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SAÚDE

Fala Doutor: Esclerose múltipla surge em qualquer fase da vida

Perda de equilíbrio, força e sensibilidade, além de alterações visuais, urinárias e de comportamento estão entre os sintomas

Jovana Gobbi diz que a doença não tem cura, mas pode ser tratada

Última atualização

A esclerose múltipla é uma doença autoimune que atinge o cérebro, os nervos ópticos e a medula espinhal. Apesar de ser mais frequente em pessoas com idade entre 18 e 55 anos  em média, ela também pode ocorrer em crianças, adolescentes e idosos.

 













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Neurologista e vice-presidente da Regional Capixaba da Academia Brasileira de Neurologia (ABneuro), Jovana Gobbi diz que a doença pode afetar mais de um local dentro do sistema nervoso central e causar diversos sintomas.

“A esclerose múltipla pode atacar nervo óptico, medula espinhal e cérebro, causando sintomas como perda de força, perda de sensibilidade, alterações visuais, alterações urinárias e de comportamento, entre outros”.

Em entrevista ao AT em Família, a médica revelou os tipos de esclerose múltipla, como é feito o diagnóstico, a importância do tratamento e muito mais.

A Tribuna – O que é a esclerose múltipla?

Jovana Gobbi – É uma doença neurológica, autoimune e crônica. Por ser uma doença autoimune, a proteína chamada mielina, que está presente no sistema nervoso central, é um dos principais alvos do sistema imune alterado.

Esta proteína reveste as fibras nervosas facilitando a condução dos impulsos nervosos e, quando lesada, impede a comunicação entre os neurônios e provoca perda de função do sistema. 

Quando isso ocorre, a região afetada sofre uma cicatrização chamada de “esclerose” e quanto mais atividade imune ou inflamatória, mais lesões e maior é a perda da função nervosa.

Como a esclerose múltipla pode afetar os pacientes?

Como o próprio nome diz, a doença pode afetar mais de um local dentro do sistema nervoso central e também em períodos variados da vida. 

Assim, a esclerose múltipla pode atacar o nervo óptico, a medula espinhal e o cérebro, causando sintomas variados como perda de força, perda de sensibilidade, alterações visuais, perda de equilíbrio, alterações urinárias, fadiga, alterações de comportamento, entre outros.

Ela é mais frequente em algum grupo de pessoas?

Essa doença é mais frequente em pessoas com idade entre 18 e 55 anos em média, do sexo feminino e de etnia branca, mas podem ocorrer exceções. A esclerose múltipla também pode atingir crianças, adolescentes e mais raramente idosos.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico deve começar pela história clínica e pelo exame neurológico detalhado do paciente. Também deve seguir os atuais critérios mundiais e devem ser realizados exames complementares, em especial de neuroimagem, como a ressonância do neuroeixo (crânio e colunas), entre outros exames laboratoriais para excluir mais doenças autoimunes.

Como é feito o tratamento?

O tratamento é de suma importância e deve ser feito de forma precoce para prevenir novas lesões, perdas e controlar o processo inflamatório. 

Nos últimos anos, muitas descobertas científicas possibilitaram uma melhoria no tratamento, com novas drogas imunomoduladoras e supressoras baseadas de forma específica no processo inflamatório da doença. 

Inclusive, muitos desses medicamentos estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS).

Quais os tipos de esclerose múltipla?

Há quatro formas de evolução clínica da doença: remitente-recorrente (EM-RR), primariamente progressiva (EM-PP), primariamente progressiva com surto (EM-PP com surto) e secundariamente progressiva (EM-SP).

A forma mais comum é a EM-RR, que representa 85% de todos os casos no início dos sintomas. Já a forma EM-SP é uma evolução natural da anterior, ocorrendo em 50% dos casos após 10 anos do diagnóstico.

Qual a importância do tratamento multiprofissional?

De extrema importância. Ele deve incluir neurologista, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, psicólogo e terapeuta ocupacional.


Perguntas dos leitores


O que leva o paciente a sofrer com essa doença?

Norma leffler, 71 anos, aposentada

Estudos recentes estão possibilitando que os profissionais entendam melhor a doença, mas existem muitos fatores genéticos (nem sempre hereditários), assim como ambientais (região temperada, infecções virais, tabagismo, entre outros) que podem contribuir para sua origem. Ela é multifatorial.

Existe cura para a Esclerose Múltipla?

Bertha Veiga Martins, 61 anos, costureira

Não existe cura, mas sim um controle do processo inflamatório. Assim, é possível levar à redução e a uma menor incidência das lesões e, consequentemente, menor perda funcional. Por isso, o tratamento precoce é de suma importância, porque com ele a funcionalidade do corpo é preservada e são evitadas sequelas.


SAIBA MAIS


Fatores de risco

  • A esclerose múltipla é uma doença multifatorial, o que quer dizer que existem diversos fatores que podem ocasioná-la.
  • Ela pode ser causada tanto por fatores genéticos, que nem sempre são hereditários, quanto ambientais. 
  • Os ambientais são viver em regiões temperadas, como América do Norte e Europa, infecções virais e hábitos de vida como o tabagismo.

Fique por dentro


A esclerose múltipla é uma doença autoimune, que pode afetar mais de um local dentro do sistema nervoso central.

  • Ela pode atacar o nervo óptico, a medula e o crânio, causando sintomas como perda de força, perda de sensibilidade, alterações urinárias, alterações de comportamento, entre outros.
  • A Esclerose múltipla é mais frequente em pacientes com idade entre 18 e 55 anos.
  • O diagnóstico é feito a partir de um histórico clínico e exames neurológicos, além de testes complementares.
  • Não existe cura para a esclerose múltipla, mas com o tratamento adequado é possível controlar o processo inflamatório.
  • Mielina – É uma proteína formada por uma membrana rica em colesterol.
  • Neuroeixo – É composto pelo encéfalo (cérebro e tronco encefálico) e pela medula espinhal.

Os números

  • 2,5 milhões sofrem com a doença no mundo 
  • 2% da população capixaba é vítima da esclerose múltipla
  • 85% dos casos são causados pela forma primariamente progressiva (EM-PP)

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