
A defesa de Prado informou que recorrerá ao Tribunal de Justiça. Uma das alegações é que a reconstituição do crime não foi feita de maneira integral. Segundo a acusação, Kelly tinha dado carona para Prado -combinada por meio do aplicativo Whatsapp- desde São José do Rio Preto (SP), distante 112 quilômetros da cidade mineira, em 1º de novembro. O destino seria Itapagipe (MG), 50 quilômetros após Frutal.
No local do crime, a rodovia MG-255, conforme a denúncia e o entendimento do magistrado, Prado assassinou a jovem para ficar com o veículo da vítima e ainda a “constrangeu sexualmente”. O laudo da reconstituição do latrocínio aponta que, após viajarem até a cidade mineira, Prado pediu que Kelly estacionasse o carro.
Em seguida, ela foi agredida e enforcada, de acordo com o Ministério Público Estadual. Num matagal próximo ao local, ainda com vida, ela foi estuprada, conforme a denúncia. O corpo de Kelly foi ocultado no dia seguinte, na zona rural de São José do Rio Preto, numa estrada rural sem calças, às margens de um rio.
Moreira, conforme o tribunal, entendeu que a participação de Prado na reconstituição do crime, seguida da confissão, não deixa dúvidas sobre a autoria dos crimes denunciados no inquérito policial. Além do principal acusado, outras duas pessoas foram condenadas por comprarem objetos da vítima, como telefone celular e rodas do carro. As penas variam de dois anos e oito meses de detenção a três anos e quatro meses de reclusão.
Kelly, que visitaria o namorado, engenheiro, em Itapagipe, juntava recursos para se casar. Por isso, buscava economizar dando carona paga nas viagens.
RECURSO
Advogado de Prado, Marcio Roberto Ferrari disse à Folha que vai recorrer da decisão para pedir a absolvição de seu cliente. Segundo ele, o condenado não assume mais a autoria do crime. “Quando assumiu, foi sob tortura. Em depoimentos, nenhuma vez ele assumiu a autoria”, disse.
O defensor afirmou ainda que um dos argumentos que usará é o de que a reconstituição da morte de Kelly deveria ter sido integral, não apenas parcial. “Deveria ter começado em Rio Preto e terminado onde ocorreu a morte, mas ela foi feita só no local do homicídio. Não pode ser parcial, mas integral, teria de refazer todo o caminho.”