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Parceiro dos belgas com o coração dividido

O torcedor espera ansiosamente a partida contra a Bélgica, pelas quartas de final da Copa do Mundo, nesta sexta-feira, mas o duelo terá um contexto ...

Última atualização

 (Foto: Mauricia da Matta / EC Vitoria)

O torcedor espera ansiosamente a partida contra a Bélgica, pelas quartas de final da Copa do Mundo, nesta sexta-feira, mas o duelo terá um contexto diferente para um brasileiro. “Fico com o coração dividido, mas vou torcer para o Brasil!”, afirma o baiano Antônio Eduardo Pereira dos Santos, conhecido como Kanu, que atuou por quatro anos no futebol belga, depois de brilhar aqui no Estado, pelo Estrela, em 2006, e Jaguaré, em 2007.

O zagueiro, que atualmente defende o Vitória/BA, viveu seu melhor momento na carreira no país europeu. Kanu foi contratado pelo Standard de Liège, na temporada 2010-2011, depois de se destacar no time português Beira-Mar, e logo se tornou titular absoluto e ídolo no clube belga, por onde permaneceu até 2014 e conquistou a Copa da Bélgica, em 2011. Atuando em alto nível, o brasileiro conquistou títulos individuais de melhor zagueiro do campeonato belga e por isso sonhou em atuar na seleção do país, mas não conseguiu se naturalizar.

Na Bélgica, Kanu, entretanto, teve a oportunidade de jogar a favor e contra alguns destaques dos Diabos Vermelhos neste Mundial. O meia Witsel e o atacante Batshuayi foram seus companheiros de clube e o zagueiro teve que marcar o atacante Lukaku, artilheiro dos Diabos Vermelhos neste Mundial, com quatro gols, e o craque De Bruyne.

Para quem vai torcer nas quartas?

Estou torcendo para os dois nesta Copa. Por isso queria que eles não se encontrassem, que desse Brasil e Bélgica só na final, mas agora não tem jeito. Meu coração fica dividido, tenho um carinho enorme por aquele país, mas sou brasileiro e vou torcer pelo Brasil.

Que dicas você daria para a nossa Seleção enfrentar a Bélgica?

A Bélgica marca muito bem e sai rápida para o contra-ataque, tem muita velocidade. Então, o Brasil tem que tomar cuidado no contra-ataque, também com Lukaku lá na frente, porque ele está numa fase incrível, a bola bate nele e entra. Tem que tomar cuidado com o Hazard e o De Bruyne também.

Como é marcar o Lukaku? Que tipos de cuidados o zagueiro tem que ter?

Lukaku é um jogador de muita força, acho que tele tinha 17 ou 18 anos na época, mas sempre teve essa força física e esse poder de finalização. É um jogador que está em um bom momento, se deixar espaços ele faz gol. Éramos rivais, mas ele estava sempre em Bruxelas, na casa dos nossos amigos em comum, e a gente fez uma amizade, era um menino muito bom. Mandei uma mensagem para ele dando parabéns e disse a ele que ele está fazendo uma grande Copa. Ele me respondeu agradecendo.

E o De Bruyne, como é marcar? É um jogador muito técnico…

Ele é muito imprevisível, tem uma técnica acima da média. Não pode dar espaço para ele também, tem um poder de finalização muito bom, chuta com as duas pernas e aparece bem na área.

 (Foto: Standard de Liege)

Como foi trabalhar com o Batshuayi?

Quando eu cheguei lá, ele tinha acabado de chegar do Sub-20, chegou do Kongo, fazia um monte de gol. Aí ele colou comigo e me chamava de ‘pai’ porque eu dava muitos conselhos a ele. Ele era novo e tinha uma qualidade imensa, mas tinha muita preguiça. Ele era bengala, não tinha dentes, sorria com a mão no rosto. Aí o clube pagou um tratamento para ele e depois disso ele passou a sorrir àtoa.

O Batshuayi protagonizou um dos lances mais bizarros nesta Copa, chutando aquela bola na trave que voltou na cara dele, e virou meme. Você mandou mensagem para ele?

Sim (risos). Ele postou até no Instagram dele. Mandei uma mensagem zoando e ele respondeu: “Até você , Kanu?”

E o Witsel, como ele era no Standard?

Rapaz, quando eu cheguei ele estava suspenso. Eu vi aquele moleque treinando e falei: “Que menino é esse treinando? É um fenômeno, um craque de bola!”. Ele é um cara do bem, a gente criou uma amizade e ele me deu logo três chuteiras na época. Recentemente, ele também me deu uma camisa da Bélgica.

Você tinha o sonho de atuar pela Bélgica. O que aconteceu?

Gosto da seleção da Bélgica. Era o meu sonho e minha última chance, eu estava muito bem, fui eleito melhor zagueiro do campeonato, tinha chances, mas não deu e Deus sabe de todas as coisas. A naturalização está em processo ainda. Acho que meu grande erro foi ter saído do país, era para ter ficado mais.

Tem vontade de voltar a jogar lá?

Jogar eu não sei, porque minha familia está toda aqui, mas morar sim, quem sabe um dia. É muito bom morar lá, já passei muito frio lá, -10°C, -15°C (risos). O país é muito bom, o povo é maravilhoso, me acolheu muuito bem comida é boa. Tem restaurante de todos os países.

Como era a convivência com os belgas?

São mais frios, é a cultura deles, normal. Mas sempre tive um relacionamento muito bom com eles. Eles são fãs dos jogadores brasileiros. Gostam do Neymar, do Ronaldo Fenômeno e dos jogadores brasileiros que se destacam.

Aconteceu alguma coisa engraçada com você lá na Bélgica?

Minha sogra não falava francês e eu pedi para ela comprar saco de lixo, no supermercado. Ela chegou lá e pediu saco de lixo e o funcionário não entendeu nada. Ficou procurando lá, sem saber o que era. Aí toda vez que eu ia no supermercado ele me chamava de “Saco de Lixo”. Era a única palavra que ele sabia em português. Ele era torcedor do Standard de Liége aí na minha última partida pelo clube ele levou um saco de lixo, colocou na cabeça e ficava gritando “saco de lixo!”, na arquibancada.

Você percebia que o futebol belga estava evoluindo quando atuou lá?

Quando cheguei na Bélgica eu vi que ia dar certo, que o campeonato ia melhorar. Os clubes estão se preparando mais, são sérios, pensam grande. Hoje, quem se destaca lá rapidamente vai para um time grande.

A Bélgica quase caiu para o Japão, hein…

Sim, o jogo chegou a ficar 2 a 0. Acho que o Japão fez um bom jogo, foi cirúrgico, e a Bélgica achou que ia ganhar quando quisesse. Copa não é assim, todo jogo é difícil.

Como acha que vai ser esse jogo? Na Copa de 2002 foi muito difícil…

Vai ser um jogo duro. A Bélgica respeita muito o Brasil. Tem uma equipe bem treinada, sabe o que está fazendo, desce com uma velocidade incrível para o ataque.

Vai mandar mensagem para eles, sobre o jogo? 

Vou, mas vou esperar para mandar depois do jogo (risos)

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