- Vitória, ES 24°C

Vitória 24°C

Anúncio
Tribuna Livre

Mobilidade na Grande Vitória e o setor da construção

O governador eleito, Renato Casagrande, dedicou grande parte de sua campanha na promessa da retomada dos investimentos na mobilidade metropolitana. ...

Eduardo Borges

Última atualização

O governador eleito, Renato Casagrande, dedicou grande parte de sua campanha na promessa da retomada dos investimentos na mobilidade metropolitana. Para o setor da construção e o ciclo que dele depende, os investimentos serão um fôlego vital, mais ainda para os trabalhadores do setor, já que a redução de empregados no setor foi da ordem de 40% na RMGV nos últimos 6 anos. Eduardo Borges (Foto: Divulgação)

Além da demanda direta por obras civis, tais investimentos serão importantes, indiretamente, para o mercado imobiliário, como discutido em debate no Salão do Imóvel, visto que a maior capilaridade proporcionada por modais de transporte de massa mais eficazes (BRT, BRS, aquaviário) irá gerar alternativas de locais conectados para empreendimentos comerciais e institucionais e de terrenos mais acessíveis para empreendimentos residenciais do que locais já “tradicionais”, onde o preço da terra dificulta o desenvolvimento de habitações voltadas para as classes de renda inferiores.

Obras como pontes, túneis e viadutos podem ser importantes, mas o foco da destinação dos investimentos inicialmente precisa ser no transporte de massa, indubitavelmente, caso contrário a maior capacidade viária promovida por tais obras de arte apenas iriam intensificar o uso do automóvel, com maior facilidade para circular, aumentando os níveis de poluição atmosférica e adiando a efetiva solução do problema.

Pequenas obras, entretanto, serão fundamentais, como a óbvia necessidade de vias retilíneas de três faixas pela Praça do Cauê para melhor acesso em ambos os sentidos entre a Reta da Penha e a Terceira Ponte.

Aliás, a capital, que ainda não conseguiu avançar na melhoria do sistema de transporte de massa, agora contará com a sinergia política entre o prefeito e o governador eleito, espera-se, para avanço da integração do transporte coletivo municipal e intermunicipal, modelo mais viável economicamente, além de benéfico ao trânsito devido à possível redução de veículos nos principais eixos viários, visto que neles há, atualmente, nítida sobreposição de linhas municipais e intermunicipais.

Todas as melhorias, entretanto, passam pela disponibilidade de capital para investimento, o que ainda é um problema para os governos. Para financiar tais melhorias, sugere-se como formas mais “justas” a serem adotadas:

• Ampliação do estacionamento rotativo tarifado, com a destinação da receita para o sistema de transporte coletivo, medida que também já é inibidora do uso do automóvel, por si só;

• Parceria público-privada também para a fase de investimentos, como vem sendo planejado no BRT de Florianópolis;

• Pedágio urbano nos acessos à capital, medida que, embora polêmica, volta e meia é mencionada, como feita pelo presidente da Ademi-ES no debate do Salão do Imóvel. Alternativa já praticada em Cingapura, Estocolmo e Londres.

As três medidas são consideradas mais “justas” pelo fato de que apenas os usuários transitando na Grande Vitória arcariam com os investimentos, comparativamente ao simples investimento público oriundo do orçamento geral dos governos, pago por todos os cidadãos.

Eduardo Borges é engenheiro civil, mestre em urbanismo e diretor do Sinduscon-ES.

Mais Lidas

Ver tudo ›

    Bem-vindo(a) ao
    Tribuna Online!

    Seu bloqueador de anúncios está ativo.

    A publicidade ajuda a manter nosso jornalismo. Libere os anúncios para apoiar o Tribuna Online.

    Obrigado por apoiar o jornalismo local.