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Economia

Famílias têm de usar dinheiro da poupança para o dia a dia

A crise econômica e o alto índice de desemprego no País nos últimos anos vêm fazendo com que as famílias tenham de usar suas reservas financeiras ...

Última atualização

A crise econômica e o alto índice de desemprego no País nos últimos anos vêm fazendo com que as famílias tenham de usar suas reservas financeiras para pagar as contas do dia a dia.

Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), em junho deste ano, 13,3% dos brasileiros usaram seus recursos guardados para esse fim.

No Estado, segundo fonte da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), 150 mil pessoas tiveram de recorrer ao dinheiro guardado na poupança para se sustentar.

Embora esse índice já tenha sido maior no País — chegou a 17,5% em 2016, auge da recessão econômica —, há resistência na queda da parcela dos brasileiros que estão nessa situação. Como comparação, em 2010, com a economia crescendo 7,5%, o índice era de 3,5%.

Segundo o economista Marcelo Loyola Fraga, com a crise dos últimos três anos, o brasileiro perdeu poder de compra. Uns, devido ao desemprego, e outros, pela redução da remuneração — perda de comissões e parte da renda, entre outros.

“Entre os que perderam o emprego e já se recolocaram no mercado de trabalho, parte deles retornou com salário menor. Por isso, quem tem poupança, que é uma prática superrecomendável, está lançando mão dessa reserva para não cair na inadimplência e ver seu orçamento se desorganizar.”

Para o economista e especialista em economia doméstica Mário Vasconcelos, o grande número de pessoas que precisam usar a poupança para a sobrevivência mensal é um dado “péssimo e alarmante”:

“Se está usando as reservas para completar os gastos, é porque teve redução de renda ou ficou desempregado. E o aumento dos preços de alguns serviços também acaba apertando o orçamento e obrigando a retirada de reservas.”
 

Consumidores têm de cortar gastos

Se a pessoa ficou desempregada ou já não recebe mais um salário no mesmo patamar de anos anteriores, o primeiro passo para não queimar suas reservas financeiras e até mesmo se endividar, segundo o economista e especialista em economia doméstica Mário Vasconcelos, é adequar o orçamento à atual realidade salarial.

“Tem de adequar o padrão de consumo à sua realidade. Se você tinha um emprego e ganhava R$ 5 mil por mês, ficou desempregado e arranjou um outro para receber R$ 2 mil, não dá para querer ter o mesmo padrão de vida. Das duas, uma: ou você vai se endividar ou vai gastar suas reservas. As duas coisas são péssimas”, afirmou.

Mário explica que a mudança de hábitos envolve adiar planos como a troca de carro ou uma viagem de lazer com a família, por exemplo.

“É um momento em que é preciso ter muito planejamento, muita cautela. Não dá para fazer grandes compromissos financeiros, até mesmo a curto prazo. O País vive um período tão imprevisível que não dá para saber o que vai acontecer nos próximos meses”.

Para o economista Marcelo Loyola Fraga, outro fator importante que vem consumindo parte da renda dos brasileiros são os aumentos sucessivos dos planos de saúde, bem acima da inflação.

“Para mantê-los, pois temem as enormes filas do SUS (Sistema Único de Saúde), estão abrindo mão das suas reservas e de parte do consumo com lazer”.

Para sair dessa situação, o economista recomenda buscar aumento de renda da família e cortar ainda mais despesas que podem ser suspensas temporariamente.
 

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