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Charles Gavin em show com hits dos Beatles

Não há um lugar na casa do ex-Titã Charles Gavin, 57, onde não tenha discos. Existem LPs e compactos em todos os cantos. Somando, são mais de 15 mil, ...

Charles Gavin

Última atualização

Charles Gavin (Foto: Divulgação)Não há um lugar na casa do ex-Titã Charles Gavin, 57, onde não tenha discos. Existem LPs e compactos em todos os cantos. Somando, são mais de 15 mil, adquiridos desde quando o baterista tinha 13 anos. “A música na minha vida vem do tempo do colégio.

Eu e meus amigos emprestávamos discos um para o outro e foi assim que conheci os Beatles. Também aprendi a tocar vendo os outros. Para mim, as coisas só fazem sentido quando a gente obedece a essa lei. Quem tem conhecimento que passe a quem quer ter”, diz ao AT2.

Por falar no quarteto de Liverpool, é dele um dos discos raríssimos dessa incontável coleção: “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” em LP mono, presente comprado em Nova Iorque por Tony Bellotto, vocalista do Titãs, banda da qual Gavin fez parte de 1985 a 2010.

Na quinta-feira, o paulista, que cuidou do relançamento de álbuns fora de catálogo e é apresentador de “O Som do Vinil”, do Canal Brasil, canta hits dos Beatles no Teatro da Ufes, dentro do Projeto Sócio de Carteirinha.

AT2: Como foi receber esse convite para tocar Beatles?
Charles Gavin É a minha primeira vez no projeto e meu primeiro show inteiro com esse repertório. Mas é claro que já toquei outras coisas dos Beatles. Na verdade, não conheço um músico de pop rock que não tenha tocado sequer uma música deles.

No show, parte do repertório vai remeter à primeira fase dos Beatles, na qual eles faziam mais canções inspiradas em seus ídolos, como Elvis Presley, Everly Brothers e Buddy Holly. Eles começaram a compor baseado nas estruturas que esses artistas propuseram. Ouvia as canções quando era pequeno e será muito interessante revisitá-las 50 anos depois.

A segunda parte do repertório é de um momento no qual eles estão mais focados, numa fase mais madura e intelectual, quando as letras são tão importantes quanto o resto. Essa fase foi a que eu fui descobrindo ao longo da minha vida. É um repertório que você precisa ter maturidade para entender.

AT2: Qual sua relação com a música dos Beatles?
Grande parte das pessoas da minha época, sou de 1960, chegou aos Beatles através da Jovem Guarda. Eu era muito jovem e minha mãe não ouvia Beatles em casa. Ela escutava Roberto Carlos. Ouvi Beatles por conta de outros caras que ouviam. Mas só fui entender a fase dos Beatles mais intelectual muitos anos mais tarde.

AT2: Vai apenas tocar ou pretende soltar a voz?
Estão me pedindo, me incentivando… Edu Henning está me pilhando para cantar, pelo menos, uma música. Disse a ele que podemos tentar no ensaio. Vou tentar, mas não é uma obrigação. Se rolar, vai rolar porque conseguimos fazer isso acontecer.

Mas eu disse: “Meu, eu não canto, sou baterista”. Mas vamos ver o que acontece. O legal disso tudo é que o Ringo Starr, baterista dos Beatles, tocava e cantava. Mas eu não sou o Ringo. Ele cantava pra caramba! Fui assistir ao show dele aqui no Rio recentemente e ele é um baita de um showman!

Algo bem legal desse show é que terá duas baterias. É muito raro um show de rock com dois bateristas. O resultado é sempre muito bom. O som fica mais pesado.

AT2: Pode revelar algumas canções do repertório?
“Back In The U.S.S.R.”, “Something”, uma das baladas mais bonitas que fizeram até hoje, e “A Hard Day’s Night”.

AT2: Quando começou a colecionar discos?
Desde os 13 anos, compro discos e comecei a me interessar por música. Ela foi tomando conta da minha vida e se tornando algo essencial até chegar ao ponto que tem horas que não sei mais quem é o cara que pesquisa música e toca e o cidadão comum, pai de duas filhas. Eles estão muito juntos agora.

Comecei a comprar disco e fui me tornando pesquisador. O fato de ser do Titãs me abriu portas. Pude sentar com as gravadoras e falar de projetos de recuperação de discos importantes. Comecei a fazer isso no final dos anos 1990.

Minha necessidade era compartilhar uma música que estava naquele momento esquecida no acervo das gravadoras. E foi assim toda a minha vida. Tudo que conquistei na música partiu desse princípio de compartilhar.

A última vez que contei os LPs, tinham uns 5 mil. Mas segui comprando CDs, passei de 10 mil há muito tempo. Já não conto. Tenho discos pela casa toda e muitos são raros. Minha mulher fica pra morrer. A casa fica parecendo um museu.

AT2: Ainda tem rodado com a banda Primavera nos Dentes, em que toca Secos e Molhados?
Demos uma pausa porque alguns integrantes tinham compromissos para cumprir. A banda é um projeto paralelo.

AT2: Teve cuidado ao regravar canções do Secos e Molhados. Teve a mesma preocupação para essa apresentação de quinta?
Acho que muita gente que vai a shows em homenagem a um artista quer ouvir algo próximo daquilo que conhece. As estruturas das canções devem ser respeitadas. O que acaba mudando um pouco é o jeito como você toca um clássico dos Beatles.

Estou ouvindo atentamente cada canção escolhida para me certificar de que vou tocar algo próximo do que Ringo fazia. Ele era um baterista diferente do que a gente entende como baterista britânico. Era influenciado pela música negra dos EUA, pelo soul. Para mim, continua sendo um aprendizado ouvir o Ringo e aprender a bateria que ele fazia nos clássicos dos Beatles, a maior banda de todas.

Estou muito animado com o convite e, certamente, fazer isso não é algo fácil. Você tirar os arranjos dos Beatles como eles eram originalmente é extremamente difícil. Complexo.

AT2: Você também apresenta o programa “O Som do Vinil”, do Canal Brasil. Como é isso?
Já são 11 temporadas. Comecei esse programa com minha experiência de músico, mas não era um apresentador, tive que aprender fazendo. E é assim que estou aqui até hoje e, se depender de mim, continuarei fazendo.

A música brasileira oferece muitas possibilidades. É rica, diversificada, e o vinil se tornou um formato que todo mundo quer lançar. Isso possibilita entrevistar pessoas que também estão lançando novos trabalhos. Então deixamos de falar só de discos que foram lançados no passado. Hoje, procuramos misturar discos relevantes com artistas relevantes. Na primeira quinzena de julho, estreia a 12ª temporada. Em cada episódio, entrevisto um convidado que fala sobre um disco dele e também sobre a carreira dele.

AT2: O que o público pode esperar da nova temporada?
Temos alguns entrevistados muito interessantes. Alguns estão retornando, como o Lenine, que acabou de lançar o disco “Em Trânsito”, em vários formatos. Outro que voltou foi o Ney Matogrosso, que vai falar do disco “Seu Tipo” (1979).

O episódio que abre a temporada é muito especial. Pela primeira vez, entrevisto um jogador de futebol. O programa em questão foi com o Júnior, que hoje é comentarista esportivo. Ele lançou “Povo Feliz”, uma música que é tocada até hoje, e gravou também um compacto homônimo, raríssimo, que pouca gente conhece. Na conversa, falamos ainda de futebol, sua carreira como jogador e o que o levou a gravar um disco. Também entrevistei as bandas Sepultura e Os Paralamas do Sucesso. Olha que diversificado!
 

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