- Vitória, ES 24°C

Vitória 24°C

Anúncio
Esportes

Brasileiro que jogou com os croatas torce pelo título

O paulista Carlos Santos de Jesus tem dois motivos a mais para torcer hoje para a Croácia, na final da Copa do Mundo contra a França.Depois de passar ...

Carlos Santos e Modric

Última atualização

 (Foto: Foto: Davor Sajko)

O paulista Carlos Santos de Jesus tem dois motivos a mais para torcer hoje para a Croácia, na final da Copa do Mundo contra a França.

Depois de passar por Santos e São Paulo, o zagueiro foi vendido para o Dinamo Zagreb e jogou por cinco anos no futebol croata, entre 2006 e 2011. No país europeu, ele também defendeu o NK Varteks e o NK Zagreb, mas foi no Dinamo Zagreb que ele trabalhou com oito jogadores da atual seleção da Croácia: Lovren, Corluka, Vrsaljko, Pivaric, Badelj, além de Kovacic, Modric e Mandzukic.

Depois do futebol croata, o zagueiro, de 33 anos, também passou pelo Shandong Luneng, da China, Ettifaq FC, da Arábia Saudita, Zob Ahan e Naft Tehran, do Irã, e Ratchaburi, da Tailândia, seu último clube.  

Em 2009, Carlos Santos se naturalizou croata com o sonho de atuar pela seleção do país, mas não alcançou o seu objetivo. Entretanto, além do ter ex-companheiros de clube no elenco finalista da Copa do Mundo, o brasileiro também tem um filho croata, o Iury Russo de Jesus, de 9 anos, que está louco para ver a Croácia conquistar o inédito título mundial.  

A TRIBUNA: Como você avalia a Croácia, que já está fazendo história neste Mundial?
CARLOS SANTOS: É um time muito equilibrado taticamente e mentalmente porque quando não estão bem ele sabe sofrer e depois melhora na partida. Tenho certeza de que eles vão trabalhar bem nessa partida para conseguir esse título. 

E o que esperar deste duelo contra a França?
Se colocar no papel, o time de França é melhor, mas dentro de campo é outra coisa. A Croácia tem ótimo meio de campo, com jogadores que podem decidir.

Como foi sua experiência lá na Croácia?
Cheguei lá e tinha mais quatro brasileiros: Eduardo da Silva, Etto, Anderson Costa e Vítor Júnior. Isso facilitou muito porque Eduardo já falava croata fluente, mas os croatas nos receberam muito bem. Foi uma adaptação tranquila. Foi minha primeira experiência profissional e foi maravilhoso.

Carlos Santos e Modric (Foto: Arquivo pessoal)Como era Modric no dia a dia?
Todos apostavam no potencial dele. Sempre foi muito dedicado, excelente jogador e sabia aonde poderia chegar, batalhou para isso. Fora de campo, muito educado e atencioso. Perdemos contato, mas sei que ele não mudou nada e que sempre pergunta sobre nós que jogamos com ele, quando encontra um brasileiro. É um exemplo a ser seguido.

Era difícil marcar o Modric nos treinos?
Ah, muito. Ele e o Eduardo (da Silva) se destacavam pela habidiade. Modric é muito inteligente dentro de campo, então era muito difícil.

Acha que ele pode se tornar o melhor jogador desta Copa? Mesmo se não vencer amanhã? Se conquistar o título de melhor da copa, acha que ele pode ser o melhor do mundo nesta temporada?
Estou torcendo por isso, é um amigo que eu tenho, apesar de a gente ter perdido contato pessoalmente. Acredito que ele possa ganhar sim esse título de melhor jogador da Copa do Mundo e o prêmio de melhor jogador do mundo também porque ganhar uma Copa é muito importante.

E o Mandzukic, como era?
Sempre foi extraordinário como jogador, mas fora de campo sempre foi muito marrento! Nos treinos, uma vez ou outra eu tinha que dar uma chegadinha nele (risos). Era o típico jogador europeu, não tinha tanta habilidade, mas compensava na raça. Trabalhava muito e brigava muito dentro de campo. Em meia temporada já tinha um monte de clube europeu de olho nele.

A campanha da Croácia nesta Copa te surpreendeu?
Surpreendeu porque nas Eliminatórias eles se classificaram na repescagem, mas sempre mostrou qualidade. Não acreditava que chegaria na final, achei que perderia nas quartas, mas estou torcendo muito por eles.

A que você atribui esse crescimento da Croácia, no futebol? Na última Copa, no Brasil, não foi bem, classificou para esta Copa na repesacagem e agora está na final.
Tem uma escola muito boa, ótimos treinadores que estudam bastante. Apesar de ser um pais pequeno, revela muitos jogadores, trabalham bem com a base. Só quem acompanha de perto sabe o que eles fizeram para chegar aonde chegaram.

Sobre o povo croata, passou por uma guerra relativamente recente. Como é isso, no dia a dia, lá no país? Por conta disso, eles merecem ganhar uma Copa do Mundo?
Com certeza, eles merecem muito. Passaram por uma guerra, sofreram muito e estão conseguindo reerguer o país. Mesmo tendo sofrido muito por seu país, é um povo muito acolhedor e trabalhador. Lá, quem participou da guerra não gosta muito de comentar.

Você formou dupla de zaga com Lovren? Como foi?
Jogamos juntos sim, algumas vezes. O Lovren é isso que você vê. Um jogador mais agressivo, se tiver briga ele é o primeiro a chegar, gosta de mostrar que é o chefe, sabe?

O Kovacic tinha subido da base, mas já dava para ver que seria esse grande jogador?
No meu último ano, ele estava chegando da base e todos já falavam muito dele. Tinha muita qualidade, assim como todos esses jogadores que passaram pelo Dinamo Zagreb. Todos foram para grandes clubes.

Acredito que, naquela época, o campeonato croata não fosse muito valorizado. Como é pra você ver hoje a Seleção na final da Copa do Mundo? 
Quando eu fui só sabia da Croácia só porque tinha chegado em terceiro lugar na Copa de 1998. Não sabia nada sobre o campeonato de lá porque não era muito falado, mas chegando lá me surpreendi positivamente. O campeonato é muito disputado e organizado, acredito que agora vá crescer ainda mais.

Você se naturalizou sonhando em defender a seleção da Croácia?
Quando me propuseram a naturalização foi pensando nisso, mas infelizmente, durante minha carreira, tive muitas lesões e fui ficando para trás. Depois sai do Dinamo e esse sonho foi ficando mais distante.

Com o está seu filho Iury, ansioso para a final?
Muito (risos). Ele está muito feliz com a Croácia e vive falando desse jogo. Desde a semifinal ele não para de falar. Se a Croácia conquistar esse título, vai ser uma alegria muito grande para todos nós.

Mais Lidas

Ver tudo ›

    Bem-vindo(a) ao
    Tribuna Online!

    Seu bloqueador de anúncios está ativo.

    A publicidade ajuda a manter nosso jornalismo. Libere os anúncios para apoiar o Tribuna Online.

    Obrigado por apoiar o jornalismo local.