
E, prestes a reencontrar, após 8 anos, os capixabas que contribuem para perpetuar o legado dos garotos de Liverpool, Moska afirma:
“Com o grupo, eu me sinto um beatle. O Big Beatles é superdedicado aos arranjos originais. Acaba sendo uma oportunidade de você se sentir um pouco beatle, de imaginar que é um deles. Não são muitas bandas que conseguem fazer com que você se sinta assim. E é dessa maneira que eu me sinto”.
E é essa magia que Moska leva para o Teatro da Ufes, em Goiabeiras, na próxima quinta, às 21 horas. Em entrevista ao AT2, ele fala mais sobre o show e seu álbum recém-lançado, “Beleza e Medo”.

AT2: O público pode esperar um show totalmente diferente do que fez 8 anos atrás?
Moska: Não me lembro exatamente do repertório, mas, como tenho minhas preferidas, posso ter escolhido algumas iguais. É sempre difícil escolher.
Estarão nesse show “While My Guitar Gently Weeps”, que canto sempre que tenho oportunidade, “Eight Days a Week”, que cantava na adolescência, e “Beautiful Boy”, da carreira solo de John Lennon. Sou apaixonado pelo trabalho solo dele.
AT2: É o seu beatle preferido?
Moska: Como músico e compositor, gosto muito do Paul McCartney. Como artista, do Lennon. O artista, para mim, transcende a música. Enquanto McCartney era o melhor compositor, Lennon era o melhor poeta, artista, ser humano.
AT2: Aprendeu a tocar violão com seu irmão Oswaldo. Foi ele que te passou o gosto pelo som dos Beatles?
Moska: Veio mais da escola. Na minha adolescência, amigos foram me mostrando os discos e começou a tal mitologia dos Beatles, deles serem diferentes a cada disco, sempre mostrando muita atitude.
Tudo que a gente vê hoje, multiplicado por muito, eles fizeram primeiro. Sem eles, a indústria musical não seria a mesma.
AT2: Qual a lembrança mais marcante que tem da sua relação com os Beatles?
Moska: Me lembro de escutar “Hey Jude” quando pequeno na sala. Gostava do “nanananana” antes de entender inglês. (Risos) Era bom ter uma canção que não tivesse que decorar letra. E “Yellow Submarine”. Lembro dos meus tios cantando nas festas!
AT2: É um beatlemaníaco?
Moska: Não tenho milhões de camisas, pôsteres e nenhuma histeria, mas, é claro, que eles são uma peça fundamental da música pop. Acho que todos nós somos beatlemaníacos.
AT2: A primeira vez que interpretou Beatles no palco foi com o Garganta Profunda. Vai relembrar esse momento?
Moska: No Garganta, a gente cantava músicas dos Beatles, mas nenhuma delas está no meu repertório do show de quinta. Fiz uma escolha mais pessoal. “Beautiful Boy (Darling Boy)”, por exemplo, cantei muito quando meu filho nasceu.
AT2: Seu novo disco tem o nome de “Beleza e Medo”. É um reflexo do Brasil atual?
Moska: Certamente. Cada álbum é um álbum de retratos da nossa vida, do nosso mundo, do nosso tempo, das nossas questões. Esse disco me foi pensado e, nos últimos seis meses, ele tomou o formato do título. Fui sentindo medo, e ainda sinto, para onde o País está indo. Esse medo, em vez de me calar, virou matéria-prima.
Comecei a escrever sobre ele. Uma música se chama “Medo do Medo”. Tem outra que é “O Jeito É Não Ficar Só”, fala do mundo que está se acabando. O medo está ali dentro do disco, mas beleza, amor e natureza também. E tudo isso faz parte da minha essência, da vida de todos nós.
A gente já nasce chorando de medo e vai se apaixonando, se decepcionando. Beleza e medo são irmãos siameses. São a própria música do baile da nossa vida.
AT2: Você já disse que a música “Minha Lágrima Salta” trata do sentimento de perder a si mesmo. Já passou por isso?
Moska: Acho que a gente se perde muitas vezes na vida e que o País está perdendo a si mesmo neste momento. Ou se revelando.
É importante reconhecer a perda, porque, quando a gente reconhece a perda, começa a lutar pela vitória. Difícil é não reconhecer que perdeu e continuar numa mesma batalha. Todos nós nos perdemos muitas vezes. Tenho 51 anos, não sou mais um jovem. A própria vida é uma perda dela mesma.
Serviço:
Projeto Sócio de Carteirinha 2018
O quê: Show da banda Clube Big Beatles com participação de Moska (RJ)
Quando: Quinta-feira, 21h
Onde: Teatro da Ufes (Goiabeiras, Vitória)
Ingressos: R$ 25,00 (meia)
Vendas: Óticas Paris (Praia do Canto e Jardim da Penha, bilheteria do Teatro da Ufes, de terça a quinta, das 15h às 20h, bilheteria do Cine Jardins e tudus.com.br
Classificação: Livre
Informação: 3335-2953 e 99943-8246
Apoio: Rede Tribuna