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Com o anúncio na última semana de paralisação dos serviços de cirurgiões cardíacos que realizam procedimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), cerca de 20 cirurgias eletivas (sem urgência) devem ser canceladas essa semana.
Após uma reunião ontem com representantes de hospitais filantrópicos contratados para realizar os procedimentos, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) deu um prazo de 24 horas para que os hospitais apontem quais medidas estão sendo tomadas para garantir os atendimentos aos pacientes.
O governo do Estado contratou hospitais filantrópicos para realizar os procedimentos. Os hospitais, por sua vez, contrataram uma empresa, a Medcardio, que conta com 25 cirurgiões. Mas para a empresa contratada, a manutenção dos serviços está insustentável.
Os cirurgiões pedem recomposição salarial, já que não têm reajuste há 10 anos, além de pagamento de dívida que os hospitais filantrópicos têm com a empresa.
Eles afirmam que os hospitais alegam que o valor repassado pela Sesa não é suficiente para fazer os pagamentos, já que houve redução do número de cirurgias realizadas.
Segundo os médicos, com menos cirurgias, os pacientes têm chegado à mesa de cirurgia com quadros mais graves, já que precisam esperar mais.
Com o impasse, a empresa dos cirurgiões anunciou que desde sábado deixaria de realizar cirurgias eletivas. Já as urgência e emergência seriam mantidas hoje apenas.
O advogado da Medcardio, Paulo Henrique Cunha, apontou que as cirurgias eletivas estão sendo desmarcadas – cerca de 20 até o final dessa semana.
“A dívida dos hospitais ultrapassa R$ 5 milhões e há hospitais que não pagam há mais de um ano. Essa desassistência não é por culpa dos médicos, pois mesmo com mais de um ano de atraso permaneceram trabalhando. Isso é de conhecimento da Sesa desde o final do ano passado, já que tem sido oficialmente alertada”.
ENTENDA
Impasse entre médicos e hospitais
Contrato
As cirurgias cardíacas pelo SUS no Estado, em sua maioria, são feitas em cinco hospitais filantrópicos: Rio Doce (Linhares); São José (Colatina); Evangélico de Vila Velha; Santa Casa de Misericórdia (Vitória) e Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim.
Os hospitais contrataram para o serviço a empresa Medcardio, composta por 25 cirurgiões cardíacos.
As cirurgias cardíacas pelo SUS realizadas no Hospital das Clínicas (Hucam) não foram afetadas.
Dificuldades
Entre os problemas, a empresa de cirurgiões alega que os hospitais têm dívida de R$ 5 milhões, somada a falta de recomposição salarial há 10 anos.
Os médicos afirmam, ainda, que houve redução no número de cirurgias, passando de 150 cirurgias por mês, para 100. Por isso, hospitais alegam dificuldade para pagamento.
A empresa Medcardio enviou na última sexta-feira um ofício aos hospitais filantrópicos e à Secretaria de Estado da Saúde informando da interrupção de serviços. No caso das cirurgias de urgência e emergência, ainda serão mantidas até hoje.
Fonte: Médicos e Medcardio.