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Que coisa esquisita é essa?

Você já percebeu uma coisa? As pessoas estão evitando o amor de todas as formas. Ninguém quer se envolver profundamente com outra pessoa, todos ...

Jane Mary Abreu

Última atualização

Jane Mary Abreu (Foto: Divulgação )Você já percebeu uma coisa? As pessoas estão evitando o amor de todas as formas. Ninguém quer se envolver profundamente com outra pessoa, todos parecem se contentar com a superficialidade dos relacionamentos digitais, que são aparentemente mais simples e funcionais – quando não se quer mais conversa, basta apertar um botão e “desligar” o parceiro.

O fenômeno é preocupante porque está diretamente ligado à escalada da violência que cresce sem parar. Se as pessoas não se conhecem, não conseguem se amar… se não se amam, não se toleram… se não se toleram, se odeiam e se matam. A gente vê isso todo dia nos noticiários da imprensa. Basta dizer um NÃO para uma pessoa e lá se vai mais uma vida para o espaço.

A verdade é que o mundo que se gaba de ser tecnológico e ultramoderno é completamente ignorante em relação à espiritualidade. Pergunte a um jovem o que se passa neste momento no mundo e ele vai te fornecer um noticiário completo. Pergunte a esse mesmo jovem: quem é você? O que você veio fazer neste planeta? Para onde você está indo? O que te faz feliz? Certamente ele ficará mudo ou terá muita dificuldade para encontrar as respostas.

Que coisa mais esquisita, né? Todos sabem tudo da vida de todos, mas ninguém sabe nada a respeito de si mesmo, e ainda chamam isso de moderno. Claro que avançamos muito na ciência e na tecnologia, ninguém questiona a importância disso, até gente já se faz em laboratório, mas, por outro lado, é flagrante que ainda somos jurássicos na questão da espiritualidade.

Outro dia uma amiga retornou da Índia assustada com a pobreza material que ela viu por lá. E a nossa pobreza espiritual, por que não causa espanto entre nós? Deveria. Eu penso que não existe miséria maior do que a espiritual, quando as pessoas não têm amor no coração, não se preocupam umas com as outras e estão sempre insatisfeitas. Sem dúvida nenhuma, a pior de todas as misérias é não ser capaz de amar e não se sentir amado.

Por aqui, transformaram o amor numa troca mesquinha: se não sou amada, não amo; se não recebo, não dou amor. O incrível desse drama humano é que temos amor em abundância dentro de nós. Agimos como mendigos, suplicando atenção e amor dos outros, sendo donos de um imenso tesouro completamente disponível e sem limite de gasto.

Aos amantes em demasiado da tecnologia, eu deixo aqui três pedidos:

Primeiro: pergunte hoje ao seu coração o que o deixa feliz. Seja lá o que for que ele revelar, faça. O coração sabe tudo a respeito da sua felicidade.

Segundo: abrace sem pressa os seus afetos enquanto eles ainda estão por aqui. Nenhum de nós assinou contrato de estabilidade de vida com o Universo, pode ser que amanhã o seu abraço seja engolido pela saudade. E atenção ao alerta da música: “a vida é trem bala, parceiro, e a gente só é passageiro prestes a partir.”

Terceiro: olhe as pessoas nos olhos, construa relacionamentos consistentes. Desta vida a gente só leva o amor que damos e recebemos das pessoas. Deus mora dentro de todos os seres humanos. Então, reverencie cada pessoa que chegar a você, porque é Deus se apresentando em suas variadas manifestações.

Convenhamos, trocar uma boa conversa com Deus pelas banalidades da internet é uma tremenda insensatez.

Jane Mary Abreu é jornalista, consultora de marketing, autora do livro Tudo é perfeito do jeito que é

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