Aluguel, condomínio, taxa de água, energia, IPTU, móveis, consertos, lanches, refeições, passagens de ônibus e férias. Esses gastos, que poderiam facilmente fazer parte do orçamento de uma família, estão entre os 68 tipos diferentes de despesas declaradas à Justiça Eleitoral pelos diretórios capixabas dos partidos políticos, referentes a 2017.
Levantamento feito por A Tribuna no banco de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) encontrou despesas curiosas, como o fretamento de aeronaves, que aparece nas prestações de contas de PP (R$ 36 mil) e PRP (R$ 767,08).
Já o PSB, informou sobre a contratação de um seguro de vida (R$ 41,16), além do seguro para um carro (R$ 2.768,75). Quem também contratou seguro automotivo foi o SD, por R$ 2.986,03.
O que mais consumiu recursos das siglas em 2017 foram os salários de empregados, somados a encargos sociais e trabalhistas, como 13º, férias, auxílio-alimentação, saúde, transporte, pagamento de previdência, PIS, FGTS, Imposto de Renda e contribuição sindical.
Ao todo, essas despesas somaram R$ 1,17 milhão, ou seja, 24,5% do montante de gastos, que ficou em R$ 4.799.231,76.
O dinheiro para cobrir todas esses despesas, majoritariamente, vem dos diretórios nacionais dos partidos. Em 2017, as siglas enviaram R$ 4,2 milhões ao Estado, o que corresponde a 78% das receitas declaradas.
A maior parte desse dinheiro é proveniente do Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos, o chamado Fundo Partidário. Ano passado, os 35 partidos receberam R$ 741,7 milhões de recursos públicos.
As contas dos diretórios capixabas ainda serão apreciadas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES). Mas, para o cientista político e coordenador do Movimento Transparência Partidária, Marcelo Issa, tal fato não é garantia de que irregularidades sejam apuradas.
“A Justiça Eleitoral, como um todo, tem uma estrutura insuficiente para analisar os gastos dos partidos. Uma série de questões precisa ser apurada, como a verificação dos fornecedores contratados, se eles têm condições de prestar os serviços contratados, se têm alguma relação com a direção daquele partido”, criticou Issa.
No repositório de dados do TSE não havia informações referentes a PCB, PCO, PMB, Podemos, PPL, PRTB e PSDC.
A reportagem completa você lê no jornal A Tribuna deste domingo (15).
