Nas últimas décadas, o turismo tem se revelado importante vetor de desenvolvimento econômico devido sobretudo à sua peculiar capacidade de geração de renda, receita pública, empregos e atração de investimentos. Somente no ano passado, o setor turístico movimentou 7,6 trilhões de dolares, o equivalente a 10% de toda a riqueza produzida em âmbito mundial.
Em 2016, no Brasil, ele foi responsável pela criação de mais de sete milhões empregos, contribuindo com 152,2 bilhões de dólares, 8,5% do PIB Nacional.
Além do baixo custo para a criação de postos de trabalho, a “indústria turística”, devido à natureza dos serviços prestados, tem a capacidade de estimular inúmeras outras atividades econômicas.
Para satisfazer as aspirações dos turistas, incrementam-se os negócios dos hotéis, locadoras de automóveis, transportes, lojas, espaços de entretenimento, produção de alimento etc. Tal fato propicia maior transferência do poder de compra dentro da economia, ao fazer com que o produto do gasto turístico escoa ao longo do tecido social.
A renda criada no setor hoteleiro, por exemplo, é empregada não apenas para reabastecer o estoque de capital, mas também para aquisição de bens e serviços, tendo em vista a reparação de sua infraestrutura.
Outra porção destina-se ao pagamento dos credores, aos salários dos funcionários; aos impostos, taxas etc. Há, portanto, clara distribuição de renda, em que uma parte dela é logo reinvestida dentro da própria economia local, enquanto outra parte aciona os demais setores das economias nacional e mundial.
De acordo com a Política Nacional de Turismo, o poder público, obedecendo aos princípios constitucionais da livre iniciativa e da descentralização, deve atuar, mediante apoio técnico, logístico e financeiro, na consolidação do turismo como importante fator de conservação do patrimônio natural e cultural brasileiro, promovendo não apenas desenvolvimento sustentável, distribuição de renda e redução das disparidades sociais e econômicas de ordem regional, mas também envolvendo efetivamente as comunidades receptoras nos benefícios advindos da atividade econômica.
O Estado do Espírito Santo, além de sua rica diversidade cultural, notoriamente reconhecida por sua variedade culinária, dispõe de inúmeros atrativos turísticos graças às suas belezas naturais, que conjugam mar e montanhas.
Sua auspiciosa condição geográfica favorece, durante a alta estação, a prática de esportes radicais como surf, body boarding, rafting, rapel, voo livre etc.; ao passo que nas baixas temporadas podem ser fomentados o ecoturismo, o turismo religioso, o turismo rural etc.
Embora não seja a modalidade mais rentável de turismo, a maior parte dos turistas que nos visitam buscam lazer. Tal fato coloca em evidência a importância de se fomentar o turismo sustentável, de modo que as necessidades dos turistas sejam satisfeitas sem colocar em risco os processos ecológicos de preservação da natureza e da diversidade biológica.
De fato, enquanto o crescimento econômico e o potencial de emprego são geralmente vistos como os principais ativos do turismo sob a perspectiva do desenvolvimento territorial, as oportunidades de usar os recursos financeiros do setor para proteger e melhorar o meio ambiente e a cultura não devem ser jamais negligenciadas.
Flávio dos Santos Oliveira é doutor em História.