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Terceira idade: desafios e cuidados

Com o avanço da idade, é comum surgirem alterações no estilo de vida. Em razão desse processo, vem o comprometimento de funções e atividades que ...

Luiz Gustavo Genelhu

Última atualização

Luiz Gustavo Genelhu (Foto: Divulgação)Com o avanço da idade, é comum surgirem alterações no estilo de vida. Em razão desse processo, vem o comprometimento de funções e atividades que antes pareciam ser de simples execução.

A partir dessas mudanças, vem a necessidade de alguém para auxiliar os idosos a desempenharem suas atividades diárias com segurança e naturalidade. Um estudo divulgado pelo Ministério da Saúde mostra que 30% dos idosos apresentam dificuldades na hora de realizar atividades corriqueiras e 17% têm problemas para se deslocar.

Essas limitações geram muitas consequências, sendo a principal delas as quedas, um problema que pode levar à morte e, em grande parte das vezes, a limitações funcionais irreversíveis, com impacto na vida pessoal do idoso e de sua família.

Um relatório Global da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre prevenção de quedas para a pessoa idosa relata que a frequência desses acidentes em pessoas acima de 65 anos é de aproximadamente 28% a 35%, aumentando uma proporção para 32% a 42% para a faixa etária com mais de 70 anos.

Dentre as fraturas mais comuns ocasionadas por quedas está a do fêmur, a mais limitante. As lesões neurológicas vêm em seguida, também com graves consequências.
As próprias alterações músculo-esqueléticas e cardiovasculares que acompanham o envelhecimento, independente de qualquer doença, já trazem risco de quedas. Daí a importância de uma boa alimentação e da atividade física regular como principal forma de prevenção desses acidentes.

No dia 1º de outubro, comemora-se o Dia do Idoso, data que também reforça a importância dos cuidados com a pessoa idosa. Cuidadores e responsáveis precisam ficar atentos ao ambiente em que o idoso está vivendo, pois a casa está repleta de “armadilhas” que passam des percebidas.

Tapetes, pisos escorregadios, cadeiras, mesas e sanitários muito baixos e ressaltos, principalmente no banheiro, são alguns itens que representam perigo. O uso de sapatos inapropriados, quarto pouco iluminado, associado à incontinência urinária, com idas ao banheiro de noite, também aumentam esse risco.

Outro ponto que merece atenção é a polimedicação, ou seja, a grande quantidade de remédios que o idoso, muitas vezes, precisa tomar. Estatísticas mostram que, quanto maior o número de medicamentos usados, maior é o risco de queda, especialmente os psicotrópicos, que atuam sobre o sistema nervoso central, afetando os processos mentais e alterando a percepção.

É fundamental promover a visita periódica ao geriatra para revisão da lista de medicação. O especialista irá avaliar o que pode ser retirado, o que realmente é necessário tomar e quais as eventuais reações aos medicamentos.

Dependendo da situação, a companhia noturna pode ser necessária, ou até mesmo um cuidador, uma vez que muitas famílias não podem dedicar todo o seu tempo aos cuidados com os seus idosos.

Apesar de ter que assistir o idoso com cuidados básicos, como refeição, remédios, banho e descanso, o cuidador precisa prestar atenção a aspectos que vão além do bem-estar físico.

É importante valorizar a convivência, a empatia e o carinho. E, respeitando a limitação de cada um, é fundamental estimular a autonomia, para que o idoso sinta-se capaz de reconquistar seus espaços e realizar as atividades do dia a dia.

Luiz Gustavo Genelhu é médico geriatra

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