Pesquisa realizada pela PSafe, empresa de segurança digital líder de mercado na América Latina, revelou que quatro em cada cinco brasileiros raramente trocam suas senhas na internet.
Estima-se que, no Estado, esse valor represente mais de 2 milhões de pessoas, as quais podem estar vulneráveis a invasões.
Um levantamento sobre a confiança do brasileiro em relação à internet demonstrou que 50,58% dos entrevistados raramente modificam suas senhas. E, mais grave ainda, 27,28% revelou nunca se preocupar com isso.
Com isso, 77,86%, ou quatro em cada cinco brasileiros, podem estar em risco porque há inúmeras senhas disponíveis na Deep Web, a chamada “internet das sombras”.
A pesquisa foi realizada com 9.638 pessoas, que são usuários do aplicativo dfndr security, da PSafe.
Projeções foram feitas tendo como base o número de usuários do sistema Android no Brasil, que é de 131,1 milhões de pessoas, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O especialista em Segurança da Informação e crimes virtuais Eduardo Pinheiro lembra de um dos maiores vazamentos de dados da história, em junho do ano passado. Na época, 8,4 bilhões de senhas foram expostas em um fórum da internet.
“Ou seja, os criminosos têm as nossas senhas, e isso acaba deixando o usuário vulnerável. Se ele não tem o hábito de atualizar suas senhas, a questão se a conta dele será invadida ou não nem é um questionamento, mas quando. É uma questão matemática”, afirma Pinheiro.
O diretor da Action (Associação Capixaba de Tecnologia) e presidente do Copin (Conselho de Política Industrial e Inovação da Findes), Luiz Antonio De Biase, explica que os criminosos estão interessados em dois tipos de informações dos usuários.
“As informações demográficas são informações que te identificam. Elas são úteis a outros ataques. São usadas para fazer engenharia social, que é quando o cara tenta te convencer a dizer suas senhas ou te fazer transferências. Já as informações financeiras são aquelas capazes de fazer o dano direto na sua conta”, explica de Biase.
Gerenciador de senhas é opção que divide opiniões
A maioria dos especialistas em segurança digital sinaliza que uma forma de manter suas inúmeras senhas “guardadas” são os gerenciadores de senhas ou carteiras digitais. Mas o método ainda divide opinião.
Para o professor de Tecnologia da Universidade Católica André Luiz Scampini, a melhor forma de se proteger é usar diferentes senhas para cada conta.
“Só que você não vai conseguir memorizar a senha para cada acesso. Melhor usar um aplicativo que faça isso. Existem alguns que fazem gerenciamento de senha. Inclusive, esses aplicativos mudam até a senha automaticamente de tempos em tempos”, explica.
Esses aplicativos são conhecidos como carteiras digitais. Eles funcionam como um cofre de senhas. Exigem uma senha master, ou uma senha principal, para o seu acesso.
O diretor da Action, Luiz De Biase, também acredita que esses apps possam ser uma boa solução, mas sinaliza que eles necessitam ter um cuidado muito grande.
“O cofre digital tem que ser feito com muito cuidado e disciplina, senão a solução vira um problema maior ainda. Existem várias opções nesse sentido, cada um tem um propósito. Tem aplicativo que preenche senha automaticamente. Tem os que te lembram de mudar senha”, afirma.
Músicas
Para Paulo Roberto Penha, consultor de Tecnologia e Segurança da Informação, o melhor ainda é decorar a própria senha ou fazer associações com músicas que se gosta. O especialista enxerga com cautela as carteiras digitais.
“Está sendo um problema porque, se vazar, todas as suas senhas estão lá. Você pode ter problema. Antigamente usavam planilhas de senha. Um belo dia, esquecia a senha da planilha”, conta.
Por fim, Luiz De Biase recomenda que os cofres de senhas devam ter dois fatores de autenticação. “Deve exigir sua biometria mais uma senha complementar”, afirma.