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Professor é levado para delegacia após discussão sobre política em escola

Um professor de Português foi conduzido para a delegacia após uma colega de trabalho acionar a polícia com a alegação de que tinha sido agredida ...

escola Estadual Florentino Avidos, no Ibes, Vila Velha, onde ocorreu a discussão durante planejamento de aula

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Escola Estadual Florentino Avidos, no Ibes, Vila Velha, onde ocorreu a discussão durante planejamento de aula (Foto: Leonardo Bicalho - 17/08/2017)

Um professor de Português foi conduzido para a delegacia após uma colega de trabalho acionar a polícia com a alegação de que tinha sido agredida verbalmente por motivação política. O docente, que preferiu não se identificar, dá aulas há cinco anos como efetivo na Escola Estadual Florentino Avidos, no Ibes, em Vila Velha.

Ele contou que, durante horário de planejamento, conversava com três colegas a respeito de um vídeo compartilhado por alunos no WhatsApp, onde o presidente eleito Jair Bolsonaro pede para que alunos gravem aulas.

“Falávamos o quanto era absurdo um presidente que diz incentivar a educação pedir isso, e que nós, professores, sofreríamos censura”, explicou.

Neste momento, segundo o professor, a colega de trabalho se alterou e bateu com a mão na mesa, pedindo que a conversa sobre política acabasse. “Ela não participava da conversa e eu me assustei com a reação. Eu estava apenas expressando minha opinião de que achava o presidente eleito um fascista, logo seus eleitores também eram”, contou.

Neste momento, de acordo com ele, a professora afirmou que havia votado em Bolsonaro e se sentia atacada pelo colega. “Eu nem sabia que ela tinha votado no Bolsonaro”, explicou o professor. Foi então, ainda de acordo com ele, que a professora acionou a polícia.

“Em 20 minutos, seis policiais chegaram pedindo para eu sair da escola para conversar. Eu disse que conversaria dentro da escola. Uma PM disse que perdeu a paciência, pediu reforço e fui levado para a delegacia com a sirene ligada, como se fosse um criminoso”, contou.

Na delegacia, a professora registrou um boletim de ocorrência (BO) contra o colega com a alegação de injúria. “Fiquei junto com detidos, me senti humilhado”, disse o professor.

Após quatro horas no DPJ de Jaburuna, Vila Velha, o professor assinou um Termo Circunstanciado (TC) por injúria e foi liberado.

A reportagem do Jornal A Tribuna entrou em contato com a escola estadual para falar com a professora, mas ela não estava.

Procurada, a Secretaria de Estado de Educação (Sedu) não respondeu aos questionamentos da reportagem e não informou se iria se posicionar sobre o caso.

OAB indica advogado para o professor

O presidente da OAB-ES, Homero Mafra, indicou a advogada do caso (Foto: Antônio Moreira / AT - 16/08/2018)A presidente da Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas (Abracim), Sharlene Amaro Azarias, advogada do professor acusado de injúria, disse que vai buscar na Justiça inverter a situação do acusado.

A advogada foi indicada pelo presidente da Ordem dos Advogados – Seção Espírito Santo (OAB-ES), Homero Mafra, para acompanhar o caso, e disse que o professor assinou um termo circunstanciado por uma suposta injúria que não teria ficado comprovada.

“Conseguimos verificar um excesso em relação à condução dele para a delegacia como se ele tivesse cometido um delito que não existiu”, alegou a advogada. Ela acrescentou que vai oferecer uma queixa-crime e, depois, pretende ajuizar a ação civil para reparação dos danos ao professor.

Em nota, a Polícia Militar informou que os militares convidaram o professor a contar a sua versão dos fatos. “Porém, o homem estava muito nervoso e alegou que a Polícia Militar não tinha autonomia para tal ação. Dessa forma, o professor foi convidado, de forma cortês, para prosseguir junto com a equipe à Delegacia Regional para prestar depoimento, já que a outra parte envolvida manifestava interesse em representar contra ele”, diz a nota.

Além disso, a PM afirmou na nota que o professor recusou mais uma vez o pedido.

“Alterado e dizendo que não era obrigado a seguir para o DPJ, e diante das várias negativas em se posicionar sobre as ofensas, foi solicitado o apoio de outras viaturas. Após chegada de outras guarnições, o acusado conversou com um policial e, por fim, aceitou ir até a delegacia”, disse a nota.
 

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