Enquanto a Prefeitura do Rio de Janeiro já discute o fim da obrigatoriedade do uso de máscara em locais fechados, especialistas do Estado acreditam que ainda é prematuro adotar essa medida.
Para espaços abertos, porém, eles afirmam que a liberação apresenta menos riscos, já que o contágio é menor.
Em algumas capitais, como Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS) e Brasília, o uso da máscara, em locais abertos, já foi dispensado. Outras também estão flexibilizando o uso, como São Luís (MA), Cuiabá (MT) e Florianópolis (SC). Em São Paulo, o governo vai discutir a liberação nesta semana.
O infectologista Luís Henrique Borges destaca que as máscaras ainda devem ser mantidas em locais fechados, como escolas, academias, cinemas e teatros.
“Já em locais abertos, o que temos visto é que as pessoas não estão mais usando. Com a queda do índice de casos e avanço da vacinação, isso poderia ser permitido. Nos espaços abertos, como praia e ruas, onde tem uma circulação livre de ar e as pessoas não ficam aglomeradas, mantendo a distância, acho que essa liberação é possível”, ressaltou.
A pneumologista e intensivista Dyanne Moyses Dalcomune afirma que a liberação ainda é precipitada. “A combinação ‘máscara e vacina’ é a ideal para sairmos de vez do cenário de pandemia. Com a circulação livre do vírus, há maiores chances do surgimento de novas variantes. E toda variante é uma incógnita”.
“Ao menos em lugares fechados, sem circulação de ar ou lugares com aglomeração de idosos ou de uma população mais suscetível a evoluir de forma grave, devemos manter o uso das máscaras”, completou Dyanne.
Posicionamento semelhante tem a pneumologista Ciléa Victória Martins.
“O uso da máscara deve ser mantido. Em áreas bem abertas e ventiladas, com ar livre circulante, com controle de distanciamento, seria possível a liberação. Porém, em áreas fechadas, como transporte público, filas e aglomerações, deve-se usar máscara”, pontuou.
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) disse à reportagem, na última sexta-feira, que o “debate para a liberação do uso de máscaras é prematuro”. Já em Vitória, a prefeitura respondeu, por nota, que “até o momento, não há nenhuma orientação sobre a liberação”.