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Depois das eleições

Passada a apuração final dos votos de uma das mais conturbadas eleições, incluindo tentativa de assassinato de um dos candidatos, ironicamente o ...

Evaldo d'Assumpção

Última atualização

Passada a apuração final dos votos de uma das mais conturbadas eleições, incluindo tentativa de assassinato de um dos candidatos, ironicamente o vencedor, assusta-me a continuidade das hostilidades e ameaças dos opositores ao presidente eleito.

As “fake news”, que circularam intensamente no período pré-eleitoral continuam, agora, sob formas mais sutis, especialmente em alguns setores da mídia, e de parte dos (pseudo)intelectuais, que incapazes de escutar a voz das ruas e das urnas, lançam notícias parciais, informações sutilmente deturpadas ou distorcidas, causando intranquilidade para o povo quanto ao futuro da nação brasileira.

Logo eles, que diziam defender a democracia, e acusavam de fascista o grupo hoje vencedor. Não é como estão agindo agora?

Cada pronunciamento do presidente eleito, cada manifestação dos indicados para o seu grupo de trabalho, são maliciosamente noticiados, dando-se ênfase a frases ambíguas e omitindo seus esclarecimentos. Repetem coisas ditas no passado, muitas fora de contexto.

Pior são os legisladores que, em fim de mandato, votam leis objetivando dar rombos no orçamento para o próximo ano, e magistrados buscando aumentos de salários, sem a menor consideração para com os trabalhadores que, se não desempregados, sobrevivem com salários irrisórios.Parecem querer solapar covardemente o novo governo, para desmoralizá-lo.

Compreendo a frustração de alguns dos derrotados, e o medo desses maus brasileiros que sem qualquer pudor roubavam vultosas verbas destinadas à merenda escolar, a insumos hospitalares, à geração de empregos, à construção e manutenção de escolas e postos de saúde, à instalação do saneamento básico que está ausente em mais da metade das povoações de nosso imenso Brasil.

São eles que agora procuram recursos jurídicos e fazem as mais sórdidas acusações, para enxovalhar o inatacável juiz Sérgio Moro, futuro ministro da Justiça e da Segurança Pública, numa covarde manifestação de medo. E ainda ameaçam o presidente eleito com absurdo “impeachment”, tão logo seja empossado.

Esses corruptos e corruptores não dão a mínima para a vontade popular democraticamente expressa, nem à verdadeira faxina feita no executivo e no legislativo. O povo deu claramente o seu recado: chega das capitanias hereditárias, chega da usurpação do que é público, chega de se pensar que o povo é omisso e covarde, não reagindo a todos os insultos e assaltos que diuturnamente eram feitos contra a nação brasileira.

Que esses ferrenhos opositores caiam na real de que os tempos mudaram. Agora é hora de deixar as rivalidades para trás, tendo todos, como único objetivo, o Brasil como uma nação forte – pois rica, ela já o é de natureza.

É tempo de abandonar os confrontos de ideologias mesquinhas, e procurar, todos juntos, trabalhar por dias melhores, tão merecidos pelo sofrido povo brasileiro.

Fazer oposição, sim, porém inteligente, honesta, justa e criativa, pois só ela é que ajuda aos governantes a serem melhores. Ao contrário do sistematicamente “ser contra”, do discordar por discordar, do atrapalhar para não deixar os outros progredirem.

E que nossos filhos e netos possam ter o orgulho de ser brasileiros, de viver num país sem preconceitos de qualquer tipo, sem rivalidades odientas, onde a fraternidade e o respeito mútuo sejam o foco de todos os cidadãos e cidadãs.

Evaldo D’Assumpção é médico e escritor.
 

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