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O impasse entre cirurgiões cardíacos, hospitais filantrópicos e a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) ainda não chegou ao fim. Na noite de ontem, a empresa Medcardio, composta por 25 médicos, recusou um acordo proposto e manteve a interrupção de cirurgias de coração pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Além das cirurgias eletivas (agendadas), suspensas desde o último sábado, os médicos afirmaram que não estão realizando, desde ontem, as de emergência.
Eles foram contratados por cinco hospitais filantrópicos que prestam serviço para a Secretaria de Saúde e fazem cerca de 150 cirurgias cardíacas por mês (80% de todas pelo SUS).
Além deles, as cirurgias pelo SUS estão mantidas apenas no Hospital das Clínicas (Hucam).
Na última terça-feira, o Ministério Público Estadual notificou a Sesa, os hospitais filantrópicos e a empresa recomendando que garantam os serviços à população. Ontem, o Ministério Público se reuniu com todas as partes.
“Ouvimos todos. No final, chegamos a uma proposta de acordo que atendesse às reivindicações de todos os envolvidos, que a empresa ficou de avaliar junto aos sócios”, revelou a promotora de Justiça e dirigente do Centro de Apoio Operacional de Implementação das Políticas de Saúde (Caops), Inês Thomé Poldi Taddei.
Ela frisou que é preciso que todas as partes se conscientizem que estão tratando da vida e da saúde da população capixaba, e não apenas de uma recomposição que deve levar em conta diversos fatores.
No final da noite, o advogado da Medcardio, Paulo Henrique Cunha, afirmou que o acordo não foi aceito, já que não havia proposta de recomposição da inflação dos últimos 10 anos ou para efetividade do pagamento da dívida de mais de R$ 5 milhões dos hospitais filantrópicos. “Nem ao menos garantiram que o novo modelo de contratualização feito com entre hospitais e Sesa será superavitário para garantir a remuneração”.
O MPES reforçou, na noite de ontem, que aguarda a resposta formal da empresa para avaliar as demais medidas que serão adotadas.
A Sesa pontuou que tem expectativa positiva quanto ao entendimento entre a empresa médica e os hospitais filantrópicos para que o serviço seja restabelecido. Destacou que as cirurgias cardíacas no SUS são feitas por hospitais filantrópicos, que são responsáveis pela contratação de empresas médicas.
OS HOSPITAIS
“Fora da realidade”
A Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos do Espírito Santo (Fehofes) informou que tem trabalhado para resolver o impasse. “O aumento solicitado pela empresa é de 70%, o que ampliaria o contrato para R$ 10 milhões ao ano. Esse percentual está fora da realidade dos hospitais, que já enfrentam dificuldades financeiras e que ainda terão impacto de R$ 7 milhões ao mês com novo piso da enfermagem”, disse em nota.
A federação frisou que cada instituição entrou com uma ação judicial para que os serviços fossem mantidos.