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ENTREVISTA

“Não adianta você querer cortar caminho”, diz cantor

Gustavo Mioto critica carreiras meteóricas e fala sobre novo DVD e como a fama atrapalha relações

Gustavo agitou 40 mil pessoas em show, após dois anos parado

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Basta uma canção viralizar na internet para que um artista conheça um pouco da fama. Mas, num piscar de olhos, ela pode acabar e outro nome surge. É consciente de que uma carreira não se constrói da noite para o dia que Gustavo Mioto celebra seus 10 anos de trajetória musical.

“A gente tem que construir uma carreira assim como constrói uma casa. Tem que começar pelo alicerce, por concreto, depois o tijolo, depois vai subindo a parede… Tem que ser um processo. Não adianta querer cortar caminho, porque milagre não existe. Tem que enxergar lá na frente. Pensar: ‘vamos devagar, não vamos gastar igual louco ou sair gravando músicas que não acreditamos só pra dar certo’. Sempre prezei muito pela qualidade, e assim fui criando a minha estrada”, afirma o cantor ao AT2.

Aos 24 anos, ele comemora sua primeira década de carreira com uma série de 10 lançamentos. “Gustavo Mioto – Sem Cortes Ao Vivo em Jaguariúna”, já disponível nas plataformas de áudio e no YouTube, abre os trabalhos com hits como “Anti-Amor” e “Contramão”.

“A ideia era mostrar o show de estrada. Vamos ter mais dois ‘sem cortes’, com músicas novas, três álbuns ‘Pé na Areia’, que é um evento nosso que já tem até disco, mas estamos voltando com ele agora. E tem mais três edições do festival ‘Solteiro Não Trai’, outra label que estamos criando. E ainda tem um acústico no final do ano”, salienta Gustavo, que segue solteiro desde o fim do namoro com a influenciadora Thaynara OG, em outubro.


“O palco é um perrengue! Já rasguei calça, caí…”, afirma o cantor


AT2 – Está completando 10 anos de carreira. Como avalia sua trajetória? 

Gustavo Mioto – A gente viveu e vive muita coisa. Cada projeto é um ciclo novo, então temos muitos projetos diferentes que acreditamos e foram acontecendo. De “Impressionando Anjos” (2016) para frente, todo trabalho foi o projeto da minha vida. A partir do momento em que você começa a acertar, você cria uma pressão maior. Desses 10 anos, cinco são de vitórias. Então, tem sido uma década insana!

Quais os desafios de lançar um projeto sem cortes?

Era de estar de novo no palco com 40 mil pessoas na sua frente. Conseguir levantar a galera depois de 2 anos parado. A gente gravou na tora, não parou ou voltou para regravar nada. Não cortou erro, deixou tudo ali, exatamente pra galera botar o fone, fechar os olhos e se sentir ali com a gente. 

Então, não podiam errar?

Não é nem que não pode errar, é que a gente tenta não errar. Mas errar é um negócio que acontece uma hora ou outra. A gente toca o mesmo show todos os dias, durante meses e acontece, às vezes, de escapar um erro ou outro, de esquecer a letra, ou alguém da banda errar uma nota. Acontece. 

Tem muito perrengue de palco?

O palco é um perrengue! (Risos) A qualquer hora pode acontecer algo. Já rasguei calça,  caí… 

Seu pai atua no ramo de shows. Quando veio o entendimento do que é ser um artista?

Passei a entender que uma carreira era mais do que cantar só quando chegou a fama. Quem estava perto, como eu, via que tem muita coisa fora cantar. Mas, hoje, na velocidade em que as coisas funcionam, é muito diferente. Nunca fiz algo pensando na fama. 

Desde adolescente, está na estrada. Se arrepende de ter entrado nesse universo tão cedo? 

Não. Sou muito feliz com tudo que rolou, está rolando e que vai rolar. Comecei na época que era para começar, as coisas são como têm que ser. Via meus amigos vivendo a vida deles, achava muito massa, tinha curiosidade de como seria viver aquilo lá, da mesma forma que eles também tinham curiosidade sobre as minhas vivências.

Como lida com as cobranças do público?

Às vezes, estar na mídia é o ônus do negócio, então você tem que estar preparado para ser uma pessoa pública e aguentar o hate, a cobrança. Você tem que estar disposto a viver isso, a partir do momento que decide viver da música. Tem que estar preparado. É uma vida muito louca, que, às vezes, exige muito mais do mental do que do físico.   

Em muitas das vezes que conversamos, você estava solteiro. A fama o atrapalhou a ter relacionamentos?

A fama atrapalha um pouco os relacionamentos de todo mundo, não só o meu. Vemos vários casais com problemas devido à superexposição. Mas eu não posso reclamar, porque tive um relacionamento maravilhoso de 3 anos. A partir do momento que gravei DVD em São Paulo, que foi o grande “boom” da minha vida, comecei a namorar, então não foi um negócio que me atrapalhou. Atrapalha, sim, a superexposição, mas a fama não me privou de ter um relacionamento naquele momento.

Há seis anos, revelou que era um “bobinho apaixonado”. Continua sendo?

Boa pergunta! Não faço ideia! A gente acaba amadurecendo com o tempo e ficando um pouco mais ligeiro, esperto com a vida. Mas, neste momento, esses 10 anos de carreira tomaram conta da minha vida toda. É a única coisa que dá para prestar atenção.

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