Em um acordo extrajudicial, a varejista de roupas Zara e o Shopping da Bahia, acusadas de injúria racial, vão indenizar o estudante estrangeiro e negro Luiz Fernandes Júnior, de 28 anos, após o jovem ter sido acusado por uma atendente da loja e um segurança do shopping de ter furtado uma mochila de R$ 329 em dezembro do ano passado. O valor da indenização não foi informado. As informações são do portal UOL.
O estudante nascido em Guiné-Bissau e morador de São Francisco do Conde, onde cursa mestrado na Unilab (Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira), foi discriminado mesmo após apresentar a nota fiscal do produto.
Luiz Fernandes Júnior registrou boletim de ocorrência relatando o caso. “Eu dizia que tinha como provar que paguei pela mochila, mas ele não queria saber. Disse que eu tinha roubado e foi ficando com o tom de voz cada vez mais agressivo. Senti que ele podia atirar em mim ali mesmo, dentro do banheiro, e depois justificar que eu tentei atacá-lo. Senti medo de morrer. Nem terminei o que eu estava fazendo, vesti minhas calças e sai para o corredor em busca de um lugar onde outras pessoas pudessem testemunhar o que estava acontecendo”, afirmou o jovem.
O advogado Thiago Thobias, que está representando o jovem no caso, confirma o acordo. “Em 22 anos atuando na defesa de vítimas de racismo, esse é um caso inédito pra mim por três motivos: é a primeira vez que eu vejo uma empresa tomar a iniciativa de fazer um acordo extrajudicial, realizar esse acordo em tempo recorde e ainda por cima indenizar a parte ofendida com um valor muito superior ao que a Justiça brasileira costuma arbitrar”, disse. Na época do ocorrido, Thobias afirmou que pediria R$ 1 milhão às empresas acusadas a título de “indenização civilizatória”.
Procurada pela reportagem para esclarecer por que firmou acordo com Fernandes a Zara declarou, por meio de sua assessoria de imprensa no Brasil, que não vai se manifestar sobre o assunto. O Shopping da Bahia confirmou em nota “que os envolvidos no caso chegaram a um entendimento, mas este exige confidencialidade e que reitera seu papel de combater qualquer tipo de discriminação e mantém um trabalho contínuo de conscientização e reeducação de todos os colaboradores, dada a importância e a urgência desse tema”, informou.