
Em linha reta, 17.207 quilômetros separam as cidades de Zhaoquing, onde Claudio morava na China, e Vitória. Na Quadradona, o caminho é mais curto, com quatro etapas para o acesso, que é o principal objetivo do Vitória em 2019. O clube também disputará a Copa Verde, além do Capixabão e Copa Espírito Santo.
“É um desafio enorme, mas eu me sinto preparado”, afirmou Claudio na coletiva de imprensa. O técnico, de 42 anos, começou a carreira na base do CTE Colatina, em 2005, e teve sua primeira experiência profissional no Jaguaré, em 2009. Depois que saiu do Espírito Santo, Claudio trabalhou no futebol catarinense e sul-matogrossense, onde foi bicampeão estadual, em 2012 e 2014.
Na Ásia, comandou a seleção de Sri Lanka, em 2013, o Monte Carlo, de Macau, e o Zhaoqing Lixun, da China, pelo qual conquistou neste ano o título da Youth League, liga nacional sub-20. Ontem, o volante Igor Pimentel, ex-Corumbaense/MS, estava no Salvador Costa e pode ser o primeiro reforço da era Claudio.
A Tribuna: Como foi a experiência como técnico da seleção de Sri Lanka?
Claudio: A liga do Sri Lanka é profissional mas na época era semiprofissional. Eram dez times e eu tinha um universo de 40 jogadores para convocar (risos). Fui convocar pela primeira vez depois de ver 17 partidas. Eu não estava preparado para aquela experiência, confesso, mas aprendi muito a ter mais determinação porque eu trabalhava com jogadores que tinham média de 1,70 metro de altura, 60 kg e percentual de 4% de gordura. De competições oficiais, participamos da Copa da SAFF (com Países do Sul da Ásia), em 2013, no Nepal, e fomos eliminados na primeira fase.
A Tribuna: Como avalia sua experiência em Macau e na China?
Claudio: Considero muito boa. Estava no terceiro time de maior investimento de Macau e no segundo ano fomos vice-campeões da Liga e da Copa. Na China, fui campeão e considerado o melhor treinador da liga. Meu clube formava jogadores chineses para outros times.
A Tribuna: E o que esse trabalho na Ásia pode contribuir para o Vitória?
Claudio: Penso que pelo fato de ter trabalhado com cultura e perfis de jogadores diferentes, eu sei o que me espera aqui no Estado. Se eu tiver suporte – e vou ter -, da diretoria e da comissão técnica que continuou, a adaptação e o entedimento serão muito mais rápidos.
A Tribuna: Como será esse início de trabalho no Vitória?
Claudio: O Vitória vem em uma crescente, está procurando se estruturar e participar desse momento é um prêmio. Estamos analisando o elenco e possíveis contratações e vamos contratar dentro do modelo financeiro do Vitória. Apostamos na manutenção e isso é importante. Essa base será nosso norte e vamos inserir o que a gente acha que precisa e fazer uma ótima preparação. Temos que sonhar com esse tão esperado acesso à Série C. Todo o elenco vai ser apresentar no dia 2 de janeiro.
A Tribuna: Wesley Martinelli não aceitou permanecer como técnico e voltou a ser preparador físico. Já conversou com ele sobre o elenco?
Claudio: Sim, até durante a Copa Espírito Santo. Não tem porque não conversar, seria uma vaidade que não faz sentido. Perguntei sobre características individuais e comportamentais dos jogadores. Entendo também a situação dele. Ele conquistou o título (da Copa Espírito Santo) e foi uma atitude grande dele dizer publicamente que não estava preparado.