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Como é bom ser criança…

Tenho tantas experiências fantásticas com esses pequenos que dariam um livro. Passei muito tempo com eles... Só para iniciar a conversa, ontem mesmo ...

Mariana Reis é consultora em acessibilidade e educadora física.

Última atualização

Tenho tantas experiências fantásticas com esses pequenos que dariam um livro. Passei muito tempo com eles… Só para iniciar a conversa, ontem mesmo um pequeno me parou, como não é diferente, lançou como flecha a sua primeira pergunta: “Como você faz cocô?”. Claro que a sua mãe tentou impedir que eu respondesse e que outras perguntas viessem do pequeno e curioso João.

Lógicoooo que eu e ele travamos um jogo de perguntas e respostas, né? Tem de ser assim, gente!!
É com a informação que vamos desconstruir tantos preconceitos e estigmas que ainda vemos e vivemos por aí. O João foi o que de melhor aconteceu no dia!
Mas foi numa das últimas aulas que recebi outra figurinha de 3 aninhos, a Antonella.

O primeiro contato é sempre instigante, tanto para mim, que fico na expectativa das perguntas e dos olhares curiosos, quanto para ela, que acha todo aquele ambiente encantador, colorido, mas também, ao mesmo tempo, esquisito.

E começa então, todo processo de sedução. E, num piscar de olhos, ela já está lá tirando os sapatos para pular no trampolim acrobático. E quer ir sozinha sem ninguém para dar a mão! Pronto, agora é comigo! E nessa interação, vamos construindo a aula num mundo de imaginação e fantasias.

Ela ainda não me fez nenhuma pergunta do tipo “tia, por que você está aí?” ou ”como você faz cocô?”. Claro, o que interessa a ela é brincar de aprender a ginástica e não tem nenhuma barreira que nos impeça disso.

Gosto da frase de Vygotsky, um pensador importante em sua área e época, pioneiro no conceito de que o desenvolvimento intelectual das crianças ocorre em função das interações sociais e condições de vida. “O saber que não vem da experiência não é realmente saber”.

Faz de conta que… Essa é a frase que mais uso nas aulas e quem me dera pudesse usar também em nossos dias de adultos… Oh, céus! Mas, voltando ao faz de conta, também chamado de jogo simbólico, é a primeira oportunidade de contato das crianças com as regras, sendo também um aprendizado fundamental sobre o seu papel na sociedade.

O faz de conta promove o encontro entre um mundo imaginário e o mundo em que a criança vive, propiciando a ela a oportunidade de ser protagonista das suas próprias ações.

É nesse tipo de brincadeira que as crianças têm a oportunidade de desenvolver a imaginação.

É incrível que o tempo todo em que as observo, elas estão a construir histórias e, com isso, expressam vontades, reforçam sua identidade.

Sempre quando uma turma está aguardando para começar a aula de ginástica é comum a brincadeira de amarelinha. Que bom que ainda existe e tem o mesmo nome!

A amarelinha possui diversos números. Às vezes, pode se apoiar com os dois pés ou não, e só vence o jogo quem conseguir chegar ao céu sem cair no meio do caminho. Mas, se cair, assim como na vida, tem a oportunidade de se iniciar um novo jogo, né? E como é bom ter uma história para contar…!

Viver tudo aquilo que se tem direito, sujar os pés, mãos e rosto, sujar o tapete e marcar a casa inteira, viemos para deixar nossos passos, construir nossos caminhos.

Então, se você também é uma criança que vai querer sempre brincar de viver, não perca tempo!
A brincadeira é a seguinte: segure firme a mão de quem está nesse momento ao seu lado e forme um grande círculo. Espante a tristeza e deixe com que a leveza tome conta de seu ser.

“Vamos brincar de imaginar um mundo diferente? As pessoas deixam de ser coisas e passam a ser gente”! (Roberto Freire). Feliz Dia das crianças!

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