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Missão Catar/2022: capixabas sonham em conquistar vaga na Seleção Brasileira para o próximo Mundial

Na história das Copas do Mundo, apenas três capixabas disputaram a competição pela Seleção Brasileira: Fontana, em 1970; Carlos Germano, em 1998; e ...

Última atualização

Na história das Copas do Mundo, apenas três capixabas disputaram a competição pela Seleção Brasileira: Fontana, em 1970; Carlos Germano, em 1998; e Maxwell, em 2014. Um número que pode crescer a partir do Mundial do Catar, em 2022.

Com o início de um novo ciclo, nomes como os zagueiros Thiago Silva e Miranda, que terão 37 anos, podem deixar de fazer parte da equipe. Outros, como Willian e Taison, precisarão mostrar que merecem uma nova chance.

Richarlison teve atuações de destaque pela Seleção Brasileira sub-20 no ano passado  (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)Ao mesmo tempo, uma garotada quer mostrar seu valor. É o caso dos atacantes Richarlison, 21 anos, Pedro Rocha, 23, e Lincoln, 17, e o zagueiro Lyanco, 21. Com alguns anos a mais, o zagueiro Luan e o lateral-esquerdo Sidcley, ambos com 25 anos, também podem entrar na briga.

Antes mesmo da Copa da Rússia, Richarlison e Lincoln receberam elogios do técnico Tite, que ainda definirá seu futuro no comando da Seleção. Por duas vezes, o treinador disse ter boas referências sobre Richarlison e garantiu que as portas estariam abertas para o atacante do Watford/ING.

“Já ouvi o Abel (Braga) falando que ele faz transição, gol e tem presença de área”, revelou Tite, em março deste ano.

“A Seleção é sempre um objetivo pra mim, nunca escondi isso de ninguém. É muito bom ser reconhecido, ainda mais pelo Tite, que entende de futebol”, comentou Richarlison, que já voltou aos treinos na Inglaterra.

Quem revelou o olhar atento a Lincoln foi o diretor de seleções, Edu Gaspar. Para a comissão, o jogador do Flamengo tem as características do legítimo “camisa 9”.

“Tite pergunta muito para o Carlos Amadeu (técnico da seleção sub-20) sobre os atletas. Tem um específico que gosta muito, o Lincoln. Sempre falou muito bem dele, tem uma característica difícil de ser encontrada”, falou Edu, também em março.

Também no ataque, Pedro Rocha aposta em uma boa temporada no Spartak Moscou para ser lembrado na Seleção. “Quero fazer um bom trabalho no Spartak. Assim, acredito que poderei chegar à Seleção”.

Richarlison, 21 anos, atacante do Watford/ING

Com a experiência de uma temporada completa na Europa, onde disputa o Campeonato Inglês pelo Watford, o ex-atacante do Fluminense pode se tornar uma novidade na Seleção Brasileira muito em breve. Admirado e elogiado por Tite, Richarlison espera ter um bom desempenho no retorno à Inglaterra para receber sua primeira oportunidade no time principal do Brasil.

Confira entrevista com o atacante:

Tribuna Online — Antes da Copa você chegou a ser elogiado pelo Tite e mantinha a esperança de uma convocação. Passado o Mundial da Rússia, coloca como prioridade conquistar o seu espaço com a amarelinha e estar entre os principais nomes para o Catar/2022?

Richarlison — A Seleção é sempre um objetivo pra mim, nunca escondi isso de ninguém. Mas acho que, para isso acontecer, preciso ir bem aqui no meu clube primeiro. Uma convocação é sempre consequência de um trabalho bem feito no time onde você está jogando. Espero que seja uma temporada de muitas vitórias para todos nós e que eu possa ser lembrado nos próximos chamados.

Qual o significado destes elogios vindos do Tite? Acredita na continuidade dele à frente da Seleção?

É muito bom ser reconhecido, ainda mais pelo Tite, que é um cara que entende tanto de futebol e não está onde está por acaso. É um grande treinador e o trabalho que ele fez na Copa, mesmo com a eliminação, é prova do que estou falando.

No início do ano passado, você teve boa participação com a Seleção Brasileira no Sul-Americano sub-20. Ter uma boa passagem em seleção de base pode ser um ponto a seu favor?

É uma experiência fantástica e, se você for analisar o elenco da Seleção hoje, muita gente passou pelos times de base do Brasil. (Philippe) Coutinho, Neymar, Casemiro… Então é algo que pode pesar a meu favor, sim.

