
A denúncia foi oferecida no último dia 19, pelo Ministério Público Federal no Estado (MPF-ES), por meio do procurador da República Alexandre Senra. Os nomes dos envolvidos no caso não foram informados pelo MPF.
Segundo o documento, entre setembro de 2016 e julho deste ano, o acusado inseriu, no sistema da autarquia, 21 requerimentos de pensão por morte, de pessoas que haviam morrido entre 2007 e 2011, com o objetivo de obter vantagens indevidas.
Para isso, usava as seguintes informações falsas: tendo como único beneficiário, sempre na condição de filho menor, seu próprio sobrinho, filho de sua irmã; e colocando seu próprio nome como tutor do sobrinho “beneficiário”.
Com o golpe, o denunciado teria obtido, por meio dos pagamentos de benefícios, um montante de R$ 2.038.796,87. Ele vai responder pelo crime de “Inserção de dados falsos em sistema de informações” (artigo 313-A), que prevê prisão de dois a 12 anos e pagamento de multa.
Segundo o MPF, o denunciado ainda está preso — na última terça-feira, foi manifestada a manutenção da prisão. O envolvimento da irmã ainda está sendo investigado. Já o sobrinho é incapaz e, logo, não responde penalmente.
Golpes
O caso é apenas um dos que mostram o envolvimento de servidores em golpes no INSS no Estado. Ainda de acordo com o MPF, entre 2016 e atualmente, foram instaurados 95 inquéritos policiais e autuadas 54 ações judiciais sobre fraudes no INSS, sendo que quatro inquéritos e seis ações apresentam envolvimento de servidores públicos.
O INSS informou que, no Espírito Santo, há um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) em andamento, sobre possíveis irregularidades em benefícios previdenciários, totalizando R$ 1,08 milhão.
A autarquia ainda afirmou que há, também, um processo em fase de juízo de admissibilidade — ou seja, ainda em análise e que pode ou não se tornar um PAD —, totalizando R$ 1,56 milhão.
Prejuízo de R$ 15,83 milhões no Estado
Força-tarefa federal
No País, existe a Força-Tarefa Previdenciária, que é integrada pela Secretaria de Previdência — órgão vinculado ao Ministério da Fazenda —, pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público Federal (MPF), que atua no combate a crimes contra o sistema previdenciário.
Na Secretaria de Previdência, a Coordenação-geral de Inteligência Previdenciária (Coinp) é a área responsável por identificar e analisar as distorções que envolvem indícios de fraudes estruturadas contra a Previdência.
Operações
Entre março de 2015 e este mês, a força-tarefa deflagrou 13 operações no Espírito Santo.
Os golpes, somados, causaram um prejuízo estimado de R$ 15,83 milhões aos cofres da União.
Porém, as operações foram responsáveis por uma estimativa de economia proporcionada — obtida pelas somas das mensalidades dos benefícios da amostragem que seriam futuramente pagas caso continuassem ativas — de R$ 13,65 milhões.
Participação de servidores
Dessas 13 operações no Estado, desde 2015, a força-tarefa identificou o envolvimento de quatro servidores do INSS em três fraudes — em uma delas, dois servidores participaram. O prejuízo estimado somente nos golpes com participação de funcionários públicos é de R$ 3,4 milhões. Já a estimativa de economia proporcionada é de R$ 3,42 milhões.
Devolução do dinheiro
Em termos gerais, já no início do processo — ou mesmo antes do seu início —, a autoridade policial e o MPF solicitam ao juiz medidas de quebra de sigilo e de indisponibilidade de bens, para se viabilizar o ressarcimento futuro, no caso de condenação dos acusados.
Fonte: Secretaria da Previdência e MPF-ES.
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