No dia 16 de dezembro de 2010, há exatos oito anos e dez dias, o então senador Gerson Camata (filiado ao então PMDB, hoje MDB) subiu à tribuna do Senado Federal para fazer o seu último discurso, depois de 44 anos de vida dedicada à política.
Em sua fala, Camata destacou a sua vida pública, falando com orgulho de sua trajetória por diferentes cargos.
“Foram 24 anos de atuação nesta Casa, 44 anos de vida dedicada à política, durante os quais, além de senador, fui vereador no município de Vitória, deputado estadual, deputado federal durante dois mandatos consecutivos e governador do Espírito Santo. Fui o único governador de Estado a começar como vereador e encerrar sua carreira como senador”, afirmou.
Camata falou ainda em “resgate do Espírito Santo”, citando nominalmente o então governador Paulo Hartung e o então senador Renato Casagrande (PSB), que iria sucedê-lo no Palácio Anchieta, mesmo cenário dos dias atuais.
“Outro motivo de orgulho é presenciar o resgate de meu Estado. O Espírito Santo retomou seu crescimento, viveu uma mudança radical de perfil econômico e lançou as bases para um desenvolvimento sustentável”, disse.
Veja abaixo a íntegra do discurso de Gerson Camata, o último de sua vída política
O SR. GERSON CAMATA (PMDB – ES. Sem apanhamento taquigráfico.) – Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, chego ao fim de uma longa carreira política. Como dizem os versículos do 3º capítulo do livro de Eclesiastes da Bíblia:
Tudo tem a sua ocasião própria, e há tempo para todo propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou.
Chegou o tempo de me retirar do Congresso Nacional, do Senado, onde exerci três mandatos.
Foram 24 anos de atuação nesta Casa, 44 anos de vida dedicada à política, durante os quais, além de senador, fui vereador no município de Vitória, deputado estadual, deputado federal durante dois mandatos consecutivos e governador do Espírito Santo. Fui o único governador de Estado a começar como vereador e encerrar sua carreira como senador.
Deixo a vida política com a consciência tranquila, de quem cumpriu seu dever. Se há algo de que me orgulho é de nunca ter encontrado dificuldades para conciliar ética e política. É impossível negar a existência de vínculos entre a vida moral e a vida no poder, pois, se o fizermos, acabaremos concluindo que os fins justificam os meios.
Outro motivo de orgulho é presenciar o resgate de meu Estado. O Espírito Santo retomou seu crescimento, viveu uma mudança radical de perfil econômico e lançou as bases para um desenvolvimento sustentável.
O idealizador dessa transformação, governador Paulo Hartung, começou comigo sua carreira política, assim como o senador Renato Casagrande, que o sucederá. E, ocupando o lugar do senador Casagrande, estará a primeira suplente, Ana Rita Esgario, que fiz ingressar na vida pública. Deixo, portanto, herdeiros políticos de valor.
Ao longo de 44 anos, sempre fiz questão de prestar minha contribuição para o progresso do Espírito Santo, para o bem-estar de seu povo, dos agricultores, dos empreendedores. Foram mais de quatro décadas em que jamais perdi a fé na grandeza de meu Estado natal e do Brasil.
Mesmo fora da vida pública, nunca abandonarei esta crença, a de que tudo é possível quando existe empenho, vontade de progredir e de mudar, para proporcionar uma vida melhor a todos. Estarei sempre à disposição para trabalhar, voluntariamente, pelo desenvolvimento do Espírito Santo.
Era o que eu tinha a dizer.
Muito obrigado.