A concorrência na posição deve ser grande, além de Neymar e Douglas Costa, você e David Neres, por exemplo, despontam como jovens talentos. Qual será o seu diferencial para largar na frente e brigar por seu espaço?

Um bom diferencial é que posso jogar em mais de uma posição no ataque. Foi assim no Fluminense, no América/MG e aqui também, quando é necessário, posso fazer outras funções. Mas tudo passa pelo rendimento. Preciso mostrar dentro de campo que mereço uma chance e uma convocação. Não adianta nada ser polivalente e não conseguir jogar bem.

Estar atuando na Premier League é um fator que pode influenciar? O Manchester City foi o time com mais jogadores convocados pela Seleção na Copa da Rússia…

É a liga com mais jogadores convocados entre os quatro melhores times da Copa, isso diz muito sobre a Premier League. Se não me engano, são quase 40 jogadores. O campeonato aqui tem um nível de competitividade muito grande, pois são equipes muito qualificadas.

Lincoln, ao lado de Paulinho, foi um dos destaques da Seleção Brasileira no Mundial sub-17 (Foto: Reprodução)Lincoln, 17 anos, atacante do Flamengo

Em seu primeiro ano como profissional, Lincoln tenta, no Flamengo, conquistar o seu espaço e mostrar porque ganhou chances nas seleções de base do Brasil. A joia rubro-negra atua como atacante de área e tem isso como “trunfo” para, quem sabe, repetir o feito de Gabriel Jesus daqui quatro anos — disputando seu primeiro Mundial com apenas 21 anos.

Tribuna Online — Pensando no próximo ciclo de Copa do Mundo, você acredita que pode repetir o feito do Gabriel Jesus? (que chegou ao Mundial da Rússia com 21 anos)

Lincoln — Acho que tudo no futebol é possível, principalmente quando se tem trabalho e dedicação para alcançar um objetivo. É claro que eu sei das dificuldades, até pela quantidade de bons atacantes que o Brasil tem para defender a Seleção, mas vou trabalhar diariamente para fazer o melhor no meu clube, buscando sempre evoluir.

O que acredita que precisa desenvolver até lá?

Todo mundo, não só atletas, precisam sempre estar aprendendo e evoluindo tanto profissional quanto pessoalmente. Acho que, pelo pouco tempo que tenho no profissional do Flamengo, tenho muitas coisas a aperfeiçoar e é isso que eu busco diariamente. Me tornar um jogador mais completo e com um nível de perfeição no que faço pode me levar a conquistar grandes coisas.

Pela pouca idade, você é um jogador bem visto para as duas próximas Copas do Mundo. Você coloca esses Mundiais como objetivos principais?

É claro que Copa do Mundo é o sonho de todo jogador de futebol. Porém, o objetivo principal é sempre o torneio que estamos disputando no momento. Hoje, minha cabeça está voltada para dar o meu melhor no Flamengo e conquistar coisas grandes com o clube. Sei que Seleção Brasileira é conseqüência de um bom trabalho realizado no clube, então procuro dar o meu máximo no dia a dia para, quando pintar a oportunidade de defender o meu país, estar pronto.

Ter feito parte das seleções de base te dá alguma vantagem?

Acho importante ter essa bagagem de ter passado pelas categorias de base da Seleção Brasileira. Disputei torneios importantes, conquistei títulos e isso, lá na frente, pode fazer a diferença. Sei como é o gostinho de vestir a camisa da Seleção mais importante do futebol mundial, então me motiva a sempre buscar o meu melhor para, um dia, defender o Brasil em um Mundial.

Na imprensa, discute-se muito a ausência do camisa 9 clássico, matador. Você está trabalhando para ser essa referência?

Desde sempre eu atuo como esse camisa 9 de referência. É claro que hoje, nesse futebol moderno, existe a exigência de que todos os jogadores participem ativamente do jogo a todo momento, e isso faz com que os centroavantes saiam mais da área para buscar o jogo, fazer o pivô e preparar a jogada para o companheiro que vier de trás para finalizar. Tenho essa facilidade de me movimentar pelo campo e busco estar sempre bem posicionado para finalizar a jogada em gol quando a oportunidade aparecer.

O que o Lincoln pode oferecer à Seleção nos próximos anos?

