
De acordo com um estudo da McKinsey&Company 10, empresas com diversidade étnica e racial possuem 35% mais chances de ter rendimentos acima da média do seu setor e as empresas com diversidade de gênero possuem 15% a mais de chances de obter rendimentos. Estes dados demonstram que ter uma força de trabalho multicultural é uma excelente estratégia a se adotar.
Trabalhar este tema e discuti-lo dentro das organizações é um grande passo para alavancar novos posicionamentos e ajustes de cultura. Para tal, há caminhos como: desenvolver política de oportunidades iguais, analisar problemas e saber se adaptar, ser transparente em relação aos critérios de contratação, aprimorar a retenção de minorias, promover debates sobre o vieses inconscientes e implementar a flexibilidade no local de trabalho. Além disso, é preciso incentivar as empresas a terem a diversidade como parte de seus valores e encorajar a prática de se trabalhar com perfis diferentes. Um destes perfis é em relação à raça. A desigualdade racial é um fenômeno antigo no Brasil e pauta de muitas discussões e pesquisas. É um grande desafio a inclusão racial nos postos de trabalho.
Dados do Instituto Ethos, em pesquisa realizada em 2017, mostram que pessoas negras ocupam apenas 6,3% de cargos na gerência e 4,7% no quadro executivo, embora os negros representem mais da metade da população brasileira. Neste contexto, a presença de mulheres negras, em comparação aos homens, é ainda mais desfavorável: elas preenchem apenas 1,6% das posições na gerência e 0,4% no quadro executivo. A situação só se inverte nas vagas de início de carreira ou com baixa exigência de profissional, como em nível de aprendizes (57,5%) e trainees (58,2%).
Na pesquisa do Instituto Ethos, evidenciou-se que 94,2% dos cargos executivos pertencem a brancos, enquanto apenas 4,7% dos negros ocupam cargos nesse nível. Ainda de acordo com o levantamento do Ethos, de 117 empresas consultadas, apenas 14 afirmaram possuir alguma iniciativa visando à promoção de igualdade de oportunidades entre negros e brancos, e apenas uma organização tinha metas para ampliar a presença do grupo em cargos de direção e gerência.
Como enfrentar este desafio e possibilitar a inclusão racial? O interessante é inserir o tema no dia a dia das organizações e investir em soluções de inclusão específicas para cada segmento, a partir de dados existentes na própria empresa com relação ao perfil de funcionários. Um segundo momento é influenciar a cultura com políticas de capacitação e valorização das pessoas, sensibilizando os funcionários para a diversidade e para a equidade racial. O tema deve estar na pauta das empresas durante todo o ano e ser discutido incansavelmente.
Cynthia Molina é diretora de Diversidade da ABRH-ES (Associação Brasileira de Recursos Humanos)