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“Ele era tudo para mim”, diz mãe de menino morto em incêndio

Um dia após perder o filho Yuri dos Santos Gonçalves, de 4 anos, morto durante um incêndio dentro do apartamento em que moravam, a dona de casa ...

Pâmela Soares Gonçalves falou pela primeira vez sobre o que aconteceu.

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Pâmela Soares Gonçalves falou pela primeira vez sobre o que aconteceu. (Foto: Fábio Nunes/AT)Um dia após perder o filho Yuri dos Santos Gonçalves, de 4 anos, morto durante um incêndio dentro do apartamento em que moravam, a dona de casa Pâmela Soares Gonçalves, 32 anos, falou pela primeira vez sobre a tragédia e contou sua versão do que aconteceu. A residência em que a família vivia, no Bairro República, Vitória, pegou fogo por volta das 11 horas, na terça-feira.

Pâmela esteve na Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), na tarde de ontem, para fazer a liberação do corpo do filho junto com o marido Cláudio Francisco Gonçalves, 26 anos, e disse que viu seu filho mais novo, de 2 anos, com um isqueiro nas mãos e que tudo aconteceu em segundos.

A Tribuna – Como tudo aconteceu?

Pâmela – Eu estava esquentando a comida. Daí, de repente, eu senti um cheiro forte de fogo. Quando eu corri para o quarto, o colchão onde brincavam o Yuri e meu filho, de 2 anos, estava pegando fogo. Nessa hora, vi o quarto em chamas e meu filho mais novo com um isqueiro na mão.

E o que você fez?

Eu corri, tentei pegar água e joguei em cima do colchão, mas o fogo se alastrou.

E onde estava o Yuri?

Ele se trancou no banheiro. Ele sempre fazia isso. Se trancava no banheiro. Acredito que, nesse caso, ele foi para se proteger.

E o que você fez?

Aí o fogo se alastrou até a porta do quarto e eu saí gritando para os vizinhos socorrerem o meu filho.

E onde estava o seu marido, nesse momento?

Ele estava trabalhando lá no térreo do edifício (Colombo), mexendo nos entulhos. Ele ouviu os gritos e saiu correndo. Depois subiu as escadas e tentou entrar, mas não conseguiu, pois o fogo estava muito alto.

Onde estava esse isqueiro, antes das crianças o pegarem?

Eu deixei o isqueiro em cima da pia do banheiro. Eu estava na cozinha e foi tudo muito de repente. Os meninos são muito levadinhos. Foi questão de segundos.

Quando eu entrei no quarto, o colchão estava pegando fogo. E tinha muita roupa, muita coberta. Tentei jogar água, mas o fogo acelerou e eu já saí correndo.

É verdade que os moradores tentaram apagar o fogo?

Eu gritei tanto por socorro que os moradores foram lá. Levaram baldes com água, mas não conseguiram entrar.

Consegue se lembrar qual frase você disse ao pedir por socorro?

Na hora que eu saí correndo pelo corredor. Eu chamei meu vizinho que mora no mesmo andar que o meu e depois um outro que mora no andar abaixo. Eu dizia: “corre aqui, socorre meu filho”.

Você continuou no andar do incêndio?

Não. Eu fiquei gritando muito, daí um morador me pegou, junto com meu filho menor, e desceu conosco até o térreo. Eu queria subir, mas não deixaram.

E onde estava o seu marido?

Ele já tentava apagar o fogo, mas como não conseguiu, deu a volta por trás do apartamento e tentou entrar no banheiro colocando a mão na báscula, mas acabou se machucando. Moradores tiraram ele à força de lá.

Quem chamou o Corpo de Bombeiros?

Os moradores do prédio.

Em que momento você soube que tinha perdido o seu filho?

Na hora que eu estava lá em baixo perguntando, cadê o meu filho? Cadê o meu filho? Aí os bombeiros desceram e me disseram que não teve jeito, que ele foi a óbito.

Por que você e seu marido foram hospitalizados?

Eu inalei muita fumaça e ele sofreu pequenas queimaduras no braço direito. Ficamos em observação e ontem, às 10 horas, fomos liberados.

E o seu outro filho, sofreu queimaduras?

Não. Ele também inalou muita fumaça e precisou ser hospitalado, mas também recebeu alta ontem.

Como ele está? Entende o que aconteceu?

Ele viu tudo. O tempo todo que eu gritava, ele estava do lado. Ele não está rindo e fica muito quietinho. Ainda não pergunta pelo irmão.

Você voltou ao local do incêndio depois de tudo?

Não. Nem eu e nem minha família. Ficamos em observação no hospital 24 horas e depois fomos direto para casa de parentes.

Qual a última imagem que você tem do seu filho?

Lembro dele brincando, sorrindo. A pior dor que uma mãe por ter é perder um filho. A ficha não caiu. Ele era uma criança muito carinhosa, esperta. Ele era tudo para mim. Ele sempre me dizia: “Mãe, você tá linda!”
 

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