Ser mãe é um desejo comum à maioria das mulheres. Mas uma doença silenciosa e que pode causar a tão temida infertilidade pode atrasar esse sonho: a endometriose, que hoje está presente em 25% das mulheres inférteis em todo o mundo.
Como as causas ainda não foram muito bem estabelecidas, exames de rotina são grandes aliados no diagnóstico precoce da doença.

“Qualquer mulher pode ter endometriose, independente de já ter tido filhos ou não. Por ser uma doença de origem genética e ocasionada pela menstruação, quanto maior a exposição ao sangramento menstrual, maior a chance de a doença evoluir e causar sintomas, tais como dor pélvica crônica, cólica menstrual, dor na relação e infertilidade”, explicou a médica.

O processo inflamatório crônico da doença pode influenciar o processo de ovulação, fertilização e implantação do embrião. Quem tem endometriose possui diversos mediadores inflamatórios que tornam a cavidade abdominal hostil à fecundação, reduzindo as taxas de gravidez e aumentando a taxa de abortamento, devido à redução da qualidade do óvulo.
Por ser uma doença crônica e evolutiva, a médica alertou que, em estágios iniciais, não causa grande impacto sobre a fertilidade e a paciente pode alcançar gravidez espontânea após cauterização dos focos da doença.

“O tratamento depende do objetivo da paciente: se ela não tem desejo reprodutivo, deve usar anticoncepcional contínuo para a doença não progredir; e se pretende ser mãe, deve tentar engravidar o quanto antes”, recomendou Layza Merizio, que também respondeu às perguntas dos leitores de A Tribuna.
A ENDOMETRIOSE É UMA DOENÇA COMUM?
ANA MARIA DE SOUZA, 45, DOMÉSTICA
Sim, incide em 15% a 25% da população geral.
QUAIS SÃO OS SINTOMAS DA ENDOMETRIOSE?
CARLA MARTINELLI, 36, DESEMPREGADA
Dor pélvica crônica, cólica menstrual, dor na relação sexual e dificuldade para engravidar. Entretanto, há pacientes que não apresentam sintomas e o nível dos sintomas apresentados não se relaciona ao grau da doença.
QUEM TEM ENDOMETRIOSE SENTE MUITA DOR?
AMANDA DE CASTRO, 22, UNIVERSITÁRIA
Há casos onde a paciente sente muita dor e a doença compromete a qualidade de vida dela. Nesses casos, a cirurgia pode ser indicada, já que é a única forma de retirar os focos da doença.
QUAIS SÃO AS CAUSAS?
MARCELA FERREIRA, 18, ESTUDANTE
A causa ainda é desconhecida. Admite-se que haja um fator genético que predisponha à implantação e proliferação das glândulas endometriais que refluem junto ao sangue menstrual para a cavidade pélvica, através das tubas uterinas, no período menstrual, dando origem à doença.
A MULHER QUE TEM ENDOMETRIOSE É INFÉRTIL?
MARIA LUCIA RIBEIRO DIAS, 41, SECRETÁRIA
Nem sempre, mas entre as pacientes com diagnóstico de infertilidade, 25% têm endometriose.
SE O DIAGNÓSTICO É CIRÚRGICO, É POSSÍVEL PRESERVAR A FERTILIDADE?
CARLA MOURA, 26, ADMINISTRADORA
Sim. Muitas vezes optamos por preservar a fertilidade feminina antes da cirurgia através do congelamento de óvulos ou embriões, pois pode haver queda da reserva ovariana no pós-operatório.
A ENDOMETRIOSE PODE CAUSAR OUTRAS DOENÇAS?
MARIANE SILVA, 29, ESTUDANTE
Não. Embora ela invada os órgãos pélvicos, ela não é maligna e nem ocasiona outra doença.
TEM CURA?
ANA PAULA MENDONÇA, 31, BIÓLOGA
A endometriose não tem cura, mas tem controle através de cirurgia para remoção dos focos da doença, seguida de suspensão dos ciclos menstruais, através do uso de anticoncepcional contínuo.
