Quatro a cada dez brasileiros têm algum familiar com câncer, o que representa 40% da população. É o que aponta uma pesquisa do Instituto Oncoguia, feita em parceria com o Datafolha e divulgada recentemente.
O índice de quem tem um conhecido com a doença é ainda maior, chegando a 80% da população.
“Esse dado nos mostra o quanto precisamos seguir conscientizando a população sobre a prevenção e o diagnóstico. Ter câncer não é igual a morrer, e isso dependerá de acesso à informação, mas também de acesso a cuidados com a saúde”, afirmou a presidente do instituto, Luciana Holtz.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que, a partir de 2030, o câncer vai ser a primeira causa de morte em todo o mundo – hoje, varia entre terceira e quarta causa. O oncologista da Rede Meridional, Fernando Zamprogno, destaca que, de fato, o número de casos vem crescendo por alguns fatores específicos.
“O aumento tem a ver com os melhores métodos diagnósticos e também com a população maior que temos hoje. Além disso, no Brasil, metade de todos os cânceres são câncer de pele não melanoma, e somos um País em que as pessoas gostam de estar no sol”.
O especialista destaca, ainda, que hoje o tratamento está muito mais evoluído. “Existe uma estratégia de tratamento, que vai envolver cirurgia, quimioterapia, radioterapia, terapia alvo, terapia molecular, toda uma gama de tratamento muito maior do era há 20 anos”.
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Quem passou pelo tratamento é a aposentada Neiva Vasconcelos Pereira, de 74 anos. Ela descobriu um câncer de mama em 2020 e passou pelo processo de quimioterapia e radioterapia.
A filha dela, a empresária Fabiana Vasconcelos Pereira, de 51 anos, contou que a descoberta do câncer trouxe surpresa para a família.
“Foi um choque, pois nunca iríamos imaginar. Ela sempre foi uma fortaleza, nunca teve nada. O câncer foi descoberto com uma verruga embaixo do braço. Foi um ano de muita luta no tratamento. Hoje, ela já teve alta da quimio e está tomando medicação”, contou Fabiana, que mudou os próprios hábitos.
“Foi alertado que os hábitos ruins e a alimentação não saudável podem levar ao câncer, então mudamos hábitos alimentares e a rotina”.
Alimentos e hábitos que aumentam o risco da doença
Além dos hábitos não saudáveis, alguns alimentos elevam o risco de câncer, de acordo com especialistas. Alimentos como carne defumada, produtos ultraprocessados, instantâneos ou refinados, álcool e frituras podem elevar o risco de desenvolver a doença.
O médico radioterapeuta Carlos Rebello, do Instituto de Radioterapia Vitória (IRV), afirma que uma alimentação pobre em fibras e propriedades antioxidantes, que protegem o organismo, pode desencadear o surgimento de tumores.
“O objetivo da nutrição é levar energia e nutrientes necessários para que o organismo possa funcionar de forma equilibrada e normal. Daí a importância de uma dieta saudável”, ressaltou Rebello.
O médico afirma que carne processada, frituras, refinados, álcool, bebidas gaseificadas, enlatados e instantâneos não devem ser consumidos em excesso.
“Esses alimentos podem levar ao desequilíbrio oxidativo, aumento de radicais livres, inflamação no corpo. No caso dos enlatados, há ainda o risco do Bisfenol A, composto que quando dissolvido nos alimentos pode causar desequilíbrios hormonais, alterações no DNA e câncer”, alerta o médico.
O oncologista da Rede Meridional, Fernando Zamprogno, ressalta que ter uma saúde equilibrada, de forma geral, ajuda a reduzir os riscos. “Manter uma dieta saudável, além de eliminar hábitos como o cigarro”.