quem o Baixinho se ...

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 Bebeto, um dos pilares na conquista do título mundial em 1994, confia no hexa: “Tite deu equilíbrio à equipe e, o principal, resgatou a confiança da Seleção Brasileira” (Foto: Lucas Figueiredo/CBF )

Falar em Bebeto e não falar na Copa do Mundo de 1994 é praticamente impossível. Assim como falar em Bebeto e não citar Romário, a quem o Baixinho se refere como o melhor parceiro de ataque em toda a carreira. A dupla é um dos principais símbolos da conquista do tetracampeonato mundial, que veio em 94 após 24 anos de espera. “A união daquele grupo foi fundamental para aquela conquista. Existia um comprometimento entre todos os convocados que poucas vezes vi em grupos campeões, todos que estavam ali lutavam pelo mesmo objetivo, o de ser campeão mundial”, lembra o ex-atacante.

Bebeto, que também disputou as Copas de 1990 e 1998, é o sétimo entrevistado em uma série especial com campeões mundiais, publicada toda semana em A Tribuna até a estreia da Seleção Brasileira na Copa.
Confiante no hexa após a frustração com a Copa do Brasil em 2014, ele encheu a bola de Tite e garante que a Seleção Brasileira já tem o caminho para ser campeã na Rússia. “A Seleção de agora está muito mais preparada do que a de 2014. O Tite deu tranquilidade e equilíbrio aos atletas, e o Brasil é um dos favoritos ao título da Copa, até pelo futebol que tem jogado”.

A Tribuna — Após a decepção de 2014, com o 7 a 1 para a Alemanha, Tite já conseguiu recuperar a confiança do grupo?

Bebeto — Tite conseguiu implementar um trabalho sólido, deu equilíbrio a equipe e, o principal, resgatou a confiança e a moral dos nossos jogadores. Para uma competição como a Copa do Mundo, que é de tiro curto e muito difícil de ganhar, é fundamental que ele tenha o grupo nas mãos, pois, somente assim, poderá retirar o melhor de cada atleta. Como ele gosta de falar, criou uma coletividade forte no time para que as individualidades possam aparecer.

A dupla Bebeto e Romário é um dos símbolos do tetra. Desde então, não tivemos uma parceria tão marcante. Acha que Neymar e Gabriel Jesus podem formar uma nova dupla inesquecível?

Como brasileiro, torço muito para que isso ocorra e eles possam trazer o tão sonhado hexa para o Brasil. São dois baitas jogadores, que brigam o tempo todo e sempre procuram o gol. Tenho fé que eles possam brilhar juntos, mas como sempre digo, para ganhar uma Copa não basta que os dois joguem bem, é preciso que o time todo esteja compacto, dessa maneira facilita o trabalho dos dois.

Em 94, o Brasil levou apenas três gols em cinco partidas. Essa é uma das receitas para chegar ao título?

Com certeza, tínhamos um time bastante equilibrado, era muito difícil fazer gol na gente. E o Parreira falava muito isso nas preleções, dizia que o objetivo era não tomarmos gol, porque sabia que na frente Romário e eu iríamos decidir. Isso ajudou para que a gente na frente tivesse tranquilidade e pudesse marcar os gols.

E o  jejum  pesou na hora de disputar a Copa do Mundo? E enfrentar adversários sem tradição, como os Estados Unidos (que era dono da casa), era um problema a mais para a Seleção?

O Brasil quando entra numa Copa, já entra pressionado, afinal dificilmente entramos em uma competição sem ser favoritos. Em 1994 não poderia ser diferente, era uma pressão já esperada, natural, mas estávamos preparados, treinamos muitos e sabíamos exatamente o que precisávamos fazer para sermos campeões.

O perigo de enfrentar seleções sem tradição é que elas acabam optando por uma posição muito defensiva, praticamente com os 11 jogadores atrás da defesa e aí complica um pouco trabalho! Ficam esperando uma oportunidade de fazer história com a Seleção Brasileira, mas com a gente não ia ocorrer.

O nosso jogo mais difícil e o que me deu a certeza que ganharíamos a Copa foi contra os EUA. Enfrentar um povo patriota como os americanos, na casa deles e em pleno dia da independência não seria fácil, ainda mais com um a menos, em qualquer situação seria difícil enfrentar o anfitrião do torneio, mas no dia da independência deles ganha contornos ainda mais perigosos, a torcida inteira apoiando, mas foi uma experiência bacana e felizmente conseguimos sair com o resultado. Nesse jogo tive a certeza que ninguém tiraria o tetra da gente.

Em 1994, a Seleção era experiente em Copas do Mundo. Dos 22 jogadores tetracampeões, 10 fizeram parte do elenco do Mundial anterior, em 1990, entre eles, os líderes do time, você, Romário, Dunga e Taffarel. No grupo de Tite, temos jogadores experientes como Daniel Alves, Thiago Silva, Marcelo, Willian e Neymar, entre outros. No que a experiência pode pesar a favor para ser campeão?

Não tenha dúvida que a experiência em copas é fundamental! A Copa do Mundo é uma competição única, não adianta que você não vai achar nenhuma competição próxima a experiência de jogar uma Copa do Mundo! Pesa tanto no currículo de um atleta, é o prêmio máximo, o ápice da carreira de um jogador de futebol! Ter jogadores com experiência prévia em um Mundial ajuda muito, pois os atletas podem tranquilizar os mais jovens e orientar de forma a melhorar o desempenho de todos ao seu redor. Tenho certeza que esses atletas irão contribuir para jogadores mais novos se destacarem, esse equilíbrio entre veteranos e jovens é muito importante tanto para essa copa como para as próximas.

Você disputou três Copas, sendo que em 1998 o Brasil era favorito. O que deu errado?

Olha vou te dizer, eu acreditava demais que ganharíamos a final de 1998. O time era bom, equilibrado, tínhamos uma base sólida e um baita treinador, o Zagallo. Infelizmente, o que aconteceu com o Ronaldo no dia da final mudou tudo.

Não sabíamos direito o que estava acontecendo e foi um dos momentos mais estranhos dentro da Seleção. Todos em campo estavam preocupados com a saúde do Ronaldo. Teve um choque com o Barthez, por exemplo, que o time inteiro correu pra ver se ele estava bem. Em condições normais, acho que não teríamos perdido, seria difícil tirar o título nosso.

E falando em erros, o que o time de 2014 pecou que Tite pode evitar agora em 2018?

Acho que o Tite sabe muito bem da necessidade de equilibrar o time, de ter uma equipe forte tanto defensivamente quanto ofensivamente, além de procurar opções de jogo para a Seleção. Os testes que ele tem feito nos amistosos certamente ajudarão taticamente a Seleção para ter variações ao longo dos jogos e, assim, enfrentar outras equipes de igual para igual.

Gol embala-neném

Era Brasil x Holanda pelas quartas de final da Copa de 1994 e ao marcar o segundo gol da Seleção na vitória por 3 a 2, Bebeto comemorou, ao lado de Romário e Mazinho embalando um neném, homenagem ao seu terceiro filho, Mattheus, que nascera dois dias antes. “Acho que o gesto vai durar por toda a eternidade. Foi espontâneo. Uma homenagem ao nascimento do Mattheus, não sabia que teria esse impacto”.

Gol “eu te amo”

Bebeto foi o autor do gol que classificou o Brasil diante dos Estados Unidos pelas oitavas. Ele conta que profetizou o lance ao tentar consolar Leonardo, expulso após cotovelada em Tab Ramos. “Entrei no vestiário, Leonardo sentado, chorando muito, e eu disse: ‘Meu irmão, fica tranquilo que a gente vai ganhar esse jogo e vou fazer o gol da vitória’. Em um passe de Romário, Bebeto chutou cruzado para acertar no cantinho. “Fiz o gol e fui comemorar com Romário, ainda falei assim: ‘Eu te amo’, pois muita gente falava que a gente não se dava bem e falei para acabar de vez com aquilo”.

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