Acho que a principal coisa que qualquer jogador tem que oferecer à Seleção é a garra, a força de vontade. Hoje, a questão física está muito nítida nos jogos de futebol, então quem entrar em campo vestindo a camisa do Brasil tem que ter a consciência de que está representando o país com mais conquistas de Copa do Mundo. Estou me preparando, buscando a evolução no dia a dia para que eu esteja pronto para, se aparecer a oportunidade, poder marcar gols e ajudar a Seleção Brasileira.

Pedro Rocha, 23 anos, atacante do Spartak Moscou/RUS

Um dos destaques na conquista da Copa do Brasil de 2016 com o Grêmio, Pedro Rocha se tranferiu em agosto do ano passado para o Spartak Moscou, da Rússia. No leste europeu, não conseguiu manter a boa fase e marcou apenas um gol em competições oficiais. Para a nova temporada, o atacante espera conquistar seu espaço para entrar na briga por um lugar na Seleção Brasileira.

Tribuna Online — Você viveu um grande momento no Grêmio, inclusive com o nome especulado para possíveis convocações. O que acha que é preciso para conquistar um espaço para o próximo ciclo de Copa do Mundo?

Pedro Rocha — Acredito que somente jogando em alto nível conseguirei conquistar meu espaço. Irei trabalhar bastante para que assim seja convocado um dia.

Com uma temporada já disputada no Spartak Moscou, acredita que é a hora de conquistar vaga no time titular e chamar a atenção para a Seleção?

Sim, passo a passo irei conquistando meu espaço aqui no Spartak e, assim, fazendo um bom trabalho, acredito que posso chegar à Seleção.

O que achou do desempenho da Seleção Brasileira na Copa? Defende a permanencia do técnico Tite no comando?

Achei bom, lógico que todo brasileiro torce e espera sempre bons resultados da Seleção que tem mais títulos mundiais, mas as outras seleções estão em alto nível também. Defendo sim, Tite está fazendo um bom trabalho e é um ótimo treinador.

No ataque, a concorrência por vagas na Seleção promete ser pesada. Acredita que uma transferência dentro da Europa pode ajudar?

Primeiro quero fazer um bom trabalho no meu clube atual e depois o que acontecer é consequência do trabalho.

Você achou que atuar no futebol russo poderia ajudar a conquistar uma vaga na Seleção neste Mundial? O que faria diferente?

Acredito que não, vim para Rússia a pouco menos de um ano, e no começo sempre tem um processo de adaptação. Vou trabalhar forte para um dia realizar mais esse sonho.

O que o Pedro Rocha pode oferecer à Seleção Brasileira nos próximos anos?

Como todo jogador de futebol e menino sonhador quero um dia defender as cores do meu país. Com uma futura convocação, sem duvidas irei dar meu máximo e farei meu melhor por mim e minha família que sempre sonha em chegar este momento.

Lyanco, 21 anos, zagueiro do Torino/ITA

Com dupla nacionalidade, Lyanco já atuou nas categorias de base da Seleção Brasileira — disputou o Sul-Americano sub-20 no ano passado — e também da Sérvia. Em março de 2017, se transferiu para o Torino, da Itália, e fez seis jogos oficiais na última temporada. No momento, o jogador está em fase final de recuperação de uma lesão no tornozelo direito e espera ter mais chances nesta temporada para brigar por uma vaga na defesa brasileira, que deve passar por um processo de renovação.

Luan disputou as Olimpíadas de 2016 pela Seleção (Foto:Lucas Figueiredo/Mowa Press)Luan, 25 anos, zagueiro do Palmeiras

Medalha de ouro com a Seleção Brasileira nos Jogos Olímpicos de 2016, Luan espera reencontrar o bom futebol no Palmeiras para mostrar que pode ser útil à equipe canarinho. O jogador chegou ao Verdão em 2017, se recuperou de uma lesão no pé direito e ganhou a titularidade. Mas não caiu nas graças da torcida e hoje é opção na equipe comandada pelo técnico Roger Machado.

Sidcley, 25 anos, lateral-esquerdo do Dínamo de Kiev/UCR

Emprestado pelo Atlético/PR ao Corinthians no início deste ano, Sidcley soube aproveitar a oportunidade: em 26 jogos, marcou três gols — um deles na Libertadores —, se tornou um dos principais jogadores do time e despertou a atenção do futebol europeu. Na parada para a Copa do Mundo, acabou se transferindo para o Dínamo de Kiev, da Ucrânia. Lá, pode seguir evoluindo e entrar na disputa com outros laterais, como Alex Sandro, Alex Telles e Douglas Santos.  

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