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IMPACTOS DA PANDEMIA

Saúde emocional das famílias nunca foi tão afetada, dizem especialistas

Conflitos entre pais e filhos, medo, ansiedade e depressão estão entre os reflexos da covid-19

As irmãs Queila, Sônia e Magaly superaram as angústias e os medos da covid para cuidar da mãe

Última atualização

A marca de dois anos da pandemia foi ultrapassada. Com o avanço da vacinação contra a covid-19, o medo da doença não é mais tão evidente. Porém, os reflexos do tempo em confinamento e das mais de 14 mil mortes, só no Espírito Santo, começam a ser evidenciados na saúde emocional. 

Com todas as mudanças e ameaças provocadas pelo novo coronavírus, médicos e psicólogos afirmam que a saúde emocional das famílias nunca foi tão afetada como durante os picos da pandemia. 

Conflitos entre pais e filhos, ansiedade, depressão, insônia e medo de se encontrar com outras pessoas são alguns dos comportamentos que refletem esse impacto. 

Para o psicólogo Alexandre Vieira Brito, lidar com o desconhecido, com o medo e a presença constante da morte criou instabilidades e oscilações nas emoções. “A pandemia impactou as famílias, desenvolvendo conflitos de convivência. Isso pode levar ao adoecimento familiar, rompimento e afastamento entre seus membros”.

A pandemia fez com que as famílias se sentissem mais vulneráveis e inseguras, salienta a psicóloga Rubia Passamai. “As pessoas se sentiram incapazes de lidar com todos os desafios,  resultando no aumento de casos de depressão, ansiedade e pânico, por exemplo”.

Perdas reais, como a morte, ou simbólicas, como o divórcio, geram alterações emocionais, como explica o psiquiatra Valdir Ribeiro Campos, presidente da Associação Psiquiátrica do Espírito Santo (Apes). “Qualquer mudança seja ela negativa ou positiva, é geradora de estresse. No caso da pandemia, evento negativo, gerou e continuará a gerar alterações emocionais”.

Casos de ansiedade, depressão e problemas conjugais provocados pela pandemia também trouxeram reflexos físicos, como, por exemplo, distúrbios no sono. 

No Brasil, uma pesquisa realizada em 2020 pelo Instituto do Sono revelou que 55,1% dos  entrevistados alegaram piora do sono. O aumento das preocupações foi o principal motivo apontado, por 75,1%.  

“Foi uma mudança muito radical. As famílias não estavam preparadas, nem psicológica e nem fisicamente, para esse processo”, observa a médica Luciane Mello, do Instituto do Sono.

 













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Superação com fé, união e terapia

Foi com a família unida na fé que as irmãs Queila Assumpção, de 58 anos, Sônia Regina Assumpção, 67, e Magaly Assumpção, 60, superaram as angústias e os medos da covid para cuidar da mãe, Stelida Assumpção Fernandes, de 91 anos.

Queila conta que, no começo, se sentiu desesperada, teve medo, insegurança, tudo misturado. “Era um fato desconhecido, tinha a incerteza, que ainda acontece. Afetou a saúde mental. Não foi fácil”, cita.  

“Não fui a única na família. Tivemos muita ansiedade e pânico, o que ocasionou depressão. Mas, com a fé, a esperança, o laço familiar e a segurança de que não estamos sozinhas conseguimos lidar com isso tudo. Junto com o apoio da psicoterapia, estamos conseguindo superar”.

Crianças e idosos são os que mais sofrem

Os reflexos emocionais da pandemia afetaram as pessoas de diferente formas, mas idosos e crianças são os que mais sofrem, como mostram pesquisas e especialistas. 

Estudos apontam que, com a pandemia, aumentou o índice de depressão em idosos.

“Além de serem mais vulneráveis, do ponto de vista fisiológico, os idosos sentiram de forma potencializada o isolamento, tão prejudicial nessa faixa etária em que se manter ativo, conviver com outras pessoas e se distrair são hábitos fundamentais”, explica a psicóloga Rubia Passamai. 

Já o psicólogo Alexandre Vieira Brito ressalta que a educação, a cultura, o esporte e o lazer são áreas que foram amplamente limitadas ao longo da pandemia, afetando, principalmente crianças e adolescentes.

O isolamento social é o grande gerador do pânico e adoecimento, observa o psiquiatra Valdir Campos. “Somos seres que necessitamos uns dos outros, principalmente, nos momentos mais frágeis da vida”, salienta.


SAIBA MAIS


Saúde emocional

  • A Saúde emocional, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é um estado de bem-estar onde o indivíduo realiza suas próprias habilidades, lida com os fatores estressantes normais da vida, trabalha produtivamente e é capaz de contribuir com a sociedade.
  • Saúde mental é  o termo relacionado à forma como uma pessoa reage às exigências, mudanças e aos desafios da vida, sua capacidade de resiliência e ao modo como harmoniza suas ideias e emoções.

Impactos da pandemia

Conflitos entre pais e filhos

  • O contexto de confinamento do início da pandemia causou alterações bruscas e repentinas na rotina de todos da família, que tiveram de conviver 24 horas por dia dentro de casa. Com isso, as  relações familiares tendem a se intensificar, favorecendo o aumento de conflitos e até casos de violência doméstica. 
  • Pesquisa do DataFolha mostra que 31% dos brasileiros acham que a relação familiar piorou durante esse período.

Sobrecarga de trabalho

  • Junto ao estresse da convivência familiar, veio a nova rotina, com o home office e aulas online, o que gerou sobrecarga, exigindo maior equilíbrio emocional entre pais e filhos. 
  • O estresse constante pode causar ansiedade, cansaço extremo, além da síndrome de Burnout,    uma doença mental que surge após o indivíduo passar por situações de trabalho desgastantes.

Distúrbios do sono

  • Uma pesquisa do Instituto do Sono aponta que  55% dos entrevistados relataram piora do sono durante a quarentena, por motivos que incluem a preocupação com os efeitos da pandemia, maior exposição às telas de TV, computador e celular, dificuldade em iniciar o sono e indisposição ou falta de entusiasmo. 
  • Falta de sono ou noites mal dormidas pode gerar ansiedade, depressão, problemas de memória e até problemas cardiovasculares.  

Luto

  • Com o sofrimento e a morte de pessoas queridas pela covid, há intensificação do luto nas famílias brasileiras. Além de ansiedade e depressão, pode ocorrer o transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), consequência psiquiátrica de uma exposição a um trauma.

Instabilidade financeira

  • Com o aumento do desemprego, a instabilidade financeira e a crise econômica trouxeram grandes preocupações às famílias, que em muitas delas ainda perpetuam.
  • Tais preocupações agravam casos de ansiedade e depressão, e trazem distúrbios do sono, como a insônia.

Fonte: Especialistas consultados.

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