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VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

Agressão e ameaças de morte levam 1.600 mulheres a abrigos

Vítimas de maridos e companheiros em relações abusivas são amparadas, junto com os filhos, em local sigiloso por até 6 meses

Michelle Meira diz que a violência doméstica contra a mulher está relacionada à cultura machista da sociedade

Última atualização

Vítimas de relacionamentos abusivos em que quase foram mortas, muitas mulheres têm buscado apoio de órgãos policiais para se proteger. Para garantir a integridade física de cada uma delas, um local especializado e de alta complexidade é oferecido a elas. 

Chamado de “Casa Abrigo”, o espaço tem como finalidade amparar as mulheres que estão em situação de risco de morte e já recebeu 1.681 vítimas em seus 15 anos de existência.

Além das mulheres, o abrigo acolhe também os filhos menores de 14 anos e incapazes em local sigiloso, pelo tempo máximo de seis meses. Atualmente, o local atende 134 pessoas, sendo 65 mulheres e 69 crianças.

Além de atendimento médico, jurídico e psicossocial às mães e crianças, no local também são oferecidos acompanhamento pedagógico e recreação para o público infantil. 

“O período máximo que elas podem ficar é de 180 dias. Dentro do abrigo, temos uma equipe técnica que faz uma ponte junto com a equipe do município que enviou a vítima para o local, para elaborar um plano assistencial e aí decidir se essa pessoa pode deixar o abrigo”, explica a gerente de Proteção à Mulher da Secretaria de Estado da Segurança Pública, delegada Michelle Meira.

 













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Para Michelle, a violência doméstica contra mulheres está relacionada com a cultura machista, existente na sociedade. “Essa mudança na cultura machista passa pela educação dentro de casa. Crianças que vivem isso podem se tornar violentas também”, disse.

A coordenadora estadual das Mulheres em Situação de Violência Doméstica e Familiar, juíza Hermínia Azoury, lembra que a mulher em situação de violência doméstica tem que ser protegida pelo Estado.

Considera-se violência doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial.

“Através de políticas públicas que estejam articuladas nas diferentes esferas da vida social, como a assistência social, nós atuamos no Tribunal de Justiça em consonância com a saúde e a segurança pública”, observou.

Vítimas não podem usar celular

Por se tratar de um local que abriga  mulheres e crianças, vítimas de violência doméstica e familiar e ameaçadas de morte, a “Casa Abrigo” possui regras que devem ser cumpridas à risca. 

Uma das regras diz respeito ao uso de celular, que é proibido no local.

“Não pode sair do abrigo. A vítima fica em regime de internato e não utiliza o telefone celular para que não haja comunicação com ninguém. Caso precise falar com a família, ela só pode acessar o telefone fixo do próprio abrigo. Além disso, também é proibido fumar”, explica a gerente de Proteção à Mulher da Secretaria de Estado da Segurança Pública, delegada Michelle Meira.

As regras também se aplicam às crianças, que também não podem sair do local. 

Uma parceria com a Secretaria de Estado da Educação faz com que elas não percam os estudos. 

“Temos uma professora pedagoga que faz o link com a escola onde a criança estudava antes de ir para o abrigo. Ela pega todo o material e vai aplicando para a criança, que continua sendo acompanhada”, explica a delegada.

 













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Layla dos Santos Freitas, advogada de gênero, lembra que tanto a mulher agredida quanto seus filhos sofrem grandes traumas e, por isso, passam a necessitar de auxílio emocional, psicológico, financeiro e social.

“Também precisam ser cuidadosos com as crianças, pois os traumas fazem parte da sua ainda pequena experiência de vida. Assim, é sempre importante pensarmos em políticas públicas que se comuniquem e fortaleçam a todos atores sociais envolvidos”, disse.


SAIBA MAIS


Tipos de violência

  • FÍSICA: É a agressão ao corpo, que pode ser feita por meio de socos, empurrões, beliscões, mordidas, chutes ou pelo uso de armas.
  • PSICOLÓGICA: É a agressão verbal, em forma de ameaças e também humilhação.
  • MORAL: É a utilização de palavras que ofendem, mentem e desqualificam a vítima.
  • SEXUAL: É a prática do sexo sem consentimento, por meio do uso da força e/ou sob ameaça, mesmo quando ocorre com o seu próprio parceiro (a).
  • PATRIMONIAL: É a que provoca danos, perda ou retenção de bens.

Violência doméstica

  • É qualquer ação ou omissão baseada no gênero que cause morte, lesão, sofrimento físico, moral, sexual e patrimonial.
  • Pode ocorrer em casa, onde pessoas dividem o mesmo espaço físico ou não.
  • Pode envolver, por exemplo, pais, mães, irmãos, irmãs, padrastos, madrastas, marido, mulher, companheiros e companheiras, mesmo que eles não dividam a mesma casa com a vítima.
  • Gênero
  • Discute sobre a construção social do que é ser mulher e do que é ser homem na sociedade.

Fonte: Especialistas consultados.


ENTENDA


O que é a Casa Abrigo?

  • É um abrigo de alta complexidade, mais restritivo, onde mulheres que estão correndo risco de morte podem ser acolhidas.

Em quais condições as vítimas são abrigadas?

  • O abrigo tem a atribuição de receber as mulheres que estão em situação de risco de morte devido à violência doméstica.
  • Elas podem estar acompanhadas pelos seus filhos de até 14 anos. 
  • As vítimas podem permanecer no local por até 180 dias (seis meses).

Regras

  • É proibido sair do local.
  • Não pode usar telefone celular, somente o aparelho fixo que o abrigo disponibiliza.

Números

  • 1.681 mulheres atendidas desde 2006.
  • 134 pessoas (65 mulheres e 69 crianças) atendidas atualmente.

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