Marcado por sintomas como tristeza, perda de interesse e desânimo, a depressão vem crescendo e já atinge 30 mil mulheres em Vitória.
Dados da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas Por Inquérito Telefônico (Vigitel) 2021, do Ministério da Saúde, apontam que 15,67% das entrevistadas relataram o diagnóstico da doença na capital.
Em números absolutos, isso representa cerca de 30 mil mulheres, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O levantamento mostrou ainda uma diferença grande em relação aos homens. Em Vitória, apenas 5,34% dos entrevistados afirmaram que tiveram diagnóstico de depressão, o que chega a quase 9 mil pessoas.
No ranking de capitais do País, Vitória ficou em 14º lugar no geral de maior frequência de diagnósticos de depressão, com 17,49% das pessoas convivendo com a doença.
Para médica psiquiatra da Associação Psiquiátrica do Espírito Santo, Maria Benedita Reis, alguns fatores contribuem para essa diferença na proporção de pessoas com a depressão.
“Os homens, no geral, buscam menos os serviços de saúde. Muitas vezes são criados para se mostrarem fortes, resolverem as coisas sozinhos, então há uma certa subnotificação dos diagnósticos da depressão. Já mulheres cuidam mais de si e dos outros também”.
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Ela acrescentou que a ala feminina também tem maior costume de falar sobre os sentimentos. “Vale lembrar que a pesquisa, feita em 2021, traz um viés da pandemia de covid-19, que provocou um aumento de casos diagnosticados.”
A psiquiatra da Rede Meridional Carolina Coser ressaltou que além da subnotificação entre os homens, as questões hormonais da mulher as tornam mais suscetíveis a problemas como a depressão.
O médico psiquiatra da Unimed Vitória, Vicente Ramatis, frisou que, somado a esses fatores, estão demandas do mundo moderno. “Grande parte dos lares brasileiros tem mulheres como chefe de família. Elas são mais sobrecarregadas para cuidar da casa, dos filhos, trabalhar. Também há crescimento do alcoolismo feminino. O álcool é uma droga depressora do sistema nervoso central que tem, entre os efeitos tardios, a depressão”.
SAIBA MAIS
Pesquisa
- A vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) monitora, desde 2006, a frequência dos principais fatores de risco as doenças crônicas não transmissíveis nas capitais. No ano passando, a pesquisa passou a avaliar, pela primeira vez, a depressão na população.
Outros resultados do estudo
Depressão por sexo (Vitória)
- 15,67% (mulheres)
- 5,34% (homens)
Por faixa de idade
Faixa Percentual
- 18 a 24 – 10,43%
- 25 a 34 – 9,8%
- 35 a 44 – 11,04%
- 45 a 54 – 12,03%
- 55 a 64 – 13,2%
- 65 e mais – 12,83%
Ranking das capitais
- 1 – Belém – 7,19
- 2 – Salvador – 7,97
- 3 – São Luís – 8,04
- 4 – Macapá – 8,24
- 5 – Cuiabá – 9,23
- 6 – São Paulo – 9,74
- 7 – Goiânia – 10,1
- 8 – Rio Branco – 10,16
- 9 – Manaus – 10,22
- 10 – Boa Vista – 10,29
- 11 – Porto Velho – 10,61
- 12 – Teresina – 10,78
- 13 – Aracaju – 10,87
- 14 – Vitória – 10,92
- 15 – João Pessoa – 10,95
- 16 – Distrito Federal – 11,18
- 17 – Maceió – 11,26
- 18 – Palmas – 11,32
- 19 – Fortaleza – 11,45
- 20 – Natal – 11,75
- 21 – Rio de Janeiro – 11,94
- 22 – Recife – 12,46
- 23 – Curitiba – 16,06
- 24 – Campo Grande – 16,58
- 25 – Florianópolis – 17,08
- 26 – Belo Horizonte – 17,15
- 27 – Porto Alegre – 17,49
Fonte: Vigitel