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ALERTA NA BALADA

Vitória é a 2ª capital em que mais se abusa do álcool

Dados de 2021 foram divulgados pelo Ministério da Saúde

Capital: 23% exageram no álcool

Última atualização

 













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Muito além do perigo da ingestão de drogas ilícitas, uma pesquisa chama a atenção para um outro problema grave: o uso abusivo do álcool. 

Entre as capitais  em que as pessoas fazem o uso de álcool de forma abusiva com maior frequência Vitória ficou no segundo lugar, atrás apenas de Belo Horizonte, em Minas Gerais.       

Os dados de 2021 foram divulgados pelo Ministério da Saúde, na  nova edição da pesquisa Vigitel, que mapeia informações de saúde a partir do contato telefônico.

Em relação ao consumo abusivo de álcool, o índice nacional é 18,3%. Já  em Vitória, 23,3% dos entrevistados relataram exagerar na ingestão de bebida alcoólica pelo menos uma vez em 30 dias. Já em  Belo Horizonte,  25,2% das pessoas afirmaram que fizeram o uso abusivo de álcool pelo menos uma vez (por exemplo em uma festa, happy hour ou churrasco).

Entre os homens, Vitória fica na terceira posição: 32,6% disseram fazer uso abusivo em uma ocasião, enquanto a média nacional é 25%, ficando atrás de Belo Horizonte (36,2%) e Cuiabá (35%).

Esse consumo, para a pesquisa, se caracteriza quando em uma única ocasião são ingeridas cinco doses ou mais de uma bebida, para homens, e quatro ou mais doses de álcool para mulheres (cada dose equivale a uma lata de cerveja, uma taça de vinho ou shot de bebida destilada).

 A doutora em Sociologia e coordenadora  do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), Mariana Thibes, explicou que esses indicadores são importantes para  entender o impacto do álcool na saúde da população brasileira.

“No curto prazo, esse consumo de forma abusiva aumento riscos de  quedas, envolvimento em brigas, acidentes de trânsito, sexo desprotegido. Já a longo prazo, o consumo abusivo está relacionado a mais de 200 tipos de doenças diferentes, incluindo vários tipos de câncer, como de fígado, de faringe e outros”, apontou. 

Ela ainda revelou que, na última década, o País vinha  com uma estabilidade  no consumo abusivo de álcool, mas com pequeno aumento em 2020. “A preocupação era que a pandemia tivesse tido reflexos nesse uso. A pesquisa de 2021 mostrou que  os dados voltaram aos mesmos patamares.”

Mas ela fez um alerta especial para Vitória, em que o aumento continuou sendo apresentado, ao contrário do dado nacional. “Isso serve de alerta para o poder público, para adotar políticas de prevenção”.  



SAIBA MAIS

A pesquisa 

A Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) monitora, desde 2006, a frequência  dos principais fatores de risco e de proteção das doenças crônicas não transmissíveis. Entre os indicadores, está o  consumo abusivo de álcool.

Consumo abusivo de álcool

 O índice, também chamado de Beber Pesado Episódico (BPE), é  uso nocivo  do álcool, que equivale ao consumo de 60 g ou mais (cerca de 4 doses ou mais) de álcool puro em uma única ocasião ao menos uma vez no último mês. 

Uma dose corresponde ao equivalente a uma lata  de cerveja, uma taça de vinho ou um “shot” de destilado (vodca, uísque, cachaça, gin ou rum).

Resultado

A pesquisa apontou  o percentual da população que nos últimos 30 dias ingeriu álcool de forma abusiva pelo menos em uma ocasião. 

no caso de homens, seria quem em uma só ocasião bebeu  cinco ou mais doses (5 latas de cerveja, 5 taças de vinho ou 5 shots de destilado). Já as mulheres, de quatro ou mais doses.

Vitória teve o 2º maior percentual de pessoas (23,3%) que afirmou ter feito uso abusivo de álcool  nos últimos 30 dias.














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Mulheres mais afetadas, dizem especialistas

Entre os riscos para o consumo abusivo do álcool, especialistas destacam que as mulheres podem ser mais afetadas.

A doutora em Sociologia e coordenadora  do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa),  Mariana Thibes, explicou que a pesquisa Vigitel ainda aponta um crescimento do consumo de forma abusiva entre as mulheres, principalmente na faixa etária dos   18 a 24 anos.

“Temos o organismo da mulher mais vulnerável ao álcool devido a uma série de fatores, por exemplo, menos água no corpo, menos massa muscular e até menos enzimas que metabolizam o álcool. Não é uma questão social a dose dela ser reduzida para quatro para ser considerado uso abusivo”.

Ela explicou, ainda, que os impactos na saúde  associados a esse consumo sem moderação para elas aparecem também de forma mais precoce que em homens.   

Valber Dias Pinto, médico psiquiatra e professor, reforça  que as mulheres  realmente têm o metabolismo  um pouco mais  lento ou menos “eficiente” para álcool. 

A título de comparação, ele disse: “Vamos dizer  que   uma dose de álcool na mulher equivale a   duas doses de álcool no homem”.

O médico psiquiatra Jairo Navarro acrescentou que tem sido percebido um uso maior de substâncias psicoativas em geral por parte das mulheres, assim como pelos mais jovens. 

Drogas

Sobre o efeito das drogas no organismo, suspeita para a morte  da estudante Adrielly Duarte de Oliveira – a família diz que ela deve ter sido dopada em uma festa rave – Valber Dias alertou para a combinação de entorpecentes.

“Sobre a questão do uso de substâncias combinadas, muitas vezes pode ter efeito sinérgico. Ou seja, é possível que efeito de uma substância combinada a outras podem ter os efeitos potencializados e muito danosos.”

